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Covid-19 provocou pelo menos três milhões de mortes diretas ou indiretas em 2020

Muitos países não possuem qualquer sistema de registro do estado civil, o que significa que carecem de estatísticas precisas e completas, sobretudo no que diz respeito às mortes e suas causas
13:45 | Mai. 21, 2021
Autor AFP
Tipo Notícia

O excesso de mortes provocado pela pandemia é até três vezes maior que os óbitos atribuídos à Covid-19 desde a detecção dos primeiros casos no fim de 2019 na China, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Durante a publicação de seu relatório anual sobre as estatísticas de saúde no mundo, a OMS informou que a Covid-19 provocou no ano passado pelo menos três milhões de mortes diretas ou indiretas. Mas o balanço oficial de óbitos atribuídos ao coronavírus no fim de 2020 era de 1,8 milhão.

"Isto corresponde a estimativas similares, que previam que o número total de mortes seria ao menos duas a três vezes maior que o balanço oficial de mortos por Covid-19", afirmou Samira Asma, vice-diretora-geral responsável por dados na OMS.

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De acordo com os cálculos, a especialista acredita que a pandemia provocou até o momento "de seis a oito milhões" de mortes diretas e indiretas. Samira Asma afirmou ainda que a OMS está trabalhando com os países para determinar qual é o "verdadeiro balanço humano da pandemia e, assim, estar melhor preparada para a próxima urgência".

Embora as mortes diretamente relacionadas com a Covid-19 sejam um "indicador-chave para seguir a evolução da pandemia", explica a OMS no relatório, muitos países não possuem nenhum sistema de registro do estado civil, o que significa que carecem de estatísticas precisas e completas, sobretudo no que diz respeito às mortes e suas causas.

Desta maneira, o excesso de mortes não pode ser calculado em todas as regiões, pois faltam dados de alguns países, mas a OMS calcula que em 2020 se registrou um excedente de mortes de entre 1,34 e 1,46 milhão nas Américas e de entre 1,11 e 1,21 milhão no continente europeu.

Subnotificações

 

Uma avaliação recente dos sistemas de informação de saúde feita em 133 países revelou que, em geral, a região europeia registrou 98% do total de mortes, enquanto na região africana a proporção foi de apenas 10%.

De modo geral, "apenas 40% dos países de todo o mundo registram ao menos 90% das mortes, o que significa que um número importante de países não são capazes de informar as mortes nem as causas", explicou Samira Asma.

A diferença entre o que os especialistas denominam de "excesso de mortes" e o balanço oficial de óbitos vinculados à Covid-19 é provocada por vários fatores.

Alguns países notificam as mortes com atraso, assim como algumas pessoas morrem sem passar por nenhum teste de diagnóstico. Outras falecem de outras doenças que não foram tratadas, por medo de comparecer ao centro de saúde ou por causa das medidas de confinamento. "O excesso de mortes nos apresenta uma imagem melhor, pois aponta os efeitos diretos e indiretos", declarou William Msemburi, analista no departamento de dados da OMS.

Globalmente, estas estatísticas mostram que "a pandemia de Covid constitui uma ameaça importante para a saúde e o bem-estar das populações de todo o mundo", destacou Samira Asma.

Além disso, os primeiros dados apontam que a Covid-19 provocou uma queda de entre dois e três anos na expectativa de vida em alguns países, segundo a especialista.

 

 

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