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Setores econômicos podem receber melhor abastecimento hídrico no próximo semestre, segundo a Cogerh

Comitês de Bacias já se reúnem para deliberações sobre os processos de negociação e alocação dos recursos hídricos
15:09 | Jun. 22, 2020
Autor Ismia Kariny
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Ismia Kariny Estagiária O POVO online
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Tipo Notícia

Os Comitês de Bacias Hidrográficas começaram as primeiras reuniões para definição da Alocação Negociada de Água, após o fim da quadra chuvosa. De acordo com a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), devido à boa recuperação dos açudes em 2020, os setores econômicos podem contar com melhores condições de abastecimento a partir do próximo semestre. A proposta é incentivar a retomada das atividades econômicas no Estado, destaca o presidente da Cogerh, João Lúcio Farias.

As restrições quanto ao fornecimento de água para o setor de irrigantes ocorre desde 2015, quando foi registrada queda no volume de água dos reservatórios cearenses. Para minimizar os prejuízos causados pela situação de crise hídrica, a Cogerh reforçou os trabalhos de irrigação das áreas mais afetadas pela seca. No entanto, com o melhor aporte observado em 2020, de 5.16 bi m³, e a recarga média de 34,76% nos reservatórios, está sendo avaliada a possibilidade de aumentar a vazão de água a ser liberada para esses setores.

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Para isso, a Cogerh realiza reuniões juntamente com os comitês de bacias hidrográficas, que são os responsáveis por definir os processos de negociação e alocação dos recursos hídricos. Segundo o presidente da Cogerh, João Lúcio Farias, a prioridade é o abastecimento humano. “Hoje nós temos uma condição boa para os usos prioritários e a retomada das atividades econômicas no Estado. Para o abastecimento humano, temos a previsão de uma garantia de dois anos”, detalha.

Situação dos açudes

Conforme a resenha diária da Cogerh, divulgada nesta segunda-feira, 22, as regiões hidrográficas que estão em melhor situação no Ceará são Litoral, Coreaú e Acaraú, localizadas na porção Norte e Noroeste do Estado. Elas registram respectivamente 98.8%, 98% e 91.1% da capacidade dos seus reservatórios. Há ainda a região da Serra da Ibiapaba, mais a oeste do Estado, que chegou a 84.4% do seu volume total; e a região Metropolitana que atingiu 74,7%.

Os principais reservatórios que abastecem o Estado tiveram boa recuperação neste ano. Entretanto, seguem ainda em condições de alerta, segundo o presidente da Cogerh. O Castanhão, que complementa o abastecimento de água em municípios da região metropolitana, está com 16,06% dos 6.700 hm³ que suporta - equivalente a 1.076,19 hm³.

Em seguida, o açude Orós teve recarga de 539,83 hm³, correspondente a 27,83% do volume do volume que poderia alcançar (1940 hm³). Já o Banabuiú, entre os principais reservatórios, foi o que recebeu menor recarga, com 229,34 hm³, representando 14,32% da sua capacidade. Dos açudes mais importantes para a reserva hídrica, o açude Araras foi o único que chegou a sangrar.

Segundo o presidente da Cogerh, mesmo nessa situação, os açudes estão em boas condições de abastecer o Estado, especialmente com o reforço do Sistema Integrado de Fortaleza. Apesar disso, ainda haverá alguma restrição no fornecimento de água a partir dos grandes reservatórios. “São reservatórios que melhoraram, mas que ainda exigem um acompanhamento e um trabalho de alocação. Já as demais bacias, principalmente no Norte e Noroeste, temos condição melhor para atender a todos os usos”, esclarece João Lúcio.

Regiões hidrográficas ainda requerem atenção

Embora algumas regiões estejam em situação mais confortável, o presidente da Cogerh ressalta que ainda existem açudes em estado de alerta. A porção central do Ceará, por exemplo, foi a região que recebeu menor recarga nos seus reservatórios durante a quadra chuvosa. Atualmente, as bacias do Banabuiú e Médio Jaguaribe têm, respectivamente, 14,7% e 15,6% da sua capacidade de água acumulada.

O presidente da Cogerh reforça que deve-se manter o uso racional e cuidadoso da água para tornar viável a garantia de abastecimento para todos os usos, prioritários e econômicos, dos recursos hídricos no Ceará. De acordo com a resenha diária da Cogerh, publicada nesta segunda-feira, 22, há 24 açudes sangrando no Estado, 33 com volume acima dos 90% e ainda 47 abaixo dos 30%. Entre os açudes monitorados pela Companhia, 11 estão em volume morto, e apenas o Madeiro permanece seco.

Sangrando

Gerardo Atimbone, Itapebussu, Malcozinhado, Jenipapo, Itapajé, Germinal, Itaúna, Penedo, Tijuquinha, Poço Verde, São José II, Arrebita, Acarape do Meio, Frios, Várzea da Volta, Mundaú, Tucunduba, Amanary, São José I, Araras, Sobral e Acaraú Mirim.;

Já sangraram

Angicos, Barragem do Batalhão, Caldeirões, Carnaubal, Cauhipe, Colina, Diamantino II, Do Coronel, Forquilha, Gameleira, Gangorra, Gomes, Jatobá II, Maranguapinho, Missi, Patos, Pau Preto, Premuoca, Quandú, Quincoé, Rosário, S. Pedro Timbaúba, Santa Maria de Aracatiaçu, Santo Antônio de Aracatiaçu, São Mateus, São Vicente, Sucesso, Trapiá III, Trici e Valério.

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