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Brasil
NOTÍCIA

'Me sinto muito culpada', disse Monique ao pai dias após morte de Henry

Nas mensagens obtidas pela polícia, a mãe da criança busca conforto nos pais e recebe apoio da mãe que afirma que a filha foi a melhor mãe para Henry

Júlia Duarte
10:09 | 28/04/2021
Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino Henry Borel, deixa à Delegacia de Polícia da Barra da Tijuca(16ªDP), após prestar depoimento sobre a morte do menido de 4 anos. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino Henry Borel, deixa à Delegacia de Polícia da Barra da Tijuca(16ªDP), após prestar depoimento sobre a morte do menido de 4 anos. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Com previsão de ser encerrado nesta quinta-feira, 29, o inquérito que apura da morte de Henry Borel, de quatro anos, ganha mais provas com as mensagens recuperadas pela Polícia Civil no celular de Monique Medeiros da Costa e Silva, a mãe da criança. Os pais da professora foram seus principais interlocutores no período de 31 dias entre a morte de Henry e a prisão dela. Ao pai, ela revela se sentir culpada e busca apoio com a mãe diante da situação.

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São 360 diálogos, revelados pelo jornal O Globo, entre pai, mãe e filha. Com o funcionário civil da Aeronáutica Fernando José Fernandes da Costa e Silva, pai de Monique, foram trocadas 134 mensagens entre 13 e 24 de março. Uma semana após a morte de Henry, em 15 de março, a professora afirma: “Devo merecer o que está acontecendo. Tudo foram escolhas minhas. Agora estou colhendo. Me sinto muito culpada". O pai então responde: “Todos nós erramos". O que Monique argumenta: “Eu deveria ter colocado ele na cama dele que era mais baixa. Deveria ter dormido no quartinho dele com ele”.

De acordo com o Extra, entretanto, a troca de mensagens entre Monique e a também professora Rosângela Medeiros da Costa e Silva, a mãe da investigada, foi mais extensa, com 226 textos, ligações e arquivos. No dia anterior ao sepultamento do neto, Rosângela escreveu à filha: “Dizia para o Henry que ninguém o amava mais que você. E eu lhe digo, ninguém a ama mais que eu. Quero estar com você. Não me deixe estar longe de você. Eu lhe peço. Vamos juntas despedir do Henry".

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A avó do menino seguiu apoiando a filha e enviou mensagens no dia seguinte em que Monique prestou depoimento à policia. As duas continuam conversando e a avó de Henry diz que a professora foi a melhor mãe para Henry. “Você foi a melhor mãe para o seu filho. Tenha certeza do que você foi e ele será sempre grato. Te amo e rezo sempre. Não tenha medo de nada. O que não foi feito ou da maneira que foi feito foi o seu entendimento como mãe. Mãe quer sempre educar mesmo que muitas vezes nos parece errado. Te amo. Isso tudo vai passar. Entregue a Deus a sua vida e espera a recompensa", disse a avó.

Dia da morte


Monique e seu companheiro, o vereador Dr. Jairinho, foram presos por tentarem atrapalhar as investigações e são suspeitos de provocarem a morte de Henry no dia 8 de março. O casal sustentou, em depoimentos, a versão de que ele caiu de uma cama. O que é contrariado pelo laudo médico que apresenta lesões graves.

Em uma carta de 29 páginas, entregue por seus advogados à polícia, a mãe de Henry sugere que foi dopada por Jairinho no dia da morte do menino e mudou sua versão sobre o que aconteceu na noite que o menino morreu. No depoimento, ela disse que encontrou o filho no chão e, agora, afirma que foi acordada pelo vereador, que estaria com a criança “respirando muito mal” em seus braços.

A mãe de Monique também prestou depoimento e contou sobre o que aconteceu na noite. Ela afirma ter recebido uma ligação da filha, dizendo que Henry não estava respirando. Durante o trajeto, Monique teria ligado novamente insistindo: “Mãe, vem para cá”. Minutos depois, disse ter recebido o terceiro telefonema, quando soube que o menino havia falecido. Chegando à unidade de saúde, Rosângela contou que encontrou a filha “desolada”.

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+Mãe de Henry muda versão e quer novo depoimento à polícia

Segundo Extra, está previsto para ser concluído na quinta-feira o inquérito que apura a morte do menino. Segundo fontes da polícia, a mãe do menino, não deve prestar novo depoimento e a equipe responsável pelo caso acredita ter provas suficientes contra ela.