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Marcola e mais 21 do PCC vão para prisões federais e Moro endurece regras

20:04 | 13/02/2019
O governo de São Paulo enviou na manhã de quarta-feira, 13, o principal líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros 21 membros da cúpula da facção criminosa de Presidente Venceslau (SP) para os presídios federais de Mossoró (RN), Brasília e Porto Velho (RO). À tarde, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, editou portaria que torna mais rígidas as regras para as visitas sociais aos presos nas cadeias - nas de segurança máxima, só será permitido o uso de parlatório ou videoconferência.
Sete integrantes do PCC foram transferidos porque haviam sido alvos da Operação Echelon, em 2018, que tinha como alvo o "departamento" da facção responsável por coordenar a atuação do grupo fora de São Paulo, o chamado Resumo dos Estados, subordinado diretamente à cúpula. Outros 15 fazem parte da sintonia geral final da facção, ou seja, primeiro e segundo escalões.
As transferências têm prazo de 360 dias, segundo o secretário da Administração Penitenciária de São Paulo, Nivaldo Restivo. Mas o prazo pode ser estendido. Os primeiros 60 dias são de isolamento total. Desde novembro, após ser descoberto um plano para resgatar os criminosos, havia expectativa de transferência.
Em São Paulo, a polícia bloqueou estradas e usou até um caminhão dos bombeiros na operação, além de colocar mais de 100 mil policiais em estado de alerta no Estado. Em mais de cem unidades prisionais paulistas existe presença do PCC, e todos os presídios de São Paulo estão passando por blitze simultâneas para evitar tumultos. O comando da PM alertou toda a corporação e avisou agentes de folga e da reserva para redobrarem os cuidados.
Já o governo federal soltou um decreto específico, autorizando o uso das Forças Armadas em Mossoró e Porto Velho para garantir a segurança das cadeias. "Fica autorizado o emprego das Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem, no período de 13 a 27 de fevereiro de 2019, no Estado do Rio Grande do Norte e no Estado de Rondônia, para a proteção do perímetro de segurança das penitenciárias federais em Mossoró e Porto Velho, em um raio de dez quilômetros", diz o texto, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, pelo ministro do gabinete de Segurança Institucional, general Heleno, pelo ministro da Defesa, Fernando Silva, e por Sergio Moro.
Histórico
Os criminosos foram transferidos por decisão do juiz Paulo Eduardo de Almeida Sorci, corregedor dos presídios, a pedido do promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), de Presidente Prudente. "Essa é a maior operação já feita. Esperamos desarticular momentaneamente a cúpula da facção", afirmou Gakiya.
O pedido, de 28 de novembro de 2018, solicitava a "transferência imediata em caráter excepcional de 15 presos, entre eles o Marcola". A decisão pela transferência só foi dada no dia 9 deste mês. O magistrado alegou que a divulgação pela mídia da solicitação do MP, no início de dezembro, frustrou o elemento surpresa necessário para a transferência. Segundo ele, a proximidade da saída temporária de 33 mil detentos para as festas de fim de ano "poderia facilitar que tais presos soltos acabassem arregimentados pelo crime organizado em reação contra as forças policiais".
À imprensa, o governador João Doria (PSDB) disse pela manhã que a operação vinha sendo planejada "desde antes da sua posse" com participação do governo federal. Ele citou o Exército, a Força Aérea, a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), além dos órgãos estaduais. Questionado sobre risco de represálias por parte da facção, afirmou que "todas as ações preventivas foram adotadas".
Ele foi questionado também sobre a necessidade de transferência de detentos, uma vez que São Paulo também tem locais adaptados, com cárcere mais rígido - no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). E sobre o fato de gestões anteriores não terem adotado essa prática, mesmo durante os ataques do PCC, em 2006. Doria disse apenas que "mudou o comando" do Estado. "O governador agora estabeleceu a segurança pública como prioridade."
O jornal O Estado de S. Paulo apurou que o plano inicial era esperar a alta do presidente Jair Bolsonaro, pois se temia possíveis reações da facção em São Paulo, o que não aconteceu. A decisão sobre a transferência foi tomada pelo secretário Nivaldo Restivo.
Marcola é o último grande líder de facção criminosa do País a ir para a rede de presídios federais. Já estão nessas unidades seus rivais do Comando Vermelho e da Família do Norte e aliados do Terceiro Comando Puro. O total de penas impostas a Marcola já ultrapassa 330 anos, 6 meses e 24 dias. (Colaboraram Gilberto Amendola e Juliana Diógenes)
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