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Covid-19: Fiocruz analisa efetividade da vacinação contra casos graves

Pesquisa aponta que a população foi beneficiada pelas vacinas na prevenção de casos graves e óbitos por Covid-19, apesar de a efetividade variar de acordo com a faixa etária. O estudo está disponível em preprint, ainda sem revisão por outros especialistas
16:39 | Set. 17, 2021
Autor Redação O POVO
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Tipo Notícia

Estudo realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) avalia que a população brasileira foi beneficiada pela vacinação contra a Covid-19, na prevenção de casos graves e óbitos pela doença. A pesquisa, que analisou mais de 66 milhões de registros de bases de dados oficiais, apontou os benefícios apesar da variação da efetividade dos imunizantes de acordo com a faixa etária.

A efetividade das vacinas diz respeito à proteção que elas conferiram às pessoas no "mundo real", quando já estão sendo aplicadas na população, com diferentes realidades e graus de exposição ao vírus. É diferente da eficácia, que é analisada ainda no contexto das pesquisas clínicas, em condições controladas.

A análise considerou o período entre 17 de janeiro e 19 de julho deste ano, quando já havia predominância da variante Gamma, e incluiu pessoas vacinadas com as vacinas AstraZeneca, CoronaVac e com a primeira dose do imunizante produzido pela Pfizer. Além da variação da efetividade quanto à faixa etária, pesquisadores também apontam variação segundo as regiões do País.

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A redução de efetividade entre pessoas mais velhas foi mais pronunciada nas regiões Sudeste e Sul, segundo informações da Fiocruz. "Como esperado, a efetividade aumenta com a segunda dose, portanto é importante completar o esquema vacinal", afirma o pesquisador Daniel Villela, coordenador do estudo. 

Resultados

As estimativas mais altas da efetividade na prevenção de mortes foram encontradas em adultos com idade entre 20 e 39 anos que receberam a vacina da AstraZeneca. Nesse caso, o índice foi de 97,9%. O resultado também foi alto para os adultos entre 40 e 59 anos vacinados com a CoronaVac, cujo índice de efetividade encontrado pelos pesquisadores foi de 82,7%. Na Pfizer, a prevenção de mortes no grupo com idade de 40 a 59 anos foi de 89,9%, na maioria com a primeira dose.

Em adultos vacinados com as duas doses da AstraZeneca, os valores estimados de efetividade apontam prevenção de casos graves e óbitos entre 80% e 90%. O percentual pode ser superior a 90% de eficácia, dependendo do grupo etário. Para casos graves, a efetividade é um pouco menor: 79,6% em idosos de 60 a 79 anos e 66,7% em idosos com mais de 80 anos.

Em relação à CoronaVac, também considerando vacinados com as duas doses, os valores de efetividade para casos graves e óbitos estão entre 70% e 90%. Para casos graves, a estimativa, segundo o estudo, foi de 58,4% em adultos de 20 a 39 anos. O valor chega a 60,4% para idosos entre 60 e 79 anos e 29,6% para idosos com mais de 80 anos. Para óbitos, a efetividade foi de 45%.

Na vacina da Pfizer, o estudo aponta efetividade de 80% a 90% com a primeira dose para adultos jovens — de 20 a 39 anos e de 40 a 59 anos. A taxa não foi avaliada em relação ao esquema vacinal completo por causa do pequeno número de pessoas que haviam recebido as duas doses no período analisado.

Metodologia

A avaliação de efetividade envolve um método estatístico que estima a redução do risco de indivíduos vacinados desenvolverem forma grave da Covid-19 ou irem a óbito. São utilizadas taxas fornecidas pelo número de casos observados no período e pelo número de pessoas sob risco de infecção em cada grupo com e sem vacina, ponderados pelo tempo.

A pesquisa está disponível em preprint, ainda sem revisão por outros especialistas, no repositório online MedRxiv. Foram avaliadas informações das bases de dados do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) e do Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (SivepGripe).

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