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Coronavírus
NOTÍCIA

Fiocruz aponta que mortes por Covid-19 voltam a se concentrar em pessoas acima dos 60 anos

O Boletim também indicou diminuição nos casos e óbitos causados por Síndromes Respiratórias Agudas Graves. No entanto, São Paulo, Minas Gerais e Amapá ainda apresentam índices extremamente altos

22:24 | 22/07/2021
A idade média dos internados é de 53 anos (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
A idade média dos internados é de 53 anos (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

De acordo com a nova edição do Boletim Observatório Covid-19 Fiocruz, publicada nesta quinta-feira, 22, aponta nova transição no perfil demográfico da pandemia. De acordo com a instituição, entre 3 e 10 de julho, a porcentagem de idosos no número de óbitos é de 58,2%. Cerca de um mês antes, entre 6 a 12 de junho, a porcentagem de idosos que contraíram a doença era de 31,8%. Os dados mostram também redução de internações em leitos UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) na faixa etária de 50 a 59 anos e uma interrupção no aumento na faixa de 40 a 49 anos.

No entanto, segundo os dados recolhidos, entre 3 a 10 de julho, a idade média dos internados é de 53 anos. Antes, entre 3 e 9 de janeiro, a idade média era de 62,5 anos. Já para os óbitos, os valores médios foram 71,4 anos, para 64,3 anos.

“Convém ressaltar que houve uma inflexão na tendência de declínio. Para os casos, a média de idade das internações já chegou a 52,1 anos. Para os óbitos, a inflexão é mais evidente: a média da idade atingiu 59,4 anos. Entre as SE 20 (16 a 22 de maio) e 25 (20 a 26 de maio), a mediana esteve abaixo dos 60 anos. Desde a SE 26 (27 de maio a 3 de julho), a maioria dos casos voltou a se concentrar acima dos 60 anos”, ressaltam os especialistas.

SRAG

Nas últimas duas semanas epidemiológicas, o número de casos de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) desacelerou. Nesse período também foi registrada uma queda tanto no número de casos novos (-2,1%), quanto no número de óbitos (-2,6%). A taxa de letalidade foi mantida em torno de 3%.

No Boletim, os especialistas reafirmam a importância do avanço da campanha de imunização para a persistência da melhora nos números da pandemia. “O avanço da vacinação no Brasil tem ocorrido de forma mais lenta do que desejável. Ainda assim, a melhoria do quadro pandêmico no país é uma consequência direta do aumento no número de imunizados”, frisa.

Segundo cientistas do Observatório, o aumento recente ou o registro de estabilidade em alguns estados sugere um quadro a ser monitorado. Foi registrado um aumento no número de casos por SRAG no Acre e no Amazonas. Sinais de estabilidade, por outro lado, foram observados no Amapá, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia. Em todo o País, as taxas de incidência de SRAG ainda se encontram em níveis alto, muito alto ou extremamente alto.

Já nos estados das regiões Sul e Centro-Oeste, em São Paulo, Minas Gerais, e no Amapá, as taxas de incidência são extremamente altas, maiores que 10 casos por 100 mil habitantes. A maior parte das regiões Norte e Nordeste e o Rio de Janeiro encontram-se em níveis muito altos, ou seja, com valores entre cinco e 10 casos por 100 mil habitantes. Já no Espírito Santo e em Roraima observaram-se taxas de incidência um pouco inferiores, mas ainda consideradas altas.

Casos e óbitos

O Boletim também indica que não houve aumento das taxas de incidência ou mortalidade em nenhum estado. Ao contrário, houve redução expressiva no número de casos no Rio Grande do Norte, Rondônia e Alagoas. A redução no número de óbitos foi expressiva no Piauí, Acre, Pará e Sergipe.

As maiores taxas de incidência de Covid-19 no período das últimas duas semanas foram observadas nos estados de Roraima, Mato Grosso e Santa Catarina. Já no Paraná, Mato Grosso e São Paulo apresentam as maiores taxas de mortalidade pela doença. As maiores taxas de letalidade foram registradas no Rio de Janeiro (5,7%), São Paulo (3,4%), Amazonas (3,4%) e Pernambuco (3,1%).

“Os valores elevados de letalidade revelam falhas no sistema de atenção e vigilância em saúde nesses estados, como a insuficiência de testes diagnóstico, da triagem de infectados e seus contatos, identificação de grupos vulneráveis, bem como a incapacidade de se identificar e tratar adequadamente os casos graves de Covid-19”, afirmam os cientistas do Observatório Covid-19 Fiocruz.