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NOTÍCIA

Veja exemplos de Redação do Enem nota mil

Especialistas do Inep comentaram redações que tiraram a nota mil no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Confira exemplos de redação e os comentários logo abaixo

21:02 | 12/01/2021
Redação será uma das provas do Enem deste domingo, 17; veja exemplos de nota mil (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Redação será uma das provas do Enem deste domingo, 17; veja exemplos de nota mil (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A redação é uma das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2020) deste domingo, dia 17 de janeiro de 2021 (17/01). As redações nota mil e os comentários dos especialistas estão na Cartilha do Participante 2019, disponível no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e também logo abaixo. Confira alguns exemplos de Redação do Enem nota mil:

Redação de CAROLINA MENDES PEREIRA

Em sua canção “Pela Internet”, o cantor brasileiro Gilberto Gil louva a quantidade de informações disponibilizadas pelas plataformas digitais para seus usuários. No entanto, com o avanço de algoritmos e mecanismos de controle de dados desenvolvidos por empresas de aplicativos e redes sociais, essa abundância vem sendo restringida e as notícias, e produtos culturais vêm sendo cada vez mais direcionados – uma conjuntura atual apta a moldar os hábitos e a informatividade dos usuários. Desse modo, tal manipulação do comportamento de usuários pela seleção prévia de dados é inconcebível e merece um olhar
mais crítico de enfrentamento.

Em primeiro lugar, é válido reconhecer como esse panorama supracitado é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Jürgen Habermas, no qual ele conceitua a ação comunicativa: esta consiste na capacidade de uma pessoa em defender seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, demandando ampla informatividade prévia. Assim, sabendo que a cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam um pleno conhecimento da realidade na qual estão inseridos e de como seu próximo pode desfrutar do bem comum – já que suas fontes de informação estão direcionadas –, eles serão incapazes de assumir plena defesa pelo coletivo. Logo, a manipulação do comportamento não pode ser aceita em nome do combate, também, ao individualismo e do zelo pelo bem grupal.

Em segundo lugar, vale salientar como o controle de dados pela internet vai de encontro à concepção do indivíduo pós-moderno. Isso porque, de acordo com o filósofo pós-estruturalista Stuart-Hall, o sujeito inserido na pós-modernidade é dotado de múltiplas identidades. Sendo assim, as preferências e ideias das pessoas estão em constante interação, o que pode ser limitado pela prévia seleção de informações, comerciais, produtos, entre outros. Por fim, seria negligente não notar como a tentativa de tais algoritmos de criar universos culturais adequados a um gosto de seu usuário criam uma falsa sensação de livre arbítrio e tolhe os múltiplos interesses e identidades que um sujeito poderia assumir.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, as instituições escolares são responsáveis pela educação digital e emancipação de seus alunos, com o intuito de deixá-los cientes dos mecanismos utilizados pelas novas tecnologias de comunicação e informação e torná-los mais críticos. Isso pode ser feito pela abordagem da temática, desde o ensino fundamental – uma vez que as gerações estão, cada vez mais cedo, imersas na realidade das novas tecnologias – , de maneira lúdica e adaptada à faixa etária, contando com a capacitação prévia dos professores acerca dos novos meios comunicativos.

Por meio, também, de palestras com profissionais das áreas da informática que expliquem como os alunos poderão ampliar seu meio de informações e demonstrem como lidar com tais seletividades, haverá um caminho traçado para uma sociedade emancipada.

COMENTÁRIO

A participante demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, uma vez que a estrutura sintática é excelente e há apenas um desvio: uma vírgula usada de forma equivocada no primeiro parágrafo, em “as notícias, e produtos culturais”. Em relação aos princípios da estruturação do texto dissertativo-argumentativo, percebe-se que a participante apresenta uma tese, o desenvolvimento de justificativas que comprovam essa tese e uma conclusão que encerra a discussão. Ou seja, a participante apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo. Além disso, o tema é abordado de forma completa, demonstrando uma leitura cuidadosa da proposta de redação: logo no primeiro parágrafo, a participante já anuncia a problemática ao apontar que os mecanismos de controle de dados são responsáveis por moldar os hábitos e o grau de informatividade dos usuários. Observa-se também o uso produtivo de repertório sociocultural pertinente à discussão proposta pela participante em mais de um momento do texto: no primeiro parágrafo, ao dizer que, diferentemente do que é cantado por Gilberto Gil, hoje as informações disponibilizadas na internet acabam sendo restringidas devido ao controle de dados; no segundo parágrafo, quando apresenta o conceito de ação comunicativa, de Jürgen Habermas, que é prejudicada devido ao direcionamento de informações, o que também prejudica a característica de múltiplas identidades do indivíduo, proposta por Stuart-Hall e apresentada no terceiro parágrafo.

Percebe-se também, ao longo da redação, a presença de um projeto de texto estratégico, com informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, desenvolvidos de forma consistente e bem organizados em defesa do ponto de vista. Já no primeiro parágrafo, é apresentado o problema da manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet, que, segundo a participante, além de ser inconcebível, deve ser enfrentada. Ao longo do desenvolvimento, ela mostra como a seleção, por meio de algoritmos, daquilo que é visto pelos usuários interferem em suas vidas, seja por limitar seu papel como cidadão como por limitar o acesso ao conhecimento. Por fim, são apresentadas propostas de intervenção articuladas ao problema apontado pelo participante.

Em relação à coesão, encontra-se, nessa redação, um repertório diversificado de recursos coesivos, sem inadequações. Há articulação tanto entre os parágrafos (“Em segundo lugar”, “Portanto”) quanto entre as ideias dentro de um mesmo parágrafo (1º parágrafo: “seus”, “No entanto”, “essa”, “Desse modo”; 2º parágrafo: “Acerca disso”, “assim”, “já que”, “também”; 3º parágrafo: “Isso”, “porque”, “Sendo assim”, “tais”, “Por fim”; 4º parágrafo: “Para tanto”, “seus”, “uma vez que”, entre outros). Por fim, a participante elabora excelente proposta de intervenção, concreta, detalhada e que respeita os direitos humanos: propõe que as escolas tornem seus alunos mais críticos e que os ensinem a lidar com a seletividade gerada pelos algoritmos.

Redação de MATTHEUS MARTINS WENGENROTH CARDOSO

O advento da internet possibilitou um avanço das formas de comunicação e permitiu um maior acesso à informação. No entanto, a venda de dados particulares de usuários se mostra um grande problema. Apesar dos esforços para coibir essa prática, o combate à manipulação de usuários por meio de controle de dados representa um enorme desafio. Pode-se dizer, então, que a negligência por parte do governo e a forte mentalidade individualista dos empresários são os principais responsáveis pelo quadro.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a venda de dados pessoais e a manipulação do comportamento nas redes. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, grandes empresas sentem-se livres para invadir a privacidade dos usuários e vender informações pessoais para empresários que desejam direcionar suas propagandas. Dessa forma, a opinião dos consumidores é influenciada, e o direito à liberdade de escolha é ameaçado.

Outrossim, a busca pelo ganho pessoal acima de tudo também pode ser apontado como responsável pelo problema. De acordo com o pensamento marxista, priorizar o bem pessoal em detrimento do coletivo gera inúmeras dificuldades para a sociedade. Ao vender dados particulares e manipular o comportamento de usuários, empresas invadem a privacidade dos indivíduos e ferem importantes direitos da população em nome de interesse individuais. Desse modo, a união da sociedade é essencial para garantir o bem-estar coletivo e combater o controle de dados e a manipulação do comportamento no meio digital.

Infere-se, portanto, que assegurar a privacidade e a liberdade de escolha na internet é um grande desafio no Brasil. Sendo assim, o Governo Federal, como instância máxima de administração executiva, deve atuar em favor da população, através da criação de leis que proíbam a venda de dados dos usuários, a fim de que empresas que utilizam essa prática sejam punidas e a privacidade dos usuários seja assegurada. Além disso, a sociedade, como conjunto de indivíduos que compartilham valores culturais e sociais, deve atuar em conjunto e combater a manipulação e o controle de informações, por meio de boicotes e campanhas de mobilização, para que os empresários sintam-se pressionados pela população e sejam obrigados a abandonar a prática.

Afinal, conforme afirmou Rousseau: “a vontade geral deve emanar de todos para ser aplicada a todos”.

COMENTÁRIO

O participante demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, uma vez que a estrutura sintática é excelente e o texto não apresenta desvios de escrita.

Em relação aos princípios da estruturação do texto dissertativo-argumentativo, percebe-se que o participante apresenta uma tese, o desenvolvimento de justificativas que comprovam essa tese e uma conclusão que encerra a discussão, ou seja, o participante apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo. Além disso, o tema é abordado de forma completa: já no primeiro parágrafo, o participante trata do controle de dados na internet, por meio da venda de dados de usuários, e da manipulação destes. Observa-se também que o participante usa, de forma produtiva, repertório sociocultural pertinente à discussão: no segundo parágrafo, ao relacionar um pensamento de Thomas Hobbes à falta de atuação por parte do governo; no terceiro parágrafo, ao trabalhar o pensamento marxista relacionado à atuação das empresas que vendem os dados de seus usuários; e no último parágrafo, ao trazer uma citação de Rousseau, que reforça uma de suas propostas de intervenção.

Em relação ao projeto de texto, percebemos que ele é estratégico, ou seja, que se configura na organização clara e no desenvolvimento consistente da redação. O participante apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto para defender seu ponto de vista. No primeiro parágrafo, o problema é apresentado: existe uma manipulação daqueles que utilizam a internet devido ao controle de dados que ocorre por meio da venda dos dados desses usuários. Além disso, apresentam-se as duas causas desses problemas – a negligência do governo e a mentalidade individualista dos empresários –, que serão desenvolvidas ao longo do segundo e do terceiro parágrafos. No desenvolvimento, o participante também deixa claro que existe uma relação entre esses dois problemas, uma vez que a falta de atuação dos governantes faz com que as empresas se sintam livres para invadir a privacidade dos indivíduos, visando apenas ao ganho pessoal. Por fim, são apresentadas propostas de intervenção articuladas ao problema apontado pelo participante.

Há também, nessa redação, um repertório diversificado de recursos coesivos, sem inadequações. Há articulação tanto entre os parágrafos (“Outrossim”, “Portanto”) quanto entre as ideias dentro de um mesmo parágrafo (como “Apesar de” e “então”, no 1º parágrafo; “entretanto”, “isso” e “Dessa forma”, no 2º parágrafo; “também” e “Desse modo”, no 3º parágrafo; e “Sendo assim”, “essa” e “Afinal”, no 4º parágrafo).

Por fim, o participante elabora excelente proposta de intervenção, concreta, detalhada e que respeita os direitos humanos. A proposta apresentada retoma o que foi discutido ao longo do texto ao evidenciar a responsabilidade do Governo Federal – que deve criar leis que proíbam a venda de dados, punindo as empresas que realizam essa prática – e da sociedade, que deve atuar em conjunto pressionando os empresários.

Redação de LUISA SOUSA LIMA LEITE

A Revolução Técnico-científico-informacional, iniciada na segunda metade do século XX, inaugurou inúmeros avanços no setor de informática e telecomunicações. Embora esse movimento de modernização tecnológica tenha sido fundamental para democratizar o acesso a ferramentas digitais e a participação nas redes sociais, tal processo foi acompanhado pela invasão da privacidade de usuários, em virtude do controle de dados efetuado por empresas de tecnologia. Tendo em vista que o uso de informações privadas de internautas pode induzi-los a adotar comportamentos intolerantes ou a aderir a posições políticas, é imprescindível buscar alternativas que inibam essa manipulação comportamental no Brasil.

A princípio, é necessário avaliar como o uso de dados pessoais por servidores de tecnologia contribui para fomentar condutas intolerantes nas redes sociais. Em consonância com a filósofa Hannah Arendt, pode-se considerar a diversidade como inerente à condição humana, de modo que os indivíduos deveriam estar habituados à convivência com o diferente.

Todavia, a filtragem de informações efetivada pelas redes digitais inibe o contato do usuário com conteúdos que divergem dos seus pontos de vista, uma vez que os algoritmos utilizados favorecem publicações compatíveis com o perfil do internauta. Observam-se, por consequência, restrições ao debate e à confrontação de opiniões, que, por sua vez, favorecem a segmentação da comunidade virtual. Esse cenário dificulta o exercício da convivência com a diferença,conforme defendido por Arendt, o que reforça condutas intransigentes como a discriminação.

Em seguida, é relevante examinar como o controle sobre o conteúdo que é veiculado em sites favorece a adesão dos internautas a certo viés ideológico. Tendo em vista que os servidores de redes sociais como “Facebook“ e “Twitter” traçam o perfil de usuários com base nas páginas por eles visitadas, torna-se possível a identificação das tendências de posicionamento político do indivíduo. Em posse dessa informação, as empresas de tecnologia podem privilegiar a veiculação de notícias, inclusive daquelas de procedência não confirmada, com o fito de reforçar as posições políticas do usuário, ou, ainda, de modificá-las para que se adequem aos interesses da companhia. Constata-se, assim, a possibilidade de manipulação ideológica na rede.

Portanto, fica evidente a necessidade de combater o uso de informações pessoais por empresas de tecnologia. Para tanto, é dever do Poder Legislativo aplicar medidas de caráter punitivo às companhias que utilizarem dados privados para a filtragem de conteúdos em suas redes. Isso seria efetivado por meio da criação de uma legislação específica e da formação de uma comissão parlamentar, que avaliará as situações do uso indevido de informações pessoais. Essa proposta tem por finalidade evitar a manipulação comportamental de usuários e, caso aprovada, certamente contribuirá para otimizar a experiência dos brasileiros na internet.

COMENTÁRIO

A participante demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, uma vez que a estrutura sintática é excelente e o texto não apresenta desvios de escrita. Em relação aos princípios da estruturação do texto dissertativo-argumentativo, percebe-se que a participante apresenta uma tese, o desenvolvimento de justificativas que comprovam essa tese e uma conclusão que encerra a discussão, ou seja, a participante apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo. Além disso, o tema é abordado de forma completa: ele é apresentado já no primeiro parágrafo, no qual se aponta que os avanços tecnológicos são acompanhados pela invasão da privacidade dos usuários da internet, que podem ser manipulados por meio do controle de seus dados por empresas de tecnologia. Observa-se que a participante usa, de forma produtiva, repertório sociocultural pertinente à discussão tanto no primeiro parágrafo, ao contextualizar a atual situação do controle de dados da internet a partir da revolução técnico-científico-cultural do século XX, quanto no segundo, ao trazer o pensamento da filósofa Hannah Arendt como argumento para reforçar a tese de que a filtragem de informações causa malefícios para a sociedade. Podemos perceber, ao longo da redação, a presença de um projeto de texto estratégico, que se configura na organização clara e no desenvolvimento consistente da redação. A participante apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto para defender seu ponto de vista de que o controle de dados na internet, além de induzir comportamentos intolerantes por partes dos usuários, pode favorecer a adesão
destes a apenas uma posição política.

Há também, nessa redação, um repertório diversificado de recursos coesivos, sem inadequações. Há articulação tanto entre os parágrafos (“Em seguida”, “Portanto”) quanto entre as ideias dentro de um mesmo parágrafo (como “esse movimento” e “tal processo”, no 1º parágrafo; “de modo que” e “uma vez que”, no 2º parágrafo; “ainda” e “assim”, no 3º parágrafo; e “Para tanto” e “essa proposta”, no 4º parágrafo).

Por fim, a participante elabora excelente proposta de intervenção, concreta, detalhada e que respeita os direitos humanos. A proposta apresentada retoma o que foi discutido ao longo do texto ao propor soluções relacionadas aos problemas discutidos nos parágrafos de desenvolvimento.

Confira dicas para tirar nota mil na Redação do Enem 

Quem já tirou a nota mil tem pelo menos seis pontos em comum: demonstram domínio da modalidade escrita formal, respeitam os direitos humanos, têm proposta de intervenção para o problema apresentado no tema, têm repertório sociocultural, atendem ao tipo textual dissertativo-argumentativo e apresentam as características textuais fundamentais, como coesão e coerência. A informação é da Agência Brasil.

A estudante cearense Marília Oliveira de Paula tirou nota mil na redação do Enem 2018
A estudante cearense Marília Oliveira de Paula tirou nota mil na redação do Enem 2018 (Foto: O POVO)

Esses foram os aspectos destacados por especialistas do Inep que comentaram sete redações que tiraram a nota mil no Enem 2018. O tema de 2018 foi "Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet". 

Um dos quesitos é respeito aos direitos humanos. De acordo com o Inep, são consideradas desrespeito aos direitos humanos propostas que incitam as pessoas à violência, ou seja, aquelas em que transparece a ação de indivíduos na administração da punição – por exemplo, as que defendem a “justiça com as próprias mãos”. 

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Em 2018, zeraram essa competência os textos que incitavam tortura e cárcere privado a pessoas que faziam o uso do controle de dados para a manipulação, que promoviam censura e vigilância em massa, que impediam a liberdade de acesso à informação e comunicação de qualquer pessoa ou grupo e que negavam direitos humanos a qualquer pessoa.

Algumas dicas, de acordo com a cartilha, são importantes para ir bem na prova. O Inep aconselha: "Procure escrever sua redação com letra legível, para evitar dúvidas no momento da avaliação. Redação com letra ilegível poderá não ser avaliada".

Enem: correção da prova

Cada redação será corrigida por duas pessoas. Eles darão notas de 0 a 200 para cada uma das cinco competências avaliadas no Enem. A nota final será a média aritmética das duas notas. 

Caso haja uma diferença entre as notas de mais de 100 pontos na nota final ou de mais de 80 pontos em qualquer uma das competências, a redação passará por um terceiro avaliador.

Se a diferença entre as notas dadas se mantiver, a redação será avaliada por uma banca presencial composta por três professores, que definirá a nota final do participante. 

As cinco competências avaliadas na redação do Enem são: 

1: Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.

2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa. 

3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 

4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 

5: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Motivos para zerar a Redação do Enem

A nota zero na redação impede o candidato de participar de processos seletivos do Ministério da Educação (MEC) como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que seleciona estudantes para vagas em universidades públicas, e o Programa Universidade para Todos (ProUni), que oferece bolsas de estudos em instituições privadas de ensino superior, e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). 

De acordo com o Inep, a redação receberá nota zero se apresentar uma das características a seguir: fuga total ao tema, não obediência à estrutura dissertativo-argumentativa, texto de até sete linhas, cópia integral de textos da prova de redação ou do caderno de questões,  impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação em qualquer parte da folha de redação, números ou sinais gráficos fora do texto e sem função clara ou parte deliberadamente desconectada do tema proposto.

Na última edição do teste, em 2019, o tema foi a"Democratização do acesso ao cinema no Brasil". Desde 1998, quando o teste começou a ser aplicado, mais de vinte assuntos já foram abordados.

Redação Enem: confira abaixo a lista de temas já abordados:

Governo Jair Bolsonaro (PSL)

2019: Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Governo Michel Temer (MDB):

2018: Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

2017 PPL: Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

2017 – 2ª Aplicação: Caminhos para combater o racismo no Brasil

2017: Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

2016: Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Governo Dilma Rousseff (PT):

2015: A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

2014: Publicidade infantil em questão no Brasil

2013: Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil

2012: Movimento imigratório para o Brasil no século 21

2011: Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado

Governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT):

2010: O trabalho na construção da dignidade humana

2009: O indivíduo frente à ética nacional

2008: Como preservar a floresta Amazônica: suspender imediatamente o desmatamento; dar incentivo financeiros a proprietários que deixarem de desmatar; ou aumentar a fiscalização e aplicar multas a quem desmatar

2007: O desafio de se conviver com as diferenças

2006: O poder de transformação da leitura

2005: O trabalho infantil na sociedade brasileira

2004: Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação

2003: A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo

Governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB):

2002: O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais que o Brasil necessita?

2001: Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?

2000: Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional

1999: Cidadania e participação social

1998: Viver e aprender

Tema da Redação do Enem 2019 

À época, o tema da redação surpreendeu os professores. Muitas apostas eram nas áreas da saúde, meio ambiente, educação e tecnologia. “Eu achei totalmente inesperado, totalmente fora do que a gente estava imaginando”, disse na ocasião a professora de redação do Colégio Mopi, no Rio de Janeiro, Tatiana Nunes, em entrevista à Agência Brasil. “Não estava no rol das grandes apostas que os alunos estavam comentando, e isso pode gerar certa ansiedade, mas acho que é um tema legal e acessível ao jovem., algo do tempo dele”, complementa a professora de redação do curso online Descomplica Carol Achutti. 

Para o professor de redação do ProEnem, plataforma online de preparação para o exame, Romulo Bolivar, no entanto, o tema não surpreendeu “quem está se preparando há algum tempo para o Enem, que tem o perfil de cobrar temas atuais, sociais, relacionados à realidade brasileira e que não são moralmente polêmicos”. O tema da redação, segundo o professor, é escolhido no primeiro semestre do ano.

“Eu acho que é um tema interessante, é bem interessante pensar essa questão cultural no Brasil, principalmente com as questões recentes que vêm acontecendo. Acho que é um tema que tem bastante coisa a ser discutida”, disse a professora do Colégio Seriös, em Brasília, Jade Nobre.

A redação do Enem deve ser do tipo dissertativo-argumentativo, com até 30 linhas, desenvolvida a partir da situação-problema proposta e de subsídios oferecidos pelos textos motivadores. Os textos motivadores ainda não tinham sido divulgados. Redações com menos de sete linhas recebem nota zero, assim como as que reproduzem integralmente trechos dos textos motivadores e de itens do Caderno de Questões.

Um texto dissertativo-argumentativo deve ser opinativo e organizado para a defesa de um ponto de vista. A opinião do autor deve estar fundamentada com explicações e argumentos.

À época, na opinião dos professores, dependendo conforme o que for pedido na prova e nos textos de apoio, os estudantes poderiam ter tratado, por exemplo, da expansão do cinema por canais da internet. Poderiam também tratar de incentivos à cultura e de fechamentos de salas de cinema.

“É bom a gente lembrar que em alguns lugares, em alguns centros urbanos do país, tem-se acesso bem fácil ao cinema, com shopping centers, promoções, acesso mais barato para idosos e estudantes. Mas, em muitas cidades, não há sequer uma sala de cinema”, destacou Bolivar.

De acordo com a Agência Nacional do Cinema (Ancine), a Região Sudeste concentra 52% de todas as salas de cinema do país. Ao todo, o Brasil tem 3.347 salas de cinema, das quais 373 são salas de rua. Os dados são do Informe Salas de Exibição 2018, que apontou naquele ano um crescimento de 3,8% do parque exibidor em relação a 2017.

LEIA MAIS: Confira todas as informações que você precisa saber antes de fazer a prova

Segundo Tatiana, dependendo da orientação da prova, seria possível também abordar à época a questão da acessibilidade a pessoas com deficiência e também o incentivo ao cinema brasileiro. “Se o tema tiver falando de questão da acessibilidade, pode-se pensar na necessidade de empresas que detêm esse tipo de entretenimento darem condições para as pessoas com deficiência terem acesso aos cinemas. Também pode-se pensar na valorização do cinema brasileiro, porque nosso cinema ainda é muito visto como sendo menor [que o estrangeiro].”

Na hora de escrever a Redação do Enem:

O Inep compartilhou uma cartilha com dicas para quem vai encarar a prova nacional. Se liga nas orientações para a Redação:

a - Ler com bastante atenção o tema proposto e observar a tipologia textual exigida (no caso, texto dissertativo-argumentativo);

b - Ler os textos motivadores, observando as palavras ou os fragmentos que indicam o posicionamento dos autores;

c - Identificar, em cada texto motivador, se for o caso, a tese e os argumentos apresentados pelos autores;

d - Refletir sobre o posicionamento dos autores dos textos motivadores e definir, com muita clareza, qual será o seu posicionamento;

e - Ler atentamente as instruções apresentadas após os textos motivadores;

f - Definir um projeto de texto em que seja planejada a organização estratégica da sua redação, a fim de defender o ponto de vista por você escolhido, e apresentar uma proposta de intervenção ao problema abordado.

Você poder acessar as dicas completas aqui.

Datas da prova do Enem 2020

As provas serão aplicadas nos dias 17 e 24 de janeiro para a versão manual. Nesta edição, será implementada a versão digital nos dias 31 de janeiro e 07 de fevereiro de 2021. As provas estavam previstas para novembro deste ano, mas foram adiadas em virtude da pandemia do novo coronavírus em todo o território nacional.

Estrutura da prova do Enem

4 provas objetivas, com 45 questões cada:

Linguagens, códigos e suas tecnologias.
Ciências humanas e suas tecnologias.
Ciências da natureza e suas tecnologias.
Matemática e suas tecnologias.
1 redação, de no máximo 30 linhas:

Texto dissertativo-argumentativo desenvolvido a partir de uma situação-problema.

Medidas sanitárias do Enem:

Em um cenário de pandemia, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) retificou o edital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 e inseriu o uso obrigatório da máscara (proteção individual). Além disso, o Inep aumentou o número de salas de aplicação para evitar aglomerações e manter o distanciamento social.