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Cariri
NOTÍCIA

UFRJ nega desvios no recolhimento, deslocamento e tombamento de fósseis na Chapada do Araripe

Polícia Federal investiga suposta participação de professor da Universidade no desvio de espécimes encontradas na Chapada do Araripe, na Região do Cariri

12:45 | 26/10/2020
ACERVO de fósseis do Museu de Paleontologia Plácido Cidades Nuvens, de Santana do Cariri (Foto: TATIANA FORTES 22/10/2018)
ACERVO de fósseis do Museu de Paleontologia Plácido Cidades Nuvens, de Santana do Cariri (Foto: TATIANA FORTES 22/10/2018)

A Universidade Federal do Rio de Janeiro negou o envolvimento de um professor do Departamento de Geologia no desvio de recolhimento, deslocamento e tombamento de fósseis de espécimes descobertas na Chapada do Araripe, na Região do Cariri cearense. Segundo a Universidade, por meio de nota, toda a documentação solicitada pela Polícia Federal foi entregue. “Lamentavelmente, a UFRJ não foi procurada antes em nenhum momento para prestar esclarecimentos. Destacamos que todos os fósseis sob a guarda da UFRJ estão legalmente cadastrados e catalogados na instituição e notificados aos órgãos responsáveis”, escreve no comunicado.

Ainda de acordo com a nota, todos os docentes e a própria unidade, o Instituto de Geociências, têm documento de autorização para coleta e pesquisa de fósseis na Bacia do Araripe (CE), fornecido pela Agência Nacional de Mineração (ANM), uma autarquia federal ligada ao Ministério de Minas e Energia (MME), responsável pelo gerenciamento da atividade de mineração e dos recursos minerais do País. Por conta de serem ainda investigados, o nome do paleontólogo não foi revelado. O professor repudiou as acusações.

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Na manhã da última quinta-feira, 22/10, a Polícia Federal (PF) fez incursão no Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) da UFRJ para procedimento de mandado acerca da suspeita de um professor estar envolvido com contrabando de fósseis.  Foram cumpridos neste domingo, 25, 17 mandados de busca e apreensão entre Santana do Cariri e Nova Olinda, no Ceará. Duas equipes diferentes de policiais ocupavam o gabinete de trabalho de um paleontólogo respeitado da UFRJ e a residência do pesquisador.

Segundo as investigações, um dos operários teria alegado que havia recebido uma espécie de “mensalidade” do professor. A UFRJ informa que repudia “a versão mentirosa e ressaltamos que todo pagamento efetuado a operários de pedreiras foi fruto de processo com completo amparo legal para execução de atividades de campo (auxílio nas atividades in loco, retirada e corte de rochas, por exemplo), para acompanhamento de pesquisa de discentes, tarefa precípua nos cursos de graduação da UFRJ, que somam prática à teoria. Todos os pagamentos, portanto, foram legais e com a devida documentação comprobatória. Nunca foram realizadas quaisquer prestações de valores pecuniários sob outros propósitos e de forma ilegal”, avisa o comunicado.

Até 2018, de acordo com a UFRJ, a agência mantinha um escritório regional no Cariri (CE), responsável pelo acompanhamento dos estudos e coletas na região. Desta forma, segundo a Universidade, todas as ações dos pesquisadores da UFRJ, nesta área de estudo, sempre foram notificadas ao responsável pelo escritório regional que fazia todo o acompanhamento em campo.

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