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Coronavírus
NOTÍCIA

Xarope indicado em casos específicos de Covid-19 esgota em farmácias de Fortaleza

Algumas lojas localizadas na Capital apresentam escassez do remédio, que só deve ser prescrito à pessoas que apresentam tosse produtiva, sintoma pouco comum da doença

Gabriela Almeida
17:23 | 06/04/2021
O aumento das prescrições médicas ocorre de forma paralela ao disparo do número de casos de infecções por Covid-19 na Capital (Foto: JÚLIO CAESAR)
O aumento das prescrições médicas ocorre de forma paralela ao disparo do número de casos de infecções por Covid-19 na Capital (Foto: JÚLIO CAESAR)

O medicamento Cloridrato de Bromexina, que tem a função de xarope expectorante, esgotou em farmácias de Fortaleza após médicos indicarem seu uso a pacientes em estágio inicial de Covid-19. De acordo com informações divulgadas pelo Sindicato dos Farmacêuticos do Estado do Ceará (SINFARCE), nesta terça-feira, 6, algumas lojas localizadas na Capital apresentam escassez do remédio, que só deve ser prescrito à pessoas que apresentam tosse produtiva, sintoma pouco comum da doença.

Segundo informações de uma farmacêutica atuante em Fortaleza, cujo nome não será identificado, o esgotamento do remédio acontece como consequência direta da alta procura. "O produto está em falta, pois não era algo que havia muita demanda, então os estoques eram baixos, quando começou a ser prescrito com maior frequência, as redes não possuíam estoque suficiente", destaca.

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O POVO entrou em contato com algumas unidades de redes como a Extra Farma, Pague Menos, Drogasil e Pró-vida, e ouviu de funcionários que o medicamento tinha se esgotado no local. Em uma dessas lojas, o atendente chegou a confirmar que o remédio, também conhecido apenas como Bromexina, é bastante procurado por pacientes que buscam tratar sintomas da patologia e alegam indicação de especialistas.

O aumento das prescrições médicas ocorre de forma paralela ao disparo do número de casos de infecções por Covid-19 na Capital, epicentro da pandemia no Ceará. Enfrentando a segunda onda pandêmica e variantes ainda desconhecidas da doença, o Município tem recursos de saúde saturados e tenta frear a transmissão do vírus que provoca a patologia.

Uso para tratamento específico

A farmacêutica que conversou com a reportagem afirmou que o remédio não tem ação direta contra o vírus, pois atua apenas para o tratamento de tosses que apresentam catarro, sintoma que aparece apenas em alguns pessoas. "Ele (o medicamento) pode ser usado para tratar a tosse produtiva que alguns pacientes podem apresentar, já que é um xarope mucolítico, ou seja ele fluidifica a secreção e ajuda na expectoração", destaca.

Carlos Franco, farmacêutico que atua no Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ), endossa a afirmação da colega de profissão e informa ainda que "não existe comprovação alguma da medicina para o tratamento da Covid-19" com o remédio. O especialista frisa que, na grande maioria dos casos de infecções, o paciente apresenta tosse seca, sem a presença de catarro.

Para esse quadro, ele pontua que não há necessidade do uso de xarope, uma vez que o remédio funciona justamente para soltar o catarro do peito. Além disso, o profissional destaca que comprar o "medicamento sem necessidade" seria um gasto de dinheiro e colocaria o paciente ainda sob riscos de efeitos adversos específicos do remédio.

"Como todo e qualquer medicamento a gente só pode fazer uso com com indicação", pontua o especialista, destacando ainda que alguns médicos podem se precipitar nas prescrições pelo fato do contexto sanitário ser algo novo e que provoca "histeria".

Em caso de não apresentar sintomas graves da doença, o paciente pode- segundo o farmacêutico, procurar de forma segura por farmácias e sob orientação adquirir um remédio especifico para o que sente. Por exemplo, se sentir dor de cabeça comprar um analgésico ou se tiver febre tomar um "antifebril".

Com informações da repórter Jéssika Sisnando