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Após vacinação em massa, Serrana (SP) se prepara para voltar à normalidade

A cidade foi escolhida para o projeto conduzido pelo Butantan devido a uma série de fatores, como o alto número de casos e por ser uma cidade com população pequena, de quase 46 mil pessoas
21:11 | Mai. 10, 2021
Autor Leonardo Maia
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Leonardo Maia Estagiário
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Tipo Notícia

Única cidade brasileira a experienciar a vacinação da população em massa, o município de Serrana, distante 300 quilômetros da capital de São Paulo, já se prepara para retornar ao “antigo normal”, em que o distanciamento social e o uso de máscaras não é mais uma regra diária. Com cerca de 28 mil pessoas imunizadas com as duas doses da vacina, a expectativa dos habitantes agora é para a conclusão dos estudos que comprovem a garantia da proteção contra a doença.

Ainda assim, os moradores da pequena cidade paulista já conseguem ver uma luz com os indicadores da pandemia. A média móvel de casos na cidade se mantém abaixo de 35 desde o início de março deste ano, de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Saúde de São Paulo. No período mais crítico da doença no município, em fevereiro deste ano, esse indicador chegou a ultrapassar a média de 100 casos.

Um estudo conduzido pelo Instituto Butantan, que lidera a vacinação em massa no município com a Coronavac, apontou a diminuição significativa de mortes em decorrência da doença — de 19 para seis entre os meses de março e abril, uma redução de quase 70%. Os resultados oficiais da iniciativa, batizada de “Projeto S”, começarão a ser divulgados ainda em maio pelo órgão. A informação é do portal R7.

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O professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Borges, diretor do Hospital Estadual de Serrana, celebrou a adesão do número de pessoas que aceitou voluntariamente participar da imunização. “Nós esperávamos uma cobertura vacinal de, pelo menos, 80%. Esse resultado mostra que a população entendeu a importância da vacinação e, consequentemente, da ciência”, considerou o especialista em entrevista ao site da instituição.

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No total, 98% das pessoas que poderiam tomar a vacina na cidade foram imunizadas, representando um estudo inédito no mundo. Poderiam ser vacinados todos os habitantes com mais de 18 anos e só ficaram de fora mulheres grávidas, pessoas com doenças crônicas e pessoas com sintomas de Covid-19. Essa definição aconteceu no início do projeto devido à falta de conclusões científicas sobre a vacinação para esses grupos.

A campanha de vacinação foi responsável por dar mais destaque à cidade no mapa de São Paulo e do Brasil, criando as alcunhas de “cidade da ciência” e “capital da vacina”. Teve gente que queria desesperadamente mudar para Serrana, e a movimentação nas imobiliárias da cidade cresceu exponencialmente.

“Mais de 100 pessoas além da demanda habitual nos procuraram. Tivemos uma semana de euforia. Um cliente de Recife chegou a dizer que compraria uma casa para conseguir se vacinar, mas a gente procurou a Secretaria da Saúde, e eles disseram que o mapeamento já havia sido feito”, explica Manoel Messias de Oliveira, dono de uma imobiliária local em entrevista ao portal El País.

Vacinação como caminho para a economia

Ter uma população inteiramente vacinada contra a Covid-19 é um ativo raro atualmente, e a gestão pública do município quer tirar bom proveito disso. Uma fábrica de panos de limpeza, por exemplo, ocupará uma área de cinco mil m² na cidade e deve ter a obra concluída até 2022. Em entrevista ao jornal local EPTV 2, o diretor comercial Paulo Mello disse que o foco do investimento é garantir a saúde dos colaboradores e, desse modo, evitar faltas durante o ano.

“Hoje, nós somos 70 colaboradores, com produtos em todo o Brasil. A nossa intenção é triplicar a produção e triplicar o número de colaboradores. Acredito que com a vacinação em massa, nós vamos colher os frutos durante o ano inteiro que vem. A saúde é uma coisa muito importante”, afirmou Mello.

Até agora, 28 empresas já formalizaram o termo de interesse junto ao poder público. A expectativa do executivo municipal é gerar um total de 500 vagas de emprego a médio prazo, fora os postos criados de forma indireta. A cidade acumula saldo positivo de 157 vagas com carteira assinada entre janeiro e março deste ano, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo G1.

A cidade de Serrana foi escolhida para participar do projeto por reunir elementos que fizeram do município o ideal para o projeto. "É uma cidade relativamente pequena, tinha uma grande porcentagem de casos ativos (5%, de acordo com inquérito sorológico feito em abril do ano passado) e tem mais de dez mil moradores que viajam todos os dias, circulação que propicia a proliferação de doenças infectocontagiosas", disse Marcos Borges. Além disso, ele destacou a parceria com a cidade de Ribeirão Preto, contando com o suporte de hospitais e universidades.

O estudo foi desenvolvido pelo Instituto Butantan, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e é realizado em parceria com a Secretaria de Saúde e a Prefeitura Municipal de Serrana. O estudo está registrado na base de dados internacional ClinicalTrials.gov. A participação é voluntária, e os dados dos cidadãos que tomarem a vacina são sigilosos.

População de Botucatu também será vacinada em massa

Toda a população adulta da cidade de Botucatu, no interior paulista, será vacinada contra a Covid-19 em um único dia, no próximo domingo, 16, de acordo com o portal da Veja. A previsão é que os 106 mil residentes com mais de 18 anos sejam imunizados com a vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca, conforme o Ministério da Saúde.

A imunização faz parte de uma ação em parceria com a Universidade de Oxford, laboratório AstraZeneca, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fundação Gates, Universidade Estadual Paulista (Unesp) e prefeitura de Botucatu. Além da vacinação, será feita a testagem de todos os casos suspeitos de Covid-19. Também será desenvolvido o sequenciamento genético dos vírus de todos que forem positivos.

Assim, o estudo, com estimativa para durar oito meses, deverá avaliar a efetividade da vacina contra as diferentes variantes do novo coronavírus. O trabalho também vai comparar os resultados da vacinação em massa contra o novo coronavírus. A data do início da imunização deve ser divulgada nos próximos dias.

(Com Agência Brasil)

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