PUBLICIDADE
Brasil
NOTÍCIA

Médico diz como doença do beijo pode ser evitada no Carnaval

Risco de infecção cresce em fevereiro

12:40 | 17/02/2020
"Doença do beijo" tem os mesmos sintomas de uma gripe comum
"Doença do beijo" tem os mesmos sintomas de uma gripe comum (Foto: Arquivo)

O Carnaval começa no fim desta semana em todo o Brasil. Para brincar com segurança, os foliões devem estar atentos para não pegar mononucleose, conhecida como doença do beijo, cujo risco de infecção cresce nessa época.

A doença infectocontagiosa, causada por um vírus de características clínicas brandas, provoca um quadro de febre, mal-estar com adenomegalias, isto é, gânglios principalmente ao redor do pescoço e dor de garganta.

"A doença é causada pelo vírus Epstein-Barr (VEB), de fácil transmissão de pessoa a pessoa. Por isso, ela é conhecida como doença do beijo", explica o médico sanitarista Alexandre Chieppe, da Secretaria da Saúde do Rio de Janeiro (SES).

Ele esclarece que a doença é transmitida por contato íntimo com secreções respiratórias de uma pessoa infectada. "É esse contato íntimo que faz a transmissão do vírus que causa a doença", afirma.

O beijo é uma forma de contato íntimo, que facilita a propagação do vírus. A doença é transmitida de maneira semelhante à gripe, ao resfriado comum, pelo contato com secreções de pessoas contaminadas. "E, às vezes, não é só pelo contato direto com secreções. Pode ser pelo contato indireto, através de superfícies contaminadas em que a pessoa coloca a mão, leva a mão à boca, à mucosa dos olhos ou do nariz e aí pode haver infecção", comenta.

AVALIAÇÃO

O médico explica que a grande maioria das pessoas transmite a mononucleose em sua forma aguda. O grande problema das doenças infectocontagiosas é que, na sua fase inicial, elas são muito semelhantes. Os sintomas clínicos são muito difíceis de serem diferenciados no estágio inicial,  destaca Chieppe. Daí a recomendação para que a pessoa procure um serviço de saúde e faça uma avaliação inicial, com acompanhamento médico.

"A mononucleose não é uma doença grave, na maioria das vezes. Mas pode ser confundida com outras doenças que podem ser graves", alertou. Essa doença não costuma ser grave em pessoas que têm o sistema imunológico preparado.

Como toda doença de transmissão respiratória, há medidas de precaução que devem ser adotadas, entre as quais, lavar as mãos com frequência, utilizar álcool gel nas mãos, cobrir a boca e o nariz ao espirrar para evitar que as secreções expelidas entrem em contato com o ambiente e evitar locais de grande aglomeração pouco ventilados. "São medidas que ajudam a prevenir as doenças de transmissão respiratória. Obviamente, são aliadas. Junto a isso, uma vez com os sintomas da doença, a pessoa deve procurar ajuda médica até para poder descartar doenças mais graves", sugere o médico.

RISCOS

Ele observa que o Carnaval sempre existiu, da mesma forma que a mononucleose. Por isso, no meio da euforia, cada pessoa deve avaliar o risco, sabendo que as doenças respiratórias podem ser transmitidas pelo contato íntimo. A dica é que cada um tome a sua decisão informando dos riscos e das possibilidades de transmissão de doenças.

"Mas que aproveite o Carnaval com os cuidados necessários, de modo a evitar doenças de transmissão respiratória e outras doenças sexualmente transmissíveis, como HIV, sífilis e as hepatites virais transmitidas por contato sexual".

Chieppe afirma, ainda, ser recomendável que utensílios de uso pessoal, como pratos, talheres e copos não sejam compartilhados com outras pessoas. A razão para isso é que muitas das doenças infectocontagiosas podem ser transmitidas, inclusive, por pessoas que, às vezes, não apresentam sintomas de doença nenhuma. Daí a sugestão para, sempre que possível, evitar compartilhamento de objetos pessoais com amigos e com o maior número de pessoas. "Isso, obviamente, aumenta o risco de transmissão de doenças infectocontagiosas", conclui o sanitarista.

Já a infectologista Flávia Cunha Gomide afirma que os sintomas da doença costumam perdurar de duas a quatro semanas. Esclareceu que "não há um tratamento específico para a doença do beijo. Geralmente, são indicados repouso e medicamentos que amenizam os sintomas". Segundo a médica, ter hábitos saudáveis, fazer exercícios, boa alimentação e horas adequadas de sono aumentam a resistência do folião para se defender contra infecções no Carnaval.