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Ceará
NOTÍCIA

Ceará ocupa 12º lugar em ranking nacional de violência física e psicológica contra crianças e jovens

Entre 2009 e 2017, o Estado registrou 7.678 casos. O aumento ao longo dos anos equivale a 88,4%

07:31 | 19/12/2019
Criança com cartaz de protesto contra a violência contra a mulher, no cruzamento das avenidas Godofredo Maciel com Perimental, no Mondubim
Criança com cartaz de protesto contra a violência contra a mulher, no cruzamento das avenidas Godofredo Maciel com Perimental, no Mondubim (Foto: Mauri Melo)

Levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) aponta que o Ceará ocupa a 12ª colocação nacional em casos de violência física, psicológica ou de tortura contra crianças e adolescentes. Os dados são de 2017 e têm como base o Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan), mantido pelo Ministério da Saúde (MS). Naquele ano, em média, foram registrados quatro notificações por dia no Estado. 

Em relação aos números de violência física, entre 2009 e 2017 o Estado acumulou 5.507 notificações. No mesmo período, foram 1.925 registros de casos de violência psicológica e 246 notificações relacionadas à tortura contra crianças e jovens. Somando os números é possível obter o total 7.678 registros. Durante esses anos, o aumento nos casos equivale a 88,4%.

No topo da lista, registrando os maiores números desses tipos de violência em 2017, estão os estados de São Paulo (21.639 casos), Minas Gerais (13.325), Rio de Janeiro (7.853), Paraná (7.297) e Rio Grande do Sul (5.254). Respectivamente, esses dados representam 25,3%, 15,6%, 9,2%, 8,5% e 6,1% do total de registros naquele ano em todo o País.

Brasil

Os números impressionam ainda mais se observados no panorama nacional. No Brasil, todos os dias, são notificadas, em média, 233 agressões físicas, psicológicas e de tortura contra crianças e adolescentes de até 19 anos. Em 2017, a soma desses três tipos de registro chega a 85.293 notificações. Desses, 69,5% são decorrentes de violência física; 27,1% de violência psicológica; e 3,3% de episódios de tortura.

Ao analisar a série histórica cobrindo o período de 2009 a 2017 (informações mais recentes disponíveis), o volume de agressões chega a 471.178 registros. Nesse período, houve crescimento de 84,6% no número de casos, o que equivale a 50.203.

O trabalho da SBP não considerou variações como violência e assédio sexual, abandono, negligência, trabalho infantil, entre outros tipos de agressão. Esses aspectos devem fazer parte de publicação a ser divulgada em 2020.

Atenção aos sinais

A SBP também disponibiliza em seu portal o “Manual de Atendimento às Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência”. O livro oferece estratégias para prevenir, identificar e encaminhar situações de risco de violência em nível doméstico, na escola e nos ambientes públicos. Confira alguns sinais de violência física e psicológica para os quais o manual alerta:

Presença de hematomas na pele, atentando quando estão em fases distintas de evolução, sugerindo traumas repetidos

Atrasos psicomotores diversos

Distúrbios alimentares: perda ou falta de apetite, bulimia, anorexia, obesidade

Pouca comunicação ou comunicação feita sempre de modo destrutivo.

Distúrbios cognitivos: dificuldades de aprendizado, desinteresse pelo conhecimento, pelo saber, atraso intelectual

Distúrbios do comportamento

- Na criança: grande inibição e passividade, de um lado, ou hiperatividade e instabilidade psicomotoras, de outro, associadas à agressividade contra os outros ou contra si própria.

- No pré-adolescente e no adolescente: fugas; dificuldades escolares ou investimento excessivo na escolaridade; rebeldia e/ou irritação exacerbadas e tentativas de suicídio.

Denúncias

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) disse que suas delegacias especializadas “realizam trabalhos contínuos para combater todos os tipos de crimes, no Estado, por meio de trabalho investigativo e de inteligência”.

A Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa) recebe todo tipo de ocorrência e denúncia que envolva crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual, exploração sexual, maus-tratos e qualquer tipo de violação ao direto dessa parcela da população.

Além dos trabalhos policiais desenvolvidos pela equipe da Dececa, a especializada conta ainda com a colaboração da sociedade para receber denúncias de violação aos direitos da criança e do adolescente. Para registrar denúncias, a população pode recorrer ao Disque 100 (Disque Direitos Humanos) ou ao Disque Denúncia da SSPDS pelo número 181. O sigilo e o anonimato de ambos os serviços são garantidos.

Serviço:

Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa)

Onde: rua Soares Bulcão, s/n – bairro São Gerardo

Contato: (85) 3101-2044 e 3101-2045

Atendimento: das 8 às 18 horas, de segunda a sexta-feira

Plantões: Delegacia da Defesa da Mulher (Rua Manuelito Moreira, 12 – Benfica)