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NOTÍCIA

Adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio terá custo extra de US$ 2,4 bi

O custo extra é explicado pelos gastos gerados pelo adiamento do evento olímpico (171 bilhões de ienes)

09:15 | 04/12/2020
Anéis olímpicos são acesos na orla de Odaiba, em Tóquio, em 1 de dezembro de 2020 (Foto: AFP)
Anéis olímpicos são acesos na orla de Odaiba, em Tóquio, em 1 de dezembro de 2020 (Foto: AFP)

Adiados por 12 meses devido à pandemia do novo coronavírus e previstos para julho de 2021, os Jogos Olímpicos de Tóquio terão um custo adicional de 267 bilhões de ienes (US$ 2,4 bilhões) - informou o comitê organizador, o que eleva o orçamento total a quase US$ 16 bilhões.

 

O custo extra é explicado pelos gastos gerados pelo adiamento do evento olímpico (171 bilhões de ienes) e pelo investimento necessário para garantir todas as medidas de saúde exigidas (96 bilhões de ienes).

 

E o custo final dos Jogos Olímpicos pode ser ainda maior, segundo os organizadores, que preveem um orçamento adicional de reserva de 27 bilhões de ienes.

 

A questão do custo extra pode decepcionar ainda mais a opinião pública japonesa, que, de acordo com várias pesquisas, é favorável a um novo adiamento dos Jogos Olímpicos, ou a seu cancelamento.

 

O comitê organizador insiste em que é possível celebrar o evento em 2021, mesmo que a epidemia não esteja completamente sob controle.

 

O valor adicional será dividido entre o governo japonês, a prefeitura de Tóquio e o comitê organizador nipônico.

 

"Pode ser visto como muito caro, ou como a prova de que conseguimos dominar os custos. Depende de como você observa", declarou o diretor-geral do comitê de organização dos Jogos, Toshiro Muto.

 

"Fizemos tudo o que podíamos para merecer a compreensão do público", acrescentou.

 

O Comitê Olímpico Internacional (COI) não pagará parte dos custos pelo adiamento, mas, pela primeira vez, aceitou não receber o percentual sobre a receita procedente dos patrocinadores, anunciou a organização.

 

Adiar o maior evento esportivo do mundo por um ano representa um grande quebra-cabeças para a organização, que precisa reservar novamente as sedes, os transportes, prolongar os contratos dos funcionários do comitê de organização e renegociar acordos com os patrocinadores.

 

Importantes medidas de segurança sanitária serão estabelecidas. A evolução da pandemia nos próximos meses é uma incógnita.

 

Tóquio-2020 publicou esta semana um documento de 54 páginas detalhando as possíveis medidas, que incluem contatos limitados entre os atletas, que devem passar por testes com frequência, o uso de máscaras e a proibição de gritos do público. Um centro de controle de infecções será instalado para tratar os casos positivos de Covid-19.

 

A organização trabalha para Jogos menos ambiciosos com uma importante redução dos ingressos gratuitos, menos convidados oficiais, a supressão de algumas cerimônias e cortes nos gastos com mascotes e fogos de artifício, o que ajudou a reduzir a conta em US$ 240 milhões.

 

Na quinta-feira, o comitê organizador anunciou que aceitou reembolsar 810.000 entradas compradas no Japão, 18% das vendas no país.

 

O comitê espera vender novamente os ingressos, mas o entusiasmo não é mais o mesmo. Uma pesquisa em julho mostrou que a maioria da população japonesa preferia um novo adiamento dos Jogos, ou o cancelamento do evento.

 

O valor total dos Jogos Olímpicos não convence a todos. Um relatório publicado ano passado apontou que o governo japonês gastou dez vezes mais que o orçamento original entre 2013 e 2018.

 

A organização alega que a estimativa não incluía elementos que não estavam ligados diretamente aos Jogos.