PUBLICIDADE
Brasil
NOTÍCIA

ONU condena assassinato de chefe indígena no Brasil

Emrya Wajãpi, chefe da tribo Wajãpi, foi morto na sexta-feira, 26, durante a invasão de garimpeiros à aldeia de Mariry, no estado do Amapá

15:57 | 29/07/2019
Povos indígenas vivem situações de conflito com agentes de atividades econômicas na selva amazônica
Povos indígenas vivem situações de conflito com agentes de atividades econômicas na selva amazônica(Foto: Divulgação/Portal Iphan)

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, condenou nesta segunda-feira, 29, o assassinato do líder indígena Emrya Wajãpi no norte do Brasil. Segundo ela, o crime teria acontecido por causa do desenvolvimento da exploração da mineração na Amazônia, apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Emrya Wajãpi, chefe da tribo Wajãpi, foi morto na sexta-feira, 26, durante a invasão de garimpeiros à aldeia de Mariry, no estado do Amapá.

"Este assassinato (...) é um sintoma preocupante do problema crescente da intrusão em terras indígenas - sobretudo nas selvas - por parte de mineiros, madeireiros e agricultores, no Brasil", escreveu Michelle Bachelet, em um comunicado. "A política proposta pelo governo brasileiro de abrir mais zonas da Amazônia à exploração mineradora cria riscos de induzir a incidentes violentos, intimidações e assassinatos, como o que sofreu o povo wajãpi na semana passada", continuou.

No sábado, 27, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a mineração na Amazônia, destacando a grande quantidade de minerais existentes na região.

Os wajãpi vivem em uma zona remota da Amazônia, rica em ouro, manganês, ferro e cobre. Desde os anos 1980, porém, seu território foi delimitado pelas autoridades para uso exclusivo dos indígenas. "Solicito urgentemente ao governo brasileiro que aja com firmeza para deter a invasão dos territórios indígenas e lhes garantir o exercício pacífico de seus direitos sobre suas terras", completou Bachelet.

Há muito tempo, os membros das tribos amazônicas enfrentam a pressão de garimpeiros, pecuaristas e madeireiros. Militantes da causa indígena afirmam, contudo, que as ameaças contra eles se intensificaram desde que Bolsonaro, defensor dos setores comerciais e financeiros, assumiu a Presidência em janeiro.

AFP