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Bolsonaro faz comentário de cunho racista com cabelo de apoiador: 'Estou vendo uma barata'

O comentário foi feito durante encontro do presidente com apoiadores. Na ocasião, Bolsonaro estava sem máscara
23:00 | Mai. 06, 2021
Autor Lara Vieira
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Tipo Notícia

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez um comentário de cunho racista ao interagir com um apoiador na manhã desta quinta-feira, 6, em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília. Na ocasião, Bolsonaro afirmou que estava vendo uma barata no cabelo crespo, no estilo black power, de um homem que tentava tirar uma foto com o presidente.

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“Estou vendo uma barata, estou vendo uma barata aqui”, disse Bolsonaro, entre risos, ao olhar para o cabelo do apoiador. Sem fazer uso de máscara, o presidente também lançou olhares para um de seus seguranças como forma de chamar sua atenção para o cabelo do homem.

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Antes dessa fala, Bolsonaro já havia feito outro comentário sobre a mesma pessoa. O governante teria associado o cabelo do bolsonarista à presença de piolhos. “Falou, cabeludo, tem piolho na sua cabeça, tem cloroquina”. É possível que Bolsonaro tenha realizado a associação de piolhos com o remédio cloroquina, amplamente divulgado em seu governo como tratamento precoce contra o coronavírus. No entanto, para a associação estar correta deveria ter sido ao remédio ivermectina, que é um antiparasitário. Igualmente, a cloroquina não tem eficácia comprovada contra o vírus da Covid-19.

Na última terça-feira, 4, Bolsonaro também fez comentários similares durante a tradicional conversa com apoiadores. "O que que você cria nessa cabeleira aí?", disse o presidente, aos risos, ao ver um simpatizante com cabelo 'black power'. Em resposta, o bolsonarista respondeu que tinha “muita coisa”.

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Histórico de racismo

Em 2019, quando ainda era deputado federal, Jair Bolsonaro recebeu um processo por racismo. No entanto, foi absolvido. Também, Bolsonaro chegou a ser condenado em primeira instância por declarações dadas em 2017. Em abril daquele ano, Bolsonaro dava uma palestra no Clube Hebraica, em São Paulo, quando disse que visitou um quilombo e que "o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas" e “Nem para procriador eles servem mais". A penalidade proposta na época foi multa de R$ 50 mil.

De acordo com o portal Uol, durante o primeiro mandato do presidente, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região encerrou o processo que ele respondia na Justiça federal por entender que as opiniões e declarações de parlamentares são invioláveis.

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