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Brasil
Ministério Público de São Paulo

Homem que matou mulher trans cearense em SP será acusado de feminicídio

De acordo com a denúncia apresentada pelo promotor, o acusado cometeu o crime com emprego de meio cruel, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e por menosprezo e discriminação à condição da vítima - este último trecho sendo parte da Lei do Feminicídio

19:12 | 14/05/2019
Larissa morava em São Paulo há quatro anos. Família da cearense teme que caso fique impune
Larissa morava em São Paulo há quatro anos. Família da cearense teme que caso fique impune (Foto: Reprodução / Facebook)

O Ministério Público de São Paulo aceitou nessa segunda-feira, 13, a denúncia contra Jonatas Araújo dos Santos pela morte de Larissa Rodrigues da Silva, mulher transexual cearense que foi morta no último dia 4 em São Paulo. De acordo com a denúncia apresentada pelo promotor, o acusado cometeu o crime com emprego de meio cruel, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e por menosprezo e discriminação à condição da vítima - este último trecho sendo parte da Lei do Feminicídio.

Leia mais > Corpo de Larissa, trans morta em São Paulo, é velado nesta segunda, em Fortaleza

Larissa, que tinha 21 anos, era natural de Fortaleza e havia saído de casa há pelo menos quatro anos, quando buscava ajudar financeiramente a família. Ela foi assassinada à pauladas em São Paulo no início do mês. 

Segundo as informações incluídas na denúncia, Larissa estava na região da Avenida Indianópolis, zona sul da capital paulista, com o objetivo de fazer programas sexuais. Jonatas chegou de carro no local e discutiu com a vítima e uma amiga que estava com ela, dizendo apenas que "havia sido roubado". As duas retrucaram, afirmando não saberem nada a respeito de qualquer roubo, pois nem o conheciam. O acusado, então, seguiu com seu carro para longe das duas mulheres.

"Ocorre que, poucos minutos depois, caminhando sorrateiro, o denunciado novamente se aproximou da ofendida e de sua amiga e, sem nada dizer, começou a desferir golpes na cabeça da vítima com um pedaço de madeira de cerca de um metro de comprimento que trazia nas mãos, com a intenção de matá-la", diz a denúncia.

Larissa ainda teria conseguido correr, atravessando a rua, mas o réu a seguiu e desferiu vários outros golpes em sua cabeça, até derrubá-la na calçada oposta. Jonatas ainda correu na direção da amiga, mas fugiu do local após não conseguir alcançá-la. Ele usou seu carro, que estava estacionado nas imediações. Larissa morreu no local.

"É inquestionável que o investigado empregou meio cruel para matar a vítima, pois, ao golpeá-la na cabeça várias vezes com um pedaço de madeira, provocou-lhe intenso e desumano sofrimento, muito além do necessário à obtenção do resultado morte", afirmou o promotor.

IZADORA PAULA