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Ceará
NOTÍCIA

Defensoria expede recomendação para que unidades de saúde passem informações sobre pacientes

A Defensoria Pública do Estado tem recebido reclamações de que pessoas com parentes internados em hospitais públicos e privados com o novo coronavírus demoram até 72 horas para receberem informações sobre o estado de saúde

00:00 | 22/05/2020
FORTALEZA-CE, BRASIL, 05-05-2020: Parentes aguardam liberação de pacientes que receberamalta médica no Hospital de Campanha do estádio Presidente Vargas. Movimentação de parentes na frente do Hospital de Campanha do Estádio Presidente Vargas - PV à espera da saída dos familiares que receberam alta. ESPECIAL COVID. (Foto: Júlio Caesar / O Povo) (Foto: JÚLIO CAESAR)
FORTALEZA-CE, BRASIL, 05-05-2020: Parentes aguardam liberação de pacientes que receberamalta médica no Hospital de Campanha do estádio Presidente Vargas. Movimentação de parentes na frente do Hospital de Campanha do Estádio Presidente Vargas - PV à espera da saída dos familiares que receberam alta. ESPECIAL COVID. (Foto: Júlio Caesar / O Povo) (Foto: JÚLIO CAESAR)

A Defensoria Pública do Ceará expediu, no fim da tarde desta quinta, 21, uma recomendação para toda a rede de saúde do Estado, pública e privada, com pacientes com a Covid-19, amplie os canais de comunicação para os familiares sobre a situação das pessoas internadas com a doença nos hospitais do Estado. De acordo com Yamara Lavor, supervisora do Núcleo de Defesa da Saúde (Nudesa), há situações de parentes sem notícias por até 72 horas. “Estamos sensíveis à situação dos parentes que passam pela angústia de uma doença ainda sem vacina e que ficam sem notícias”, informa ao O POVO.

A recomendação foi destinada a toda a rede hospitalar pública e privada do Ceará e às secretarias da saúde do Estado e do Município. O intuito, de acordo com a supervisora, é o de, além permitir o direito à informação, como prevê a Constituição Federal de 1988, evitar aglomerações nas portas dos hospitais. “Os familiares muitas vezes pegam ônibus e se expõem à doença. É um risco se eles tiverem contato com pessoas doentes e muitas vezes assintomáticas”, avisa.

Uma recomendação anterior foi expedida pela Defensoria às duas secretarias de saúde e a um hospital da rede privada. De acordo com a supervisora, foi informado que havia um canal de comunicação criado pelo Município. “No entanto, as reclamações continuaram porque não foi divulgado o número do telefone”, diz. O novo pedido da Defensoria inclui a ampliação do horário de atendimento do telefone disponibilizado, de aumento do número de atendentes e para que seja colocado um número de Whatsapp com as informações dos pacientes.

O documento é assinado pelo (Nudesa) e pelo Núcleo de Direitos Humanos e Ações Coletivas da Defensoria (Ndhac). “Em algumas situações tivemos que oficiar as unidades hospitalares, porque os familiares não tinham acesso aos laudos com as informações do estado de saúde dos pacientes. Outro caso que chamou a atenção da Defensoria foi na ausência de informação sobre a transferência de um dos pacientes. Ele foi levado de uma das UPAs para ser transferido para um hospital de maior complexidade, mas a família não sabia. “Antes de elaborarmos essa recomendação, encaminhamos ainda ofícios para as Secretarias de Saúde do Estado, do Município e para os hospitais particulares para saber como estava acontecendo esse fluxo de informações e pensar em melhorias para essas famílias. Dessa forma, construímos essa recomendação com as diretrizes para todos hospitais”, explica Lavor.

A Recomendação solicita que o Estado crie uma Central de Informações e Apoio aos Familiares 24 horas, inclusive para avisar sobre as transferências. Já para o Município, pede que amplie esse serviço para 24 horas aos familiares no Instituto Dr. José Frota 2 (IJF2), no hospital de campanha do Estádio Presidente Vargas e nas seis Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) por 24 horas. “Sabemos que estamos em um cenário novo e que os poderes executivos Municipal e Estadual estão se esforçando para passar por essa pandemia, mas o fato é que precisamos ter empatia com essas famílias que ficam sem receber informações e estamos aqui para somar nessa construção de novos fluxos para esses atendimentos”, reforça Mariana Lobo, defensora pública supervisora do Núcleo de Direitos Humanos e Ações Coletivas da Defensoria.