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Brasil
NOTÍCIA

Chefe do PCC passa por exames em hospital de Brasília

Segundo informações da Penitenciária Federal de Brasília, Marcos Willians Herbas Camacho foi submetido a "exames de rotina". Polícia montou forte aparato de segurança para fundador da facção paulista ser deslocado sem risco de fuga.

11:35 | 21/01/2020
Marcola, quando ainda era mantido preso no sistema penitenciário estadual de São Paulo, durante audiência no fórum de Presidente Prudente-SP
Marcola, quando ainda era mantido preso no sistema penitenciário estadual de São Paulo, durante audiência no fórum de Presidente Prudente-SP (Foto: JORGE SANTOS/AE)

O número 1 da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola, passou por exames no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) na manhã desta terça-feira, 21. Marcola chegou à unidade da rede pública da capital do País de helicóptero e sob forte esquema de segurança.

Cumprindo pena que ultrapassa 300 anos de prisão, o chefe da facção está no Presídio Federal de Brasília, localizado em São Sebastião, no Distrito Federal. O deslocamento realizado nesta manhã foi coordenado pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e contou com a participação de agentes federais de Execução Penal, apoio do Comando de Operações Táticas (COT) da PF, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP).

Em nota, a Penitenciária Federal de Brasília informou que Marcola foi levado para fazer exames de rotina. "Horário, período de férias escolares e deslocamento aéreo foram escolhidos para causar o menor constrangimento possível para a população. Não houve congestionamentos e alterações significativas na rotina da região. Por sigilo médico, não informamos o procedimento realizado".

Suposto plano de fuga de Marcola foi alertado mês passado

Em dezembro de 2019, o Exército chegou a cerca a Penitenciária Federal de Brasília depois que setores de inteligência do governo foram informados de um suposto plano para resgatar Marcola. A operação, que envolveu o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o governo do Distrito Federal, foi para conter o risco de fuga.

O plano de fuga do criminoso teria sido montado por Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido por Fuminho - hoje apontado como principal chefe do PCC fora das unidades prisionais. Fuminho é apontado também como o mandante das execuções dos traficantes Rogério Jeremias de Simone (Gegê do Mangue) e Fabiano Alves de Souza (Paca). Os dois foram mortos no Ceará em fevereiro de 2018, suspeitos de desviarem dinheiro da própria facção. Há levantamentos de investigação policial de que Marcola teria sido o mandante de fato dos assassinatos.

Fuminho é considerado foragido há mais de duas décadas e, recentemente, numa atitude considerada inusitada, assinou uma procuração para que um advogado o defenda no processo que corre no Ceará.

Na época da descoberta do suposto, o Exército desmentiu a informação. Oficialmente, o Ministério da Justiça e o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) informaram em nota que apenas estaria sendo realizado no local "uma obra já prevista anteriormente para reforçar a segurança da Penitenciária Federal em Brasília".

"A pedido do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), com o aval do Ministério da Defesa, a Engenharia do Exército Brasileiro está realizando obras de fortificação das estruturas da Penitenciária Federal em Brasília. Tropas do Comando Militar do Planalto estão na Penitenciária Federal em Brasília realizando trabalhos técnicos de Engenharia apoiados por tropas de segurança", disse o comunicado.

Marcola é mantido há quase um ano na penitenciária federal de Brasília, após a decisão de retirada dele do sistema penitenciário paulista - onde exercia forte influência na rotina das cadeias do Estado e seguia gerenciando a facção em todo o país.

Paraguai

No domingo, dia 19, o governo paraguaio informou que 75 detentos fugiram na da Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero. Destes, a maioria pertencia à facção criminosa PCC. Ao menos 40 dos foragidos são brasileiros, incluindo David Timoteo Ferreira, um dos principais chefes da facção no país vizinho. As autoridades locais chegaram a divulgar inicialmente que mais de 100 teriam fugido.

Até a manhã desta terça-feira, apenas cinco dos foragidos da cadeia paraguaia foram recapturados. Quatro estavam do lado paraguaio da fronteira, em Concepción, e um no lado brasileiro, na cidade de Ponta Porã (MS).

O diretor do presídio de Pedro Juan Caballero e mais 30 agentes carcerários, de diversas funções e cargos foram detidos. A suspeita é que eles facilitaram a fuga dos integrantes do PCC.