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Coronavírus
NOTÍCIA

Mortes por Covid na Índia seriam até 10 vezes superiores ao balanço oficial, afirma estudo

O estudo calcula que entre 3,4 e 4,7 milhões de pessoas morreram vítimas do vírus no país entre o início da pandemia e junho deste ano. O balanço oficial aponta 415 mil mortes

10:16 | 20/07/2021
Os alunos fazem fila para entrar em uma sala de exames para fazer o teste do Exame de Admissão Conjunta (JEE) estadual em meio à pandemia de coronavírus Covid-19 em Calcutá em 17 de julho de 2021 (Foto: DIBYANGSHU SARKAR / AFP)
Os alunos fazem fila para entrar em uma sala de exames para fazer o teste do Exame de Admissão Conjunta (JEE) estadual em meio à pandemia de coronavírus Covid-19 em Calcutá em 17 de julho de 2021 (Foto: DIBYANGSHU SARKAR / AFP)

O número real de mortes provocadas pela Covid-19 na Índia pode ser até 10 vezes superior às quase 415 mil vítimas fatais registradas no balanço oficial, aponta um estudo de um grupo de pesquisa dos Estados Unidos.

 

Os analistas advertem há algum tempo que o balanço está consideravelmente subestimado neste país de 1,3 bilhão de habitantes.

 

Mas o número divulgado pelo estudo do 'Center for Global Development' (Centro para o Desenvolvimento Global) é o maior até o momento e leva em consideração o dramático aumento de casos e mortes entre abril e maio na Índia, provocado em grande parte pela variante Delta, que foi identificada pela primeira vez no país.

 

O estudo calcula que entre 3,4 e 4,7 milhões de pessoas morreram vítimas do vírus no país entre o início da pandemia e junho deste ano.

 

"As mortes reais provavelmente estão em vários milhões, não centenas de milhares, o que transformaria esta na maior tragédia humanitária da Índia desde a independência", afirmaram os pesquisadores.

 

Após a divisão do império Indiano Britânico entre a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana, em 1947, a violência religiosa deixou centenas de milhares de mortos. Algumas fontes chegam a citar dois milhões de vítimas fatais.

 

O balanço oficial do país para o coronavírus registra 414 mil óbitos por covid-19, o terceiro maior do mundo, atrás dos Estados Unidos (609.000) e do Brasil (542.000).

 

Analistas questionam os números, mas atribuem os erros mais ao nível de colapso dos serviços de saúde saturados que a uma manipulação deliberada.

 

De fato, vários estados indianos revisaram os balanços nas últimas semanas e adicionaram milhares de óbitos atrasados.

 

O estudo do centro de pesquisas americano se baseou na análise do "excesso de mortalidade", o número de mortes adicionais na comparação com o período prévio à crise de saúde.

 

Os autores - entre eles Arvind Subramanian, ex-conselheiro econômico do governo indiano, e um especialista de Harvard - reconhecem que calcular a mortalidade com uma confiabilidade estatística é difícil.

 

"Mas todas as estimativas sugerem que o balanço de mortes da pandemia é de uma magnitude muito maior do que a contagem oficial", afirmam.

 

Christophe Guilmoto, demógrafo do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento, divulgou recentemente um estudo no qual afirmava que o balanço de mortes estava próximo de 2,2 milhões no fim de maio.

 

Guilmoto observou que a taxa de mortalidade (por milhão de habitantes) na Índia era 50% inferior à média mundial.

 

"Um número tão baixo está em evidente contradição com a gravidade da crise que afetou a maioria das famílias indianas no país, que se refletiu na dramática escassez de vacinas, testes de covid-19, ambulâncias, no acesso a profissionais de saúde, a leitos de hospital, oxigênio, medicamentos e, finalmente, caixões, madeira, sacerdotes, cremação ou enterro, como foi amplamente noticiado na imprensa indiana e internacional", escreveu.

 

No mês passado, o ministério da Saúde da Índia criticou a revista The Economist por afirmar em um artigo que o excesso de mortalidade era entre cinco e sete vezes superior ao balanço oficial.

 

O ministério afirmou que o texto era "especulativo" e "desinformado".

 

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) em maio destacou que até três vezes mais pessoas morreram no mundo durante a pandemia (de coronavírus ou outras causas) do que o indicado nas estatísticas oficiais.