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Brasil
NOTÍCIA

Petroleiro grego nega envolvimento em manchas de óleo no litoral nordestino

Comunicado à imprensa afirma que o navio "chegou a seu destino sem problemas e descarregou toda a carga sem perdas"

20:45 | 02/11/2019
Aves de Icapuí. Pesquisadores da ONG Aquasis estão preocupados com a contaminação da área de alimentação das aves em Icapuí, no Ceará, pela macha de petróleo cru que atinge o litoral do Nordeste do Brasil. Outubro de 2019. Crédito: Demitri Túlio.
Aves de Icapuí. Pesquisadores da ONG Aquasis estão preocupados com a contaminação da área de alimentação das aves em Icapuí, no Ceará, pela macha de petróleo cru que atinge o litoral do Nordeste do Brasil. Outubro de 2019. Crédito: Demitri Túlio. (Foto: Demitri Túlio)

A empresa gestora Delta Tankers Ltd, do petroleiro grego Bouboulina, "principal suspeito", segundo autoridades brasileiras, pelo vazamento de petróleo no litoral nordeste do país, negou neste sábado estar envolvida na poluição.  O navio, que fazia o trajeto da Venezuela à Malásia, "chegou a seu destino sem problemas e descarregou toda a carga sem perdas", informa um comunicado da empresa.

"Não há evidências de que o navio parou, realizou qualquer tipo de operação STS (de navio para navio), sofreu algum vazamento, ou desviou-se de sua rota, em seu caminho da Venezuela para Melaka, na Malásia", afirma a empresa.

A companhia de navegação, com sede em Atenas, disse ter realizado "uma investigação completa do material das câmeras e sensores que todos os nossos navios carregam como parte de nossa política de segurança e respeito ao meio ambiente".

Investigação da PF

Por meio de nota, a Polícia Federal armou, na manhã da sexta-feira (1º), que um navio da Grécia é o principal suspeito pelo derramamento de óleo que atingiu as praias do Nordeste. A conclusão foi tomada a partir da localização da mancha inicial e a identicação de que um único navio petroleiro navegou pela área suspeita entre os dias 28 e 29 de julho, possível período em que o vazamento ocorreu.

A embarcação, de bandeira grega, atracou na Venezuela em 15 de julho, permaneceu por três dias, e seguiu rumo a Singapura, pelo oceano Atlântico, vindo a aportar apenas na África do Sul. O

derramamento investigado teria ocorrido nesse deslocamento. O navio grego está vinculado, inicialmente, à empresa de mesma nacionalidade, porém ainda não há dados sobre a propriedade do petróleo transportado pelo navio identificado, o que impõe a continuidade das investigações.

Conheça o navio Bouboulina

O navio Bouboulina foi construído em 2006 e o seu nome é em homenagem a Laskarina Bouboulina, heroína na Guerra da Independência Grega. Ele possui 276 metros de comprimento e tem capacidade para carregar até 164 mil toneladas (somando a carga, passageiros, água, combustível, etc).

De acordo com monitoramento deito pelo site marinetrac.com, às 14h14, no horário de Brasília, o Boubolina estava ancorado na Cidade do Cabo, África do Sul.

Confira a rota do navio

O navio mercante Bouboulina, embarcação de origem grega e principal suspeito pelo derramamento de óleo no Nordeste como apontou as investigações das autoridades, atracou na Venezuela no dia 15 de julho de 2019. A decisão do juiz federal Eduardo Guimarães Farias, da 14ª Vara Federal em Natal, mostra que a embarcação permaneceu até o dia 18 de julho no país vizinho.

Após sair da Venezuela, o Bouboulina dirigiu-se para a África do Sul e Nigéria. No percurso, a 700 quilômetros da costa brasileira, teria ocorrido o vazamento do petróleo cru. Na decisão, o juiz federal disse que "há fortes indícios de que a empresa Delta Tankers, o comandante do NM Bouboulina e tripulação

deixaram de comunicar às autoridades competentes acerca de vazamento/lançamento de 'petróleo cru' no oceano Atlântico que veio a poluir centenas de praias brasileiras".

Farias ainda apontou que "a autoria e a materialidade do vazamento podem ser indicados pelos seguintes pontos: o petróleo vazado, conforme laudos técnicos, não foi produzido no Brasil e identifica-se com petróleo venezuelano; conforme a análise de imagens de satélite, foi localizado o ponto inicial do vazamento; a embarcação grega NM Bouboulina esteve na Venezuela entre 15 e 18 de julho de 2019 e passou no ponto do vazamento; conforme a Marinha, não há indicação de outro navio que possa ter passado pela referida rota; e não houve comunicação do incidente às autoridades brasileiras".

Na decisão, no entanto, o juiz diz que ainda há dúvidas sobre quais foram as circunstâncias do crime no artigo 54 e não se pode armar, ainda, se o crime foi culposo ou doloso, se houve motivação, assunção de risco, negligência, imprudência ou imperícia.

Conheça a Delta

A Delta Takers, responsável pelo navio Bouboulina é uma empresa grega. De acordo com o site ocial, foi fundada em 2006 e está em atividade até agora operando com 25 navios tanque. Ainda de acordo com o site, a empresa é sediado em Atenas, com o endereço da Rua Zefyrou, Palaio Faliro, número 58B. A empresa diz que "todas as embarcações incorporam recursos, equipamentos e sistemas que atendem ou excedem os mais rigorosos padrões globais de segurança e meio ambiente e os requisitos de classe, bandeira e indústria".

A Delta Tankers também apresenta certificado ISO 14001: 2004 que, segundo a empresa, "é uma evidência de sua preocupação com questões de proteção ambiental."

Do JC Online para a Rede Nordeste