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Futebol
NOTÍCIA

Clubes têm propostas de redução salarial em 50% para jogadores; Ceará participa de reunião

Comissão Nacional dos Clubes formula propostas para apresentar à Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol

Lucas Mota
16:37 | 21/03/2020
Futebol está paralisado por causa do coronavírus
Futebol está paralisado por causa do coronavírus (Foto: FÁBIO LIMA)

Férias coletivas imediatas até 21 de abril e redução salarial em 50% por 30 dias, caso o período de quarentena siga impossibilitando a volta dos campeonatos. Estas são algumas das principais propostas da Comissão Nacional de Clubes aos jogadores, em meio à pandemia do coronavírus, para seguir honrando os compromissos com os atletas e enfrentar os impactos à geração de receitas.

+ Ceará e Fortaleza mostram solidariedade em meio à pandemia do coronavírus: "Juntos, vamos vencer"

Representantes de clubes das Séries A e B na Comissão estiveram reunidos, de forma online, na tarde de sexta-feira, 20. O presidente do Ceará, Robinson de Castro, participou do encontro e aguarda uma definição da situação para tomar qualquer providência. Segundo o mandatário alvinegro, vai haver nova reunião entre a CNC com a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) até segunda-feira, 23. 

"Vão conversar com a Fenapaf e apresentar as propostas, mas nada foi definido ainda. Depois da reunião, vão fazer uma convenção coletiva para estabelecer o cenário para os próximos três meses. Vamos aguardar primeiro o entendimento da Comissão com a Fenapaf. Depois, a gente entra a nível local", disse Robinson em entrevista ao Esportes O POVO.

O presidente do Fortaleza, Marcelo Paz, não participou da reunião com representantes dos clubes. O dirigente disse que vai se aprofundar sobre as propostas para poder opinar.

Presidente do Sindicado do Atletas de Futebol do Estado do Ceará (Safece), Marcos Gaúcho diz não concordar com as propostas dos clubes para os jogadores. "A princípio, o Sindicato é contra, mas está discutindo com os atletas. O assunto é complexo e pertinente, devido ao que vem ocorrendo no Brasil. A pandemia tem trazido problemas para todos, inclusive para o futebol", afirmou ao Esportes O POVO.

Desde a chegada do coronavírus no Brasil, o Safece sempre se colocou contrário à continuidade do Estadual. Marcos Gaúcho foi o único que não concordou com a realização dos últimos jogos da segundo fase do Campeonato Cearense, em reunião na Federação Cearense de Futebol (FCF), na última segunda-feira, 16. Na ocasião, os clubes decidiram pela manutenção do torneio com portões fechados. Um dia depois, os dirigentes das equipes voltaram atrás e a FCF decretou a paralisação da competição por tempo indeterminado.

"A paralisação está afetando todos os segmentos. É muito grave. O mais importante é preservar a saúde de todas as pessoas em geral para depois pensar na cadeia produtiva e comercial. A paralisação no futebol foi necessária, conforme defendemos desde o princípio. Agora precisamos encontrar, com coerência e equilíbrio, soluções para amenizar as perdas para os atletas, clubes e demais envolvidos", comentou Márcio.

De acordo com o presidente do Safece, não há, por enquanto, contraproposta dos atletas. "Vamos enviar nossos pontos de vista para a Fenapaf."

A Federação já está ciente das propostas dos clubes. O objetivo principal das equipes é amenizar os custos durante o período de paralisação do futebol. O assunto tem sido tratado entre o presidente da Fenapaf, Felipe Augusto, e o interlocutor da Comissão Nacional dos Clubes, Mário Bitencourt, mandatário do Fluminense.

Propostas:

1- Proposta sobre férias - conceder imediatamente a todos os atletas o gozo de 30 (trinta) dias de férias coletivas com início em 23.03 e término em 21.04, antecipando qualquer período de férias proporcionais que os atletas venham a adquirir durante o restante de 2020, em qualquer clube que venha a jogar ainda em 2020. Todavia apesar de antecipar para agora os 30 dias de gozo, o pagamento das férias seria diferido, sendo 50% do valor agora, a ser pago pelo atual empregador e os outros 50%, com o 1/3 integral, a ser pago até 31.12.2020.

Se o atleta trocar de clube antes de 31.12.2020, o novo clube ficará responsável pelo pagamento dos 50% restante, bem como de 50% do 1/3, cabendo ao Clube atual quando da rescisão pagar sua parte dos 50% do 1/3.

Dessa forma, haveria uma uniformização do calendário e o gozo de férias do atleta por determinado clube afastaria o direito ao gozo por eventual novo empregador, vez que todos os dias de férias de 2020 serão antecipados.

2- Férias de final de ano de 24/12 a 02/01/2021.

3- Após férias coletivas não sendo possível volta campeonatos, redução da remuneração (CLT e imagem) em 50% por 30 dias, com treinamento em casa.

4- Após 30 dias de redução da remuneração mantendo a impossibilidade de competir suspensão do contrato de trabalho até que se retorne as atividades, com a prorrogação dos contratos dos prazos dos contratos pelo período de suspensão.

5- parcelamento das rescisões em até 5 vezes.

* contratos que se encerrem neste período serão prorrogados até a data final dos estaduais.

Coronavírus e o futebol cearense

O Esportes O POVO tem tratado sobre a situação dos clubes cearenses desde a paralisação do futebol por causa do coronavírus. Os presidentes de Ceará e Fortaleza, Robinson de Castro e Marcelo Paz, ressaltaram a importância do programa de sócio-torcedor neste momento delicado.

"Será uma fonte de receita importante assim como foi no ano passado, quando (o Brasileirão) parou para a Copa América", comentou Marcelo Paz. "Será a receita mais certa que vamos ter. Não sabemos como vai se comportar o mercado e os contratos que nós temos. Mas o fato é que o torcedor e, principalmente, aquele que aderir ao programa de sócio realmente vai estar ajudando na manutenção das nossas operações", disse Robinson de Castro.

Presidentes de clubes menores do Estado relataram preocupação diante das despesas e dos impactos do coronavírus nas receitas. "Chega a ser incalculável o prejuízo. Nem nós sabemos se vai ter campeonato. Ficam as contas para pagar. A gente compreende a situação. Todo mundo tem que ceder e se ajudar, os clubes pequenos, os grandes, as federações, a CBF", afirmou Lúcio Barão, mandatário do Barbalha.