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Análise: Sem arriscar, Argel acertou ao lançar mão de tudo que o Ceará fez certo neste Brasileirão

Mesmo sem o resultado desejado diante do Athletico, atuação do novo técnico alvinegro dá esperança ao torcedor quanto à sequência do campeonato

10:56 | 02/12/2019
Argel Fucks fez sua estreia no comando do Ceará com empate em 1 a 1 com Athletico-PR
Argel Fucks fez sua estreia no comando do Ceará com empate em 1 a 1 com Athletico-PR (Foto: Pedro Chaves/FCF)

O torcedor do Ceará pode ter ficado bastante insatisfeito com o empate em 1 a 1 diante do Athletico-PR no último sábado, 30, com gol sofridos nos minutos finais. Mas a atitude da equipe como um todo, sobretudo no segundo tempo, parece ter agradado boa parte dos alvinegros. As mudanças feitas pelo treinador Argel Fucks, colocando o time pra frente para buscar o resultado, também foram recebidas de forma positiva. Ficou a esperança de que mesmo faltando apenas duas rodadas, o Vovô pode renovar suas forças para fugir do Z4.

Com a saída de Adílson Batista e o desempenho sob o novo comandante, é inevitável não surgirem comparações com o trabalho do antigo treinador. Demitido após uma derrota por 4 a 1 para o Flamengo, Adílson já vinha sendo bastante contestado pela falta de identidade tática, as escolhas equivocadas antes e durantes os jogos e, claro, pelos resultados dentro de campo. Por diversas vezes, foi criticado por jogar com três zagueiros, sem atacantes ou com Thiago Galhardo de centroavante.

Com Argel, Galhardo voltou à posição de camisa 9, mas essa foi a única semelhança significativa com o esquema usado anteriormente. O 4-2-3-1 parecia mais com a forma como Enderson Moreira escolheu jogar, e com a qual o Ceará conseguiu o mínimo de estabilidade na primeira parte do Brasileirão: dois volantes atrás, um meia centralizado, dois pontas abertos e um atacante isolado na frente.

A escolha rendeu chances para o Vovô abrir o placar já no primeiro tempo. mas quem teve mesmo as melhores oportunidades foi o Athletico, que forçou três defesas do goleiro, contra apenas uma do Ceará. O Furacão também teve mais posse de bola (58%), tomando o campo e superando os donos da casa em todos os fundamentos de passe: passes certos, bolas longas e cruzamentos. Para voltar para a segunda etapa com chances de abrir o placar, Argel teria que lançar mão da mesma formação tática, mas com algumas substituições pontuais.

Primeiro, sacou William Oliveira e colocou Ricardinho, que passou a atuar ao lado de Fabinho, como fez em várias oportunidades com Enderson Moreira. A escolha deu certo na criação de boas chances, mas não resultou em bola na rede. Thiago Galhardo teve duas chances claras, frente a frente com o goleiro Santos, mas desperdiçou. Vendo as oportunidades perdidas tão perto da meta, Argel colocou o centroavante Bergson no lugar de Leandro Carvalho, que não vinha bem no jogo.

Mas a mudança mais decisiva veio aos 26 minutos, quando Felipe saiu para a entrada de Mateus Gonçalves. Em campo, o Ceará era mais rápido e finalizou 11 vezes, mais que o dobro do que no primeiro tempo. Segundo o site de estatísticas SofaScore, o Alvinegro criou cinco “grandes chances” de gol, além de inverter a vantagem no número de passes certos, cruzamentos e bolas longas. A posse de bola também teve uma virada significativa, com 62% para o Vovô, que aumentou sua intensidade e fez oito desarmes.

Todos esses ingredientes levaram ao primeiro gol. Valdo saiu da zaga para desarmar um jogador adversário, tabelar com Thiago Galhardo e mandar para a área, onde estava Mateus Gonçalves pronto para finalizar. Se o jogo tivesse parado aí, teria sido uma apresentação extremamente motivadora para a sequência do campeonato. Mas em uma falha defensiva, o Furacão empatou o jogo com Madson, jogando uma ducha de água fria sobre o mais de 24 mil torcedores na Arena Castelão.

A partida com o Athletico, mesmo sem o resultado desejado, é sintomática: o Ceará tem que absorver tudo que foi feito de forma correta ao longo do Brasileirão nessas últimas rodadas. Taticamente, Enderson acertou a equipe com seu 4-2-3-1, mas pecou nas finalizações que não viravam gol. Até Adílson acertou quando lançou mão dos três volantes, mas fez escolhas equivocadas que minaram seu time e a paciência da torcida.

Argel não terá muito tempo para implementar novas ideias no time. Resta aplicar as formações certas com os jogadores mais preparados para entrar em campo no momento derradeiro e mais decisivo no Brasileirão. A margem de erro é mínima, e o Ceará não pode nem pensar em não fazer o certo na quarta, 4, contra o Corinthians, no Castelão.

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