Comunidade Católica de Minecraft: conheça o grupo denunciado pela Arquidiocese de Salvador
Grupo que simula a Igreja Católica no Minecraft é denunciado pela Arquidiocese de Salvador por uso indevido de símbolos e da identidade religiosa; conheça-os
Um grupo religioso católico que se organiza no universo do jogo Minecraft se tornou alvo de denúncia por parte da Arquidiocese de Salvador.
Conhecido como Comunidade Católica de Minecraft, o grupo digital utiliza símbolos, nomenclaturas e hierarquias típicas da Igreja Católica em uma estrutura paralela que causou preocupação e foi formalmente contestada pela instituição religiosa.
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A polêmica ganhou repercussão nacional no fim de junho, quando a Arquidiocese denunciou o grupo por uso indevido de nome, símbolos e insígnias da Igreja, conforme reportado pelo g1 Bahia.
A acusação, além de apontar uma possível apropriação indevida de identidade institucional, levanta debates sobre os limites entre a liberdade de expressão e o respeito às tradições religiosas em espaços virtuais.
Como funciona a “Comunidade Católica de Minecraft”
A comunidade se apresenta por meio de um blog oficial — o “Vaticano Santa Sé” — onde detalha sua estrutura organizacional, cargos e modo de operação. Inspirado diretamente na hierarquia eclesiástica do Vaticano, o grupo simula uma instituição católica com cargos como:
- Papa: Líder supremo da comunidade, responsável por nomeações, julgamentos, doutrina e governo geral. Atualmente, é chamado de Pio XIV.
- Cardeais, Arcebispos e Bispos: Responsáveis por diferentes áreas dentro do servidor, com funções espirituais, administrativas e judiciais.
- Diáconos e Padres: Realizam missas virtuais e acolhem fiéis nos “territórios” da comunidade.
- Guardas Suíços: Servem como segurança institucional.
- Cônegos, Monjas e Monges: Exercem atividades de oração e condução de missas.
- Tertulianos, Seminaristas e outros: Estágios de formação e participação na vida eclesial da comunidade.
Além da hierarquia, há elementos como “Santa Sé Digital”, “Santa Inquisição Apostólica” e “Congregação da Doutrina da Fé”, além de um calendário litúrgico virtual, com eventos, missas, batismos e decisões “canônicas”.
A linguagem formal e a reprodução quase literal da estrutura católica real contribuíram para a percepção de que o grupo estaria se apropriando de uma identidade institucional legítima, motivo central da denúncia da Arquidiocese.
A denúncia da Arquidiocese de Salvador
De acordo com reportagem do g1, a Arquidiocese tomou conhecimento da comunidade após receber denúncias de fiéis sobre a existência de uma suposta “versão paralela da Igreja Católica” operando em um servidor online.
Ao constatar que o grupo usava brasões, imagens e termos oficiais da Igreja, a instituição formalizou a denúncia às autoridades policiais.
A Arquidiocese ressaltou não possuir qualquer relação com o grupo e que a simulação pode induzir à desinformação, especialmente entre jovens e adolescentes que participam da plataforma.
O caso, agora, está sendo investigado pela Polícia Civil da Bahia, que apura se houve violação de direitos autorais, falsidade ideológica ou uso indevido de símbolos religiosos protegidos por lei.
É pecado simular a Igreja em jogos?
A dúvida que muitos fiéis e observadores levantaram após o caso é: simular práticas católicas ou criar uma "Igreja fictícia" em ambientes como o Minecraft configura pecado ou heresia?
Segundo o Catecismo da Igreja Católica, o uso desrespeitoso de símbolos sagrados ou a deturpação da fé pode ser considerado pecado contra a religião (n.º 2120 e 2148). Já o Direito Canônico (CIC, cân. 1369) prevê sanções para quem, por meio de discursos ou ações públicas, ofender gravemente a religião.
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Embora a Igreja não se pronuncie diretamente sobre games ou universos virtuais, o uso indevido de insígnias, títulos e rituais oficiais pode ser considerado, à luz do magistério católico, irregular ou escandaloso, especialmente se gerar confusão ou banalização da fé.
A Folha PE destacou que, para teólogos e canonistas, a gravidade depende da intenção e da repercussão pública.
Por outro lado, caso a representação seja claramente lúdica e sem vínculo com a evangelização ou doutrinação, o uso pode ser entendido apenas como paródia ou roleplay, o que ainda assim pode incomodar comunidades religiosas.
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Outras comunidades que simulam a realidade no Minecraft
O caso da “Santa Sé Digital” não é único quando se trata de reproduções da realidade no universo do Minecraft.
Um exemplo de grande alcance é o projeto Build The Earth (BTE), iniciativa global que tenta reconstruir cidades e monumentos reais em escala 1:1 dentro do jogo.
No Brasil, há reproduções fiéis de locais como o Cristo Redentor, a Avenida Paulista, e até bairros inteiros de cidades como Salvador e Recife. Diferente do grupo católico, essas iniciativas não costumam usar marcas registradas ou símbolos institucionais, o que evita conflitos legais ou religiosos.
Também existem comunidades que reproduzem governos, empresas, escolas e até tribunais, como parte de jogos de interpretação de papéis (“roleplay”), geralmente com regras próprias e linguagem ficcionalizada — algo que não parece ocorrer no caso da comunidade religiosa denunciada.