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Ceará
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Plano de manejo da Pedra da Risca do Meio deve ser entregue até o fim do ano

Unidade de conservação é a única totalmente submersa no mar cearense. Projeto prevê também instalação de uma base na Beira Mar para promover educação e turismo ambiental

13:27 | 09/08/2019
Além de recifes de corais, já foram documentadas 153 espécies de peixes ósseos, 12 de peixes cartilaginosos, uma de golfinho e três de tartarugas.
Além de recifes de corais, já foram documentadas 153 espécies de peixes ósseos, 12 de peixes cartilaginosos, uma de golfinho e três de tartarugas. (Foto: Divulgação)

Cearenses têm em seu território marítimo um berço de biodiversidade completamente submerso e, por isso, ainda pouco conhecido: o Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio. A unidade existe há 21 anos e finalmente receberá nos próximos meses um manejo adequadamente regulamentado. Uma iniciativa entre órgãos governamentais e organizações da sociedade civil deve entregar, até o fim do ano, o plano de manejo do parque, elaborado a partir de diagnósticos do meio físico, biológico e social.

Pesquisadores mergulham em recifes para estudar espécies como peixes, corais e esponjas
Pesquisadores mergulham em recifes para estudar espécies como peixes, corais e esponjas (Foto: AURELIO ALVES)

Marcelo Soares, coordenador do plano, conta que além da importância ecológica e da função econômica para os pescadores, a área tem grande importância científica. Segundo ele, que também é professor do Instituto de Ciências do Mar (Labomar/UFC), substâncias anticâncer já foram encontradas no parque. Diante dessa riqueza, o objetivo é propor medidas para a conservação e o uso sustentável da unidade.

De acordo com o secretário do Meio Ambiente, Artur Bruno, o documento apoiará “uma boa gestão do parque nas áreas turística, econômica e de preservação”. Para isso, R$ 2 milhões já estão garantidos pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), no âmbito do projeto Áreas Marinhas e Costeiras Protegidas. O investimento tem sido aplicado desde fevereiro em entrevistas com mergulhadores e pescadores, análises bibliográficas sobre a área, mapeamento e reuniões entre gestores, especialistas e sociedade.

Pesquisadores mergulham para estudar espécies como peixes, corais e esponjas
Pesquisadores mergulham para estudar espécies como peixes, corais e esponjas (Foto: AURELIO ALVES)

O recurso será utilizado ainda para monitoramento da região por, pelo menos, um ano e para a instalação de uma base na Beira Mar aberta ao público onde serão expostos fotos, vídeos e informações sobre a Pedra da Risca do Meio. Ozileia Menezes, diretora do Labomar, destaca que a economia do mar está “muito bem representada” entre os benefícios que o parque pode trazer com sua conservação.

As expedições

Após atividades de preparação desde o início do ano, uma equipe multidisciplinar com mais de 30 pessoas realizou trabalhos de campo a bordo do Argo Equatorial, barco de pesquisa do Labomar, em dez dias durante julho. Nessa etapa, ocorreram coletas para análise de nutrientes, micro-organismos e condições físico-químicas da água (tais como temperatura, oxigênio e salinidade) para o diagnóstico do plano. Oito pesquisadores mergulharam em nove recifes para produzir também fotos e vídeos de espécies como peixes, corais e esponjas. Algumas das atividades podem ser acompanhadas no Instagram da iniciativa.

Soares conta que alguns impactos negativos da ação humana foram encontrados durante as atividades. Entre eles, está a presença de microplásticos e de redes de pesca abandonadas. “A questão é discutir sobre esses impactos para reduzi-los e manter a preservação”, afirma. A educação e o turismo ambientais também serão fomentados a partir do plano. “O turismo bem planejado é benéfico. Muitos mergulhadores têm um grande apreço por preservar a biodiversidade marinha. Quem quer mergulhar onde não tenha tubarão, peixes e tartarugas?”

Os próximos passos contemplam agora reuniões mensais para discussão dos resultados do trabalho em mar. “O diagnóstico final não está fechado. Ele somente será concluído após os debates e a inclusão de contribuições do conselho gestor e da sociedade”, explica Izaura Lila, gestora do parque. A partir daí será feito o zoneamento para que, então, o plano de manejo esteja completo.

Pesquisadores mergulham para estudar espécies como peixes, corais e esponjas
Pesquisadores mergulham para estudar espécies como peixes, corais e esponjas (Foto: AURELIO ALVES)

Unidade de conservação submersa

Criado por lei em 5 de setembro de 1997, o Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio é uma unidade estadual de proteção integral, sob a gestão da Sema. Seus recifes ficam permanentemente submersos e compõem a única área do Sistema Estadual de Unidades de Conservação totalmente submersa em ambiente marinho.

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Cerca de 10 milhas náuticas (18 quilômetros) separam o Porto do Mucuripe da Pedra da Risca do Meio e uma viagem de 1h30min é necessária para visitar o local. O parque possui área de 33,2 km² , temperatura da água de 27°C e até 30 metros de profundidade. Tais condições favorecem o desenvolvimento e o abrigo de uma rica biodiversidade: além de recifes de corais, já foram documentadas 153 espécies de peixes ósseos, 12 de peixes cartilaginosos, uma de golfinho e três de tartarugas. Pelo menos 13 espécies de peixes estão ameaçadas de extinção.

Curiosidade

De acordo com a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), os jangadeiros denominam “riscas” as formações rochosas submersas onde se fixam microrganismos que formam a base da cadeia alimentar. Assim, o nome do Parque Estadual Marinho foi escolhido em homenagem a esses jangadeiros que batizaram os diversos pontos de pesca tais como a Risca do Mar, a Risca do Meio e a Risca de Terra.

MARCELA TOSI/Especial para O POVO