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Brasil
NOTÍCIA

Médicos, fundador da Anvisa e ex-ministro da Saúde protocolam pedido de impeachment de Bolsonaro

O grupo acusa Bolsonaro por crimes de responsabilidade na condução da pandemia do coronavírus.

Leonardo Igor
12:30 | 08/02/2021
Bolsonaro acumula quase 70 pedidos de impeachment, um recorde (Foto: Marcos Correa/PR)
Bolsonaro acumula quase 70 pedidos de impeachment, um recorde (Foto: Marcos Correa/PR)

Um grupo de médicos e cientistas protocolou um novo pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara dos Deputados por crimes de responsabilidade na condução da pandemia do coronavírus. Com este, são 69 pedidos de impeachment protocolados contra o mandatário desde o início do seu mandato, em 1º de janeiro de 2019.

Entre os nomes que assinam este último pedido estão Gonzalo Vecina, ex-presidente e fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e José Gomes Temporão, ministro da Saúde durante o segundo governo Lula. No embasamento, o grupo citou uma série de declarações públicas e ações de Bolsonaro desde março de 2020. Uma das frases citadas, por exemplo, é a resposta do presidente ao ser questionado sobre o número de óbitos pela Covid-19 no Brasil. Na ocasião, Bolsonaro respondeu: “Não sou coveiro”.

Ainda na primeira página do documento, outras frases polêmicas são lembradas, como “Se você tomar vacina e virar jacaré, é um problema de você”, dita durante discurso em que questionou a eficácia das vacinas. Outra resgatada é a “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?”, proferida quando foi novamente perguntado pelo número de mortos pela pandemia no País.

O pedido aponta que o mandatário, várias vezes, se posicionou contra as medidas de isolamento social e minimizou os efeitos da doença que até a segunda-feira, 7, matou mais de 231 mil brasileiros. "O Sr. Jair Messias Bolsonaro insistiu em arrastar a credibilidade da Presidência da República (e, consequentemente, do Brasil) a um precipício negacionista que implicou (e vem implicando) perda de vidas e prejuízos incomensuráveis, da saúde à economia", diz um trecho do documento, segundo o portal G1.

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Segundo o documento, também assinado pela ex-diretora da Fiocruz Eloan dos Santos Pinheiro, Bolsonaro "usou seus poderes legais e sua força política para desacreditar medidas sanitárias de eficácia comprovada”. O grupo aponta ainda que o presidente interferiu no trabalho técnico do Ministério da Saúde para exigir a recomendação do chamado “tratamento precoce” da Covid-19, suposta profilaxia não reconhecida pela ciência.

Este é o primeiro pedido de impeachment contra Bolsonaro protocolado durante a gestão do novo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), eleito com apoio do presidente. Conforme levantamento da Folha de S. Paulo, até o sábado, 6 de fevereiro, já estavam armazenados na Casa 68 pedidos de impeachment contra o chefe do Executivo federal. Qualquer pedido de impeachment só pode ir em frente com aval da Presidência da Câmara.