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Instituto Cigano do Brasil denuncia ministro da Educação por crime de racismo ao STF

Documento foi enviado ao gabinete do ministro Dias Toffoli nesta segunda, 25. O presidente do Instituto Ciganos do Brasil, Rogério Ribeiro, afirma ter reagido com tristeza e indignação ao que foi revelado no vídeo da reunião ministerial

00:00 | 26/05/2020
Povo cigano enviou um documento ao STF, com denúncia contra o ministro da Educação. Foto: Arquivo Pessoal (Foto: Foto: Arquivo Pessoal)
Povo cigano enviou um documento ao STF, com denúncia contra o ministro da Educação. Foto: Arquivo Pessoal (Foto: Foto: Arquivo Pessoal)

Rogério Ribeiro, presidente do Instituto de Cultura, Desenvolvimento Social e Territorial do Povo Cigano do Brasil (ICB), enviou uma denúncia contra o ministro Educação Abraham Weintraub para o gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli, pelos crimes de racismo e injúria racial. O documento Nº 0059/ICB/STF2020 traz a descrição da fala de Weintraub, quando ele afirma, no vídeo divulgado no último dia 22 de maio, de uma reunião que ocorreu um mês antes, dia 22 de abril, que odeia os termos “povos indígenas”, e “povos ciganos”. A sede do ICB está localizada no Ceará, na cidade de Caucaia.

Para o ministro da Educação do governo de Jair Bolsonaro, no Brasil existiriam "privilégios" direcionados a alguns povos, conforme foi divulgado na reunião ministerial. Ribeiro diz ter recebido a notícia com muita tristeza, principalmente neste período de pandemia do novo coronavírus, em que o povo cigano foi um dos atingidos. “É muito triste ouvir uma declaração tão desumana e até ofensiva de uma pessoa que está num cargo tão importante, numa pasta como o Ministério da Educação. O povo cigano é historicamente perseguido por muitos pelo preconceito e pela discriminação”, aponta.

O presidente do ICB acrescenta que Weintraub infringiu diversos artigos da constituição, principalmente por injúria racial e racismo. Ele cita que o povo cigano está no território nacional há quase 500 anos e que, desde esse período, sofre preconceito. “Somos 29 Povos e Comunidades Tradicionais, entre quilombolas, indígenas, pescadores, marisqueiros. Chegamos ao Brasil em 1574. Mas vendo historicamente esse ministro, ele ataca todo mundo. O que a gente observa é que ele é um cara racista, preconceituoso e não podemos compartilhar desse discurso dele sobre as comunidades tradicionais”, denuncia. Segundo Rogério, até o STF ele ofendeu durante o vídeo da reunião, quando diz que os ministros devem ser presos.

“Vai fazer 500 anos estamos aqui e sentimos na pele esse tipo de racismo, discriminação, preconceito de uma pessoa que deveria dar exemplo. Pelo histórico, esse ministro não tem educação. Esperamos justiça, que o STF atenda a nossa denúncia. Ele infringiu muito artigos”, informa. Rogério diz que, para elaborar o documento, o povo cigano não teve apoio de nenhum jurista ou advogado. Ele afirma que enviou o documento direto para a secretária do presidente do STF e que aguarda uma resposta.