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Ceará
NOTÍCIA

Advogado condenado por matar a bailarina cearense Renata Braga morre em Brasília

Wladimir Lopes morreu em Brasília, vítima de problemas cardíacos

Gabriela Almeida
16:06 | 09/07/2020
Julgamento de Wladimir Porto, condenado pelo assassinato da bailarina Renata Braga  (Foto: Evilázio Bezerra, em 20/06/2008)
Julgamento de Wladimir Porto, condenado pelo assassinato da bailarina Renata Braga (Foto: Evilázio Bezerra, em 20/06/2008)

O homem condenado por matar a bailarina cearense Renata Maria Braga, em dezembro de 1993, morreu nesta quinta-feira, 9, em decorrência de problemas cardíacos na cidade de Brasília. Wladimir Lopes atirou na cabeça da bailarina, que tinha apenas 20 anos à época, após uma discussão de trânsito. A informação foi confirmada por Oneide Braga, mãe da vítima e fundadora da Associação de Parentes e Amigos de Vitimas da Violência (Apav).

Na ocasião do crime, o advogado chegou a ser preso em flagrante mas teve a primeira condenação apenas em 1997, recorrendo a sentença e obtendo vitórias. Apenas em 2016 ele foi preso, mais de vinte anos após o assassinato.

No entanto, Wladimir Lopes passou apenas 12 meses atrás das grades e, em 2017, teve a sentença prescrita. Entre o período do crime e a sentença final, o homem se casou, se formou em direito e teve filhos. 

Mais de 20 anos de luta

Oneide Braga conta ao O POVO que recebeu a notícia por meio de um recado enviado pelo advogado de Wladimir, dado por uma amiga. "Você merece saber", foi o que a ex-diretora da Apav ouviu da colega, depois de quase 27 anos lutando por justiça pela morte da filha.

Com a voz carregada de força e fé, a mulher de 60 anos confessa que não desejava mal ao homem. "Deus determina a hora da gente ir e ele foi até generoso por ter dado uma morte tranquila. Nunca desejamos um destino ruim pra ele", afirmou.

Quando perguntada sobre o sentimento que carrega desde a morte da filha, acompanhando Wladimir obter vitórias judiciais seguidas até o crime ser arquivado, ela desabafa que está em paz por ter lutado com "todas as forças" por justiça. "Eu fiz o que pude. Não queria o mal dele, mas ele tinha uma dívida com a sociedade", desabafa, completando: "minha filha hoje em dia podia ser o meu amparo".

Para entender 

28/12/93. Numa discussão de trânsito, Wladmir sacou um revólver e atirou contra o Jipe em que Renata estava com amigos. Ela é atingida;

28/12/93. Wladimir é preso em flagrante. Transcorre prisão de 230 dias até julgamento;

30/12/96. Wladimir tem sentença pronunciada;

18/2/97. Wladimir é condenado a sete anos. A defesa recorre. Julgamento é anulado;

20/6/2008. Em novo julgamento, Wladimir é absolvido. Decisão é contestada pela acusação;

1/6/15. Wladimir é condenado a 12 anos e seis meses. Defesa recorre e Wladimir aguarda decisão em liberdade;

2/8/16. A 1ª Câmara Criminal decreta a condenação de Wladimir em nove anos e dois meses;

7/8/16. Wladimir é preso em Brasília;

2/5/17. Pena é extinta por prescrição entre a sentença da pronúncia (30/12/96) e o terceiro julgamento (1/6/15).