Sem registrar mortes há 55 dias, Fortaleza atravessa período menos letal da pandemia
Último óbito por Covid-19 na Capital cearense ocorreu no dia 24 de maio. Desde então, indicador segue zerado, informa a SMS
Há 55 dias sem registrar mortes por Covid-19, Fortaleza atravessa o período menos letal da pandemia. O último óbito em decorrência da doença na Capital cearense ocorreu no dia 24 de maio. Desde então, o indicador segue zerado, apesar do aumento de casos verificado na quarta onda de contaminação. As informações constam no boletim epidemiológico semanal divulgado nesta terça-feira, 19, pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
De acordo com o documento, o cenário pandêmico da cidade atualmente "é de muito baixa mortalidade". Os números apontam redução progressiva dos óbitos desde fevereiro deste ano, quando houve queda de 46% em relação ao mês anterior (497 para 266). Em março, a tendência se manteve, com 67 registros contabilizados. Abril e maio tiveram 16 e seis óbitos, respectivamente. Junho, de forma inédita desde o começo da crise sanitária, foi encerrado sem nenhuma morte. O indicador segue zerado em julho, considerando os dados coletados até o fechamento do boletim, na segunda-feira, 18.
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A queda na mortalidade contrasta com o aumento da taxa de transmissão na chamada quarta onda pandêmica, iniciada em maio. Naquele mês, a Capital cearense registrou cerca de mil casos positivos de Covid-19, mais que o dobro dos números de abril (508). Em junho, o crescimento foi avassalador —como classifica a SMS—, com mais de 11,1 mil diagnósticos, o maior acumulado desde janeiro deste ano (69 mil).
Nos 18 dias de julho analisados, o total de novos casos contabilizados chegou a 5,1 mil, mantendo o padrão de alta transmissão. Apesar disso, o boletim projeta que o "pico" da quarta onda já foi atingido entre o final de junho e início de julho. "Atualmente, o cenário é de circulação viral moderada, em queda progressiva", ressalta o documento.
Nas três primeiras ondas da pandemia em Fortaleza, o aumento de contaminações impactou diretamente na elevação do número de mortes, cenário que não se observa neste momento. Para o epidemiologista Antônio Silva Lima, gerente da Célula de Vigilância Epidemiológica da SMS, a diferença de cenários é reflexo do avanço da vacinação.
"É um aumento de transmissão que encontra muitas barreiras imunológicas. A cobertura vacinal de Fortaleza é bastante expressiva e homogênea em várias faixas etárias". Na Capital cearense, 95% da população foi imunizada a primeira dose, 90% com a segunda e 70% com terceira. Em relação à quarta aplicação, a cobertura ainda é baixa (13%).
Além da queda nas mortes, o médico destaca o impacto positivo das vacinas para a redução do número de hospitalizações. Segundo ele, a maioria dos casos graves ainda registrados envolve pacientes não vacinados ou que tenham algum nível de imunossupressão.
O especialista pontua que, embora o cenário atual seja de estabilidade, é preciso que a população não se descuide do cronograma vacinal das doses de reforço (terceira quarta). Ele também ressalta a necessidade de ampliar a imunização no público infantil. "Ainda existem muitas incertezas em relação ao surgimento de novas variantes, por isso a necessidade constante de estarmos protegidos", orienta Lima.
Dados estratificados
Em Fortaleza, segundo mostra o boletim da SMS, a incidência de casos e mortes por Covid-19 apresenta variação inversamente proporcional a depender do grupo etário. Na população mais jovem, entre 20 e 59 anos, concentra-se a grande maioria dos casos confirmados (73%). Já o grupo dos idosos com mais de 60 anos responde por 73% dos óbitos. Em relação ao gênero, contudo, não disparidade acentuada: 54% são homens e 46% mulheres.
Na análise espacial, o boletim aponta cenário pandêmico mais preocupante nos bairros da Regional 2, que somam 66,1 mil casos positivos. Já a Regional 5 acumula o maior número de mortes (2.446). Analisando por bairro, a maior contaminação é observada no Meireles, com 10,2 mil casos confirmados, ante a 263 no Moura Brasil —que tem a menor incidência. Em relação à mortalidade, Barra do Ceará e Luciano Cavalcante acumulam o maior e menor índice, respectivamente, com 275 e 10 óbitos registrados.
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