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Estados suspendem vacinação de grávidas com AstraZeneca

Pelo menos 19 dos 27 estados brasileiros tomaram medidas semelhantes, de acordo com o portal de notícias G1
14:52 | Mai. 11, 2021
Autor AFP
Tipo Notícia

Vários estados, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo, anunciaram nesta terça-feira (11) a suspensão da imunização de gestantes com a vacina anticovid da AstraZeneca, seguindo uma recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após "evento adverso" investigado pelo Ministério da Saúde.

 

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o ministério investiga a morte de uma mulher no Rio de Janeiro, vacinada com este fármaco.

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Procurado pela AFP, o Ministério da Saúde não confirmou esta informação.

 

A Secretaria de Saúde do município do Rio informou que decidiu suspender, "por precaução", a vacinação de gestantes e puérperas da capital, "até que a investigação do caso de evento adverso em gestante seja concluída pelo Ministério da Saúde, e o Programa Nacional de Imunizações (PNI) se pronuncie".

 

Esta medida também foi recomendada para os demais municípios fluminenses.

 

A suspensão ocorre em um momento em que vários países europeus restringiam a aplicação do imunizante da AstraZeneca a pessoas abaixo de certas idades, devido à rara ocorrência de coágulos sanguíneos entre milhões de vacinados. Essas decisões minaram a confiança da população mundial nessa vacina.

 

No Brasil, a Anvisa recomendou "a suspensão imediata do uso da vacina anglo-sueca" em gestantes, argumentando que sua aplicação neste grupo não está prevista na bula do medicamento.

 

"A orientação é resultado da vigilância constante dos eventos adversos nas vacinas anticovid que são usadas no país", informou a Anvisa em seu comunicado, sem dar detalhes sobre o caso em investigação.

 

O estado de São Paulo também suspendeu a vacinação de gestantes com comorbidades, prevista para começar nesta terça-feira.

 

Pelo menos 19 dos 27 estados brasileiros tomaram medidas semelhantes, de acordo com o portal de notícias G1.

 

O Brasil acumula mais de 423 mil mortes por coronavírus, balanço superado apenas pelos Estados Unidos, e passa por uma segunda onda desde março.

 

Depois de um pico com dias em que registrou mais de 4.000 mortes no início de abril, o número de infecções e mortes vem diminuindo, embora o país continue registrando uma média semanal de mais de 2.000 mortes por dia.

 

O Brasil está imunizando grande parte de sua população com a vacina da CoronaVac (produzida em associação com o Instituto Butantan de São Paulo), em menor medida com a da AstraZeneca/Oxford e, recentemente, começou a administrar algumas doses importadas da Pfizer/BioNTech nas capitais.

 

"É comum ocorrer uma suspensão como essa. Quando surge um evento adverso, é preciso parar para investigar", disse à AFP a epidemiologista Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

 

No entanto, "desde o início apontamos que era melhor usar a vacina Pfizer para gestantes, porque era a única que já tinha estudos e evidências de que não tinha efeitos graves neste grupo", acrescentou.

 

O Brasil tem um contrato para receber cerca de 100 milhões de doses da Pfizer até o final do ano, mas até agora recebeu pouco mais de 1,5 milhão.

 

Na ausência dessa injeção, as autoridades poderiam usar o CoronaVac para mulheres grávidas, disse Maciel, que apesar de não ter estudos específicos para este grupo utiliza uma tecnologia que já se mostrou segura, também presente nas vacinas contra a gripe, afirma.

 

"O importante agora é tranquilizar as pessoas que tomaram a primeira dose do AstraZeneca: se não apresentaram nenhum sinal ou sintoma, devem voltar para tomar a segunda", exortou Maciel.

 

Até o momento, o país imunizou 32 milhões de pessoas com a primeira dose (15% de sua população), e 15 milhões, com a segunda (7%).

 


 

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