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Brasil
NOTÍCIA

Homem invade bar LGBT, tenta matar dona e agride clientes e artistas em Salvador

"Ele entrou sereno e segurava um saco quando, do nada, começou a gritar, dizendo que ia matar os gays e olhou pra mim e disse:’você é viado e vai morrer’", relata uma das vítimas

18:25 | 01/12/2019
Não é a primeira vez que o bar sofre ataques preconceituosos
Não é a primeira vez que o bar sofre ataques preconceituosos (Foto: Me Salte/Correio)

A noite que seria de alegria por pouco não termina em tragédia no Espaço Cultural Caras & Bocas, voltado para o público LGBTQIA+ na Rua Carlos Gomes, em Salvador. Na madrugada deste domingo (01) Edson Oliveira Lima Macedo invadiu o espaço, destruiu o bar e agrediu as pessoas. Na sequência, ele ainda tentou invadir o bar Âncora do Marujo, também voltado para o público LGBTQIA+ na mesma rua, onde também entrou em vias de fato com artistas e clientes. Segundo as vítimas do ataque, Edson é conhecido por brigar durante consumo em ambientes LGBTQIA+.

A confusão começou dentro de um ônibus que fazia linha para a Barra na altura da Calçada onde o veículo foi rendido por Edson. Além do motorista e a cobradora, havia apenas três passageiros, entre eles o Dj Hebert Almeida, 20. “Ele entrou sereno e segurava um saco quando, do nada, começou a gritar, dizendo que ia matar os gays e olhou pra mim e disse:’você é viado e vai morrer’. Do nada, tirou um paralelepípedo do saco e jogou contra uma das janelas do ônibus que quebrou. Os estilhaços atingiram o meu rosto”, contou o dj.

Segundo Hebert, o motorista ficou desnorteado com a pedrada e o ônibus chegou a ficar desgovernado. “Por pouco não aconteceu uma tragédia. Com o barulho, o motorista perdeu o controle e o ônibus raspou parte da lateral numa parede, ocasião que rapidamente ele conseguiu estabilizar o veículo”, disse o rapaz.

Ainda de acordo com ele, todos do ônibus estavam apavorados e Edson obrigou o motorista a parar o veículo na frente ao Espaço Cultural Caras & Bocas, na Rua Carlos Gomes.

Em seguida, Edson entrou no espaço e começou a destruir mesas, cadeiras e estruturas. A drag queen Valerie O’rarah, que se apresentava no momento do ataque, foi agredida pelo homem. “Ele quebrou garrafas e queria furar a gente. Dizia que só sairia com a chegada do deputado Isidório”, contou O’rarah.

Instantes depois uma das proprietárias do bar, Alexsandra Leitte, foi feita refém pelo agressor. “Ele pegou minha esposa pelo cabelo e começou a dizer que ia matar ela. Ele arrastou ela pelos cabelos pela escada abaixo e jogou ela na frente do ônibus. A sorte foi que o ônibus parou. Conseguimos parar uma viatura e ele tentou entrar no Âncora do Marujo”, relatou ao Me Salte a empresária Rosy Silva, também proprietária do bar.

Durante o ataque, Alexsandra levou do agressor uma mordida no braço direito, além de vários hematomas.

O caso foi registrado na Central de Flagrantes, no Iguatemi. As vítimas foram interrogadas pela delegada Cinara Moraes. O CORREIO procurou a Polícia Civil, para saber se o agressor permanecerá custodiado, mas até agora não houve resposta. As vítimas relataram que ele foi ouvido e liberado.

“Ele jogou pedras em um carro de uma mulher LGBT que é motorista de carro por aplicativo. É muito triste isso especialmente porque temos a informação de que ele é um homem gay. Ele ficava gritando dizendo que iria matar todos os ‘viados e sapatões’”, destacou Rosy.

Apesar de não conhecer Edson, Rosy disse que ele é tem três ocorrencias na Central de Flagrantes ataques a estabelecimentos do seguimento LGBTQIA+. “A delegada disse que em todas as três ocorrências, ele procurou brigou após recusar pagar as contas”, contou.

Além dos estragos físicos e emocionais, o casal de empresárias tive prejuízos financeiros causados por Edson. “A casa está fechada. Ele quebrou tudo. Ainda não pude calcular a dimensão do estrago. Para se ter uma ideia, tive pessoas contratas e fornecedores que não pude pagar. Já tivemos outros ataques ao centro cultural, mas não como esse”, declarou Rosy. Em janeiro de 2018, na noite de inauguração do atual endereço, o estabelecimento foi alvo de ataques homofóbicos. Na ocasião foram lançados quatro grandes sacos com pedras de gelo além de pedaços de pedras causando pânico nos clientes.

*do Correio para a Rede Nordeste