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No Dia da Amazônia, o que os dados revelam sobre desmatamento e queimadas na região

De 4,2 milhões de campos de futebol devastados a nuvens de fumaça que escureceram o dia no centro-sul do País

11:36 | 05/09/2019
A pressão internacional é vista como uma esperança de barrar os retrocessos nas pautas ambientais. Os especialistas confiam, inclusive, nas perdas econômicas como motor para estas mudanças
A pressão internacional é vista como uma esperança de barrar os retrocessos nas pautas ambientais. Os especialistas confiam, inclusive, nas perdas econômicas como motor para estas mudanças(Foto: CRISTINO MARTINS / ARQUIVO / AG. PARÁ..)

Desde o início de agosto, o mundo assiste às chamas que consomem parte da floresta amazônica. Neste Dia da Amazônia, o O POVO Online reúne informações dos maiores institutos de pesquisa, agências e ONGs que vêm acompanhando o perigo ambiental na região. Confira:

A maior em 9 anos

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aponta que o número as queimadas neste mês de agosto é o maior desde 2010. Foram 30.901 focos ativos segundo informações geradas com base em imagens de satélite. Foram praticamente mil focos por dia.

No mês, os incêndios destruíram 24.944 km² da floresta, o equivalente a 4,2 milhões de campos de futebol. Com o crescimento, a área perdida na Amazônia no primeiro semestre de 2019 é de 43.573 km², maior do que o total do ano passado inteiro (43.171 km²).

O alerta precisa estar aceso. Na série histórica do Instituto, o mês de setembro tradicionalmente registra o maior número de queimadas – chegando, em alguns anos, a alcançar o dobro de agosto.

Seca não é a explicação

O governo federal afirma que focos de fogo proliferaram porque o clima está mais seco em 2019. Entretanto, de acordo com o Observatório do Clima, o clima é o mais úmido dos últimos quatro anos em cinco estados da Amazônia brasileira onde as queimadas se concentram. A exceção é Roraima.

33% das queimadas de 2019 estão em propriedades privadas

Este é o resultado de análise divulgada nessa quarta-feira, 4, pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). A organização não-governamental utilizou os registros de focos de calor do Inpe no bioma amazônico detectados pelo satélite Aqua e os cruzou com oito classes fundiárias. Alertas de desmatamento do sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) também foram utilizados na análise.

O número é consistente com as tendências apresentadas pelo sistema Deter no período observado: de 1º de janeiro a 29 de agosto. O Deter indica que 28% do desmatamento registrado aconteceu em áreas privadas incluídas no Cadastro Ambiental Rural.

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Em propriedades privadas, o desmatamento e as queimadas podem ser permitidos, desde que autorizados pelos órgãos competentes do governo, geralmente as Secretarias Estaduais de Meio Ambiente. A reserva legal na Amazônia permite o desmate de 20% da área total de uma terra privada. O Ipam alerta, no entanto, que "historicamente uma larga porção dos desmatamentos registrados são fonte de ignição ilegal".

Unidades de conservação e áreas de preservação têm maior aumento de focos de fogo

A mesma nota técnica do Ipam mostra que, quando 2019 é comparado com a média de focos de fogo entre janeiro e agosto de 2011 a 2018, as queimadas nas áreas de proteção ambiental aumentaram em 141%. Os incêndios em unidades de conservação e em florestas públicas não destinadas também mais que duplicaram.

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Queimadas e desmatamento estão relacionados

Dados do Ipam mostram a ligação entre os dois fenômenos: os dez municípios que tiveram mais focos de incêndios florestais em 2019 são os mesmos que registraram as maiores taxas de desmatamento.

Altamira (PA) é a cidade mais atingida, com 3 mil focos até aqui. Em seguida, na região Amazônica, aparecem Corumbá (MS), São Félix do Xingu (PA) e Porto Velho (RO), as três com cerca de 2.500 focos cada.

Nuvens de fumaça

Uma imagem do satélite Aqua, da Nasa, feita pela agência espacial em 20 de agosto, foi divulgada no dia seguinte, dá a dimensão da magnitude do problema. Uma gigantesca coluna de fumaça cinzenta avança sobre vários estados brasileiros.

A Nasa destacou que, embora seja comum a ocorrência de incêndios no País nesta época do ano, devido às altas temperaturas e baixa umidade, o número recorde de incêndios é preocupante.

O corredor de fumaça chegou a escurecer o dia em diferentes cidades do centro-sul brasileiro até de vizinhos sulamericanos. Segundo o Climatempo, o fenômeno é comum, sobretudo no fim do inverno - marcado por grande número de queimadas, ar seco e ausência de nuvens.

O assunto levanta divergências, mas meteorologistas do Inmet avaliam que incêndios na Amazônia Legal, especialmente as queimadas entre a Bolívia e o Paraguai, transportaram a maior parte da fumaça até os estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo por volta do dia 20 de agosto.

Dia da Amazônia

A data, celebrada anualmente em 5 de setembro, foi criada com o intuito de conscientizar as pessoas sobre a importância da maior floresta tropical do mundo e de sua biodiversidade para o planeta. O dia faz referência a 5 de setembro de 1850, quando D. Pedro II decretou a criação da Província do Amazonas.