Participamos do

Ato político: preservação ambiental requer participação ativa de todos

Para além de mudanças de hábitos, a atenção nas decisões políticas em nível nacional e internacional é elementar para ajudar na preservação do meio ambiente
16:48 | Jun. 05, 2020
Autor Catalina Leite
Foto do autor
Catalina Leite Repórter do OP+
Ver perfil do autor
Tipo Notícia

O meio ambiente é complexo, composto pelas mais variadas formas de vida vivendo em conjunto. No mundo ideal, as relações de dependência serão vividas harmoniosamente, mas as demandas dos seres humanos têm sobrecarregado e desregulado a natureza. A pandemia de Covid-19, por exemplo, é um dos reflexos da degradação ambiental, afirma o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Não à toa, pesquisa realizada pela empresa Ipsos indicou que 85% dos brasileiros acreditam que a proteção do meio ambiente deve ser uma prioridade do Governo no plano de recuperação do País pós-Covid-19. O estudo online ouviu participantes de 16 países, 1.000 deles no Brasil, entre os dias 21 e 24 de maio.

De acordo com o levantamento, esses 85% entendem que problemas como degradação ambiental, poluição, desmatamento e mudanças climáticas representam uma séria ameaça à saúde. Paradoxalmente, 41% dos ouvidos no Brasil admitem que o tema da proteção ambiental não é uma prioridade individual no momento.

Seja assinante O POVO+

Tenha acesso a todos os conteúdos exclusivos, colunistas, acessos ilimitados e descontos em lojas, farmácias e muito mais.

Assine

Para a doutora em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Maga Maya, isso acontece porque o brasileiro sente insuficiente que a própria atuação individual é insuficiente. “Não somos culturalmente educados para entender que somos agentes de mudança”, analisa. Dessa forma, existe uma tendência no País de “terceirizar” as responsabilidades para o Governo, que deve "proteger a população", diz a especialista.

No entanto, a contradição volta à tona no momento de escolher representantes sem se preocupar com as propostas ambientais dos candidatos. “De modo geral, quem representa a pasta ambiental no Brasil está lá para representar interesses de grupos específicos”, comenta Magda. Assim, começam as constantes tentativas de desburocratizar a legislação ambiental, termo muito utilizado para anunciar enfraquecimento na fiscalização e facilitar medidas que degradam o meio ambiente.

LEIA TAMBÉM | Ricardo Salles diz que coronavírus é oportunidade para mudar leis ambientais e "passar a boiada"

+50 dias sem a presença humana no Parque do Cocó

+O planeta também é responsabilidade nossa; veja quais mudanças de hábitos podem ajudar na preservação do meio ambiente

Fiscalização política para preservar a Terra

Por isso, além de realizar mudanças nos hábitos cotidianos — como separar os resíduos sólidos, consumir menos carne e comprar de empreendedores locais —, é vital que a população brasileira esteja atenta à política ambiental. O primeiro passo é verificar os planos de governo dos candidatos durante período eleitoral.

“Se dentro das propostas da área ambiental tiver palavras como simplificação, flexibilização ou desburocratização, já desconfie do projeto daquele candidato”, orienta Magda. “Essa é a verdade, porque ele (o candidato) estará lá por interesses do empresariado, não da sociedade ou da natureza.”

Ela também recomenda acompanhar a atuação dos deputados e vereadores, além de se posicionar e votar, nos sites dos órgãos legisladores, a favor ou contra medidas ambientais. Por último, a doutora aconselha seguir ambientalistas engajados politicamente. “Eles sempre estão avisando quais projetos de lei estão tentando ser aprovados. É muito importante também divulgar essas informações, para sair da bolha dos grupos ambientalistas”, conclui.

Quatro ambientalistas cearenses para acompanhar nas redes sociais

Instituto Verdeluz
O Verdeluz é um instituto que se propõe a “reconectar o ser humano com a natureza” por meio da educação, conservação e do ativismo político.
Instagram: @institutoverdeluz
Site: https://www.verdeluz.org/

Beatriz Azevedo
Advogada e ambientalista, especialista em Direito Ambiental e Urbanistico
Instagram: @biaazvdo

Gabriel Aguiar
Biólogo, mestrando em Ecologia e ambientalista
Instagram: @gabrielbiologia

Magda Maya
Autora do livro Sustentabilidade 4.0, consultora ambiental e doutora em Desenvolvimento e Meio Ambiente
Instagram: @maya.ambiental

Colaboração mundial

A natureza nunca se importou com fronteiras políticas. Antes da existência de países, biomas já ocupavam seus territórios e criaram um complexo sistema de interdependência, como é o caso da Amazônia. A maior floresta tropical do mundo está presente em nove países: Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

“Se os governos não entendem que o bioma amazônico é um só e não está dividido politicamente, não vai existir um manejo adequado”, explica ao O POVO o biólogo marinho Fernando Trujillo, diretor científico da Fundação Omacha. O colombiano aponta que a preservação ambiental é muito dificultada quando governos são descomprometidos com questões ambientais.

“Um exemplo são as hidrelétricas que estão sendo construídas no Peru e na Bolívia. Elas vão ter consequências não somente para eles, mas para o Brasil e outros países também”, afirma o pesquisador. Isso porque os equipamentos reduzem o fluxo de nutrientes nos rios, afetando a atividade econômica pesqueira, por exemplo.

O descumprimento de acordos de preservação também vira uma preocupação mundial, visto a dependência climática com a Floresta Amazônica. Dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, ferramenta de monitoramento baseada em imagens de satélites, indicam que o desmatamento na Amazônia cresceu 279% em março deste ano, em comparação com o mesmo mês de 2019. 

“Daí surge o interesse de países como Alemanha, Noruega e Grã-Bretanha em fazer investimentos monetários gigantescos para apoiar os governos a preservar a Amazônia. Porque entendem as implicações de mudança climática”, alerta Fernando. O biólogo também é coordenador do subcomitê de pequenos cetáceos da Comissão Baleeira Internacional (CBI) que apoiou, no último dia 29 de maio, uma proposta da Colômbia, Brasil, Peru e Equador para implementar um Plano de Manejo de Conservação de golfinhos do Amazonas.

LEIA TAMBÉM | Por que a Amazônia é vital para o mundo?

A Colômbia sedia em 2020 o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado nesta sexta-feira, 5, e promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Com eventos online e ao vivo transmitidos desde Bogotá, a programação também conta com outros eventos e celebrações online pelo mundo. Confira programação para o Brasil, horário de Fortaleza:

Sexta-feira, 5

17h: Papo Musical com Lenine – No YouTube /PNUMABrasil e /museudoamanha

17h: Biodiversidade marinha e os lixos nos mares – Zoom e YouTube do Instituto Lixo Zero

17:30h Reflexões sobre consumo e natureza – Instagram do Instituto Alana @institutoalana

18h: Troca de ideias com jovens do Engajamundo – No zoom

19h: Compostagem com libras – Nas plataformas zoom e YouTube do Instituto Lixo Zero

20h: Webinar sobre Conservação e Biodiversidade – No Youtube e Facebook da SOS Pantanal.

Sábado, 8

18h: Live com Regina Casé, Estevão Ciavatta e Miguel Pinto Guimarães - No Instagram @umagotanooceano

Domingo, 9

11h: Programa Rede Mocoronga especial Meio Ambiente - No Facebook /saudeealegria

15h: Live Lixo no Mar - No YouTube da Route Brasil /routebrasil

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags