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A favor da Lei do Mandante, Ceará estuda transmitir jogos do Estadual em plataforma própria

Em entrevista exclusiva ao Esportes O POVO, presidente do Alvinegro, Robinson de Castro, explicou motivos para apoiar Lei do Mandante e confirmou ideia de transmissão do Estadual

Lucas Mota
19:28 | 14/09/2020
Robinson de Castro opinou sobre como a MP do Mandante pode beneficiar os clubes brasileiros (Foto: MARCELO VIDAL/Cearasc.com)
Robinson de Castro opinou sobre como a MP do Mandante pode beneficiar os clubes brasileiros (Foto: MARCELO VIDAL/Cearasc.com)

O Ceará é um dos 45 clubes brasileiros, entre eles Flamengo-RJ, Fortaleza, Palmeiras-SP, Bahia e Athletico-PR, a favor da "Lei do Mandante". Em entrevista exclusiva ao Esportes O POVO, o presidente do Alvinegro, Robinson de Castro, explicou os motivos para apoiar a mudança na legislação sobre os direitos de transmissão do futebol no Brasil e confirmou a ideia de transmitir partidas do Campeonato Cearense a partir de 2021, assim como o Bahia em streaming próprio.

As diretorias do Alvinegro e do Esquadrão fecharam parceria para o uso em conjunto do plano de vantagens entre os sócios dos dois clubes e da plataforma Sócio Digital (acesso aos treinos e entrevistas exclusivas com jogadores, promoções, vídeos, notícias e afins).

O Bahia lançou a plataforma em julho e já operacionaliza o serviço. A parceria para o uso do Ceará está em fase de migração, devendo durar pelos próximos 60 dias. Através do Sócio Digital, os clubes estudam transmitir suas partidas do Estadual para seu banco de sócios-torcedores, condicionados pela "Lei do Mandante", que precisa ser aprovada no Congresso nos próximos 30 dias.

+ Ceará e Fortaleza veem mudanças nos direitos de transmissão com bons olhos e fazem projeções

Para Robinson, a mudança nos direitos de transmissão vai aumentar as receitas dos clubes brasileiros e as alternativas de negociação, possibilitar o surgimento de novos players no mercado e evitar “apagões”, quando uma partida fica sem exibição. “Com a Lei do Mandante, tenho 19 jogos na minha carteira. A concorrência vai aumentar. O modelo anterior gerou concentração com poucos players. Vai dar liberdade maior ao clube para negociar de forma individual ou coletiva”, comentou.

O dirigente critica o modelo atual, no qual a emissora detentora dos direitos de transmissão precisa fechar contrato com os clubes mandante e visitante de uma partida. Robinson afirma que as agremiações acabam ficando sem alternativas de negociação por valores mais atrativos na negociação.

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“O modelo de hoje é muito concentrado. Quando você tem que fazer negociação com esse modelo antigo, a emissora fechava com a maioria dos clubes grandes. Os clubes de menor porte tinham que fechar com a mesma empresa. Não tinham saída. Se fechasse com 15 clubes e você ficasse por último, ficaria sem alternativa.”

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O mandatário do Alvinegro acredita que o futebol brasileiro pode se fortalecer de uma forma geral com a mudança na legislação. “A situação de um clube que está na Série B e vai para a A não tem muito alternativa. Negocia com quem detém a maior parte dos direitos dos clubes ou então não tem com quem fechar. Ele vai ter agora uma carteira de 19 jogos. Pode negociar com quem quiser. A empresa oferece preço justo ou não fecha.”

A Série A do Campeonato Brasileiro possui duas emissoras detentoras de transmissão na TV fechada – a Globo e a Turner. No modelo atual, há jogos que não são transmitidos. Segundo o dirigente, os contratos vigentes não seriam prejudicados.

“A Lei do Mandante acaba com os apagões. É um modelo consolidado na Europa (Alemanha, Itália e Inglaterra). Os clubes estão mais unidos do que nunca. Essa lei beneficia independente da Série que se encontra o clube. Os clubes que não aderiram ao movimento até agora não questionam o mérito, mas não aderiram por questões individuais, questões de política interna.”

FUTEBOL+LIVRE

Em meio à discussão dos direitos de transmissão, os clubes a favor da mudança criaram o movimento Futebol+Livre. O Ceará foi um dos clubes que estampou na camisa a logomarca da campanha para a partida contra o Flamengo, nesse domingo, 13.

O movimento tem site próprio onde é possível acompanhar a contagem regressiva para o prazo para a Medida Provisória 984/2020 ser votada no Congresso. A MP foi editada pelo presidente Jair Bolsonaro em junho. Caso não entre em votação na Câmara dos Deputados nos próximos 30 dias, ela deixa de ter validade. De acordo com o UOL, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não se mostra disposto a colocar o assunto em pauta.

Nesta segunda-feira, 14, os clubes organizaram um tuitaço às 19 horas pedindo o apoio do deputado Rodrigo Maia.