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Coronavírus
Noticia

Hospitais privados alertam para falta de medicamento contra Covid-19

Alguns medicamentos só têm estoque para quatro dias ou menos e outros já estão em falta

Júlia Duarte
16:16 | 20/03/2021
Movimentação intensa de ambulâncias chegando ao Hospital Hapvida, nesta manhã, 11 (Foto: Fabio Lima/ O Povo)
Movimentação intensa de ambulâncias chegando ao Hospital Hapvida, nesta manhã, 11 (Foto: Fabio Lima/ O Povo)

A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) alerta para falta de medicamentos essenciais para o tratamento de pacientes de Covid-19 no Brasil. O problema foi relatado em reunião com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e outras entidades da saúde, na última quinta-feira, 18. A associação citou a baixa de sedativos necessários para intubação, entre outros medicamentos.

A entidade fez uma pesquisa entre seus associados, um recorte com 40 respondentes, que indicou baixa dos estoques. Alguns medicamentos têm reserva de apenas cinco dias, em média, como é o caso do propofol, um tipo de anestésico, e cisatracurio, um bloqueador neuromuscular de administração endovenosa. Outros já estão falta, no caso do cetamina, um tipo de medicamento para induzir e manter a sedação, além de anestésicos como propofol e o anticoagulante clexane.

Confira a lista de medicamentos e dias esperados para finalizar o estoque:

•Propofol - 4 dias
•Cisatracurio - 4 dias
•Atracúrio - 4 dias
•Rocuronio - 9 dias
•Midazolam - 14 dias
•Fenatanila - 19 dias

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Durante a reunião, a Anahp ressaltou que a Anvisa se comprometeu a facilitar processos como medida emergencial, além de revisar Resoluções da Diretora Colegiada que dizem respeito à importação e prova negativa do desabastecimento. A entidade ressaltou estar trabalhando para ajudar a encontrar alternativas para o desabastecimento do mercado, em parceria com demais entidades e órgãos competentes. Entretanto, enfatizou a necessidade de atenção por parte da população para as regras de isolamento social, que são fundamentais neste momento crítico da pandemia.

Por meio de nota, a rede Hapvida informou que não há desabastecimento, nem risco, da falta de insumos ao combate e tratamento à Covid-19. Já a Unimed Fortaleza ressaltou que tem se articulado para assegurar o abastecimento de medicamentos e manter os estoques em níveis aceitáveis. A diretoria do Hospital Regional da Unimed tem reforçado ainda com a equipe a importância do uso responsável dos medicamentos para garantir o atendimento adequado aos seus pacientes.

Em carta aberta, a associação mostra preocupação com a situação do setor privado por ser "bastante preocupante e, certamente, atingirá o seu ápice nos próximos dias". A Anahp ressaltou que o governo tem trabalhado para garantir os insumos necessários para a atenção aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), mas é preciso atenção para o setor privado.

"Caso essas instituições fiquem sem as medicações necessárias para os procedimentos exigidos em pacientes acometidos pela Covid-19, a alta demanda dos hospitais privados sobrecarregará ainda mais o setor público- agravando a situação do sistema de saúde brasileiro", ressaltou em comunicado. 

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Nos últimos dois dias, houve várias requisições, desorganizando a cadeia de suprimentos e privando hospitais dos recursos necessários já contratados para atender à crescente demanda de pacientes com a Covid-19. No texto, a entidade solicita ao Ministério da Saúde e demais órgãos competentes atenção urgente em relação à esta questão crítica que a saúde.

Setor público

A baixa dos medicamentos tem preocupado também o setor privado. O Fórum Nacional de Governadores informou que na última quinta-feira, 18, enviou carta ao Ministério da Saúde para alertar sobre o baixo estoque de medicamentos do chamando “kit entubação”, utilizado para entubar de pacientes que estão em tratamento contra a Covid-19 em unidades de tratamento intensivo (UTIs).

Os governadores pediram a compra emergencial de bloqueadores neuromusculares, anestésicos e sedativos pelo período mínimo de 60 dias e a distribuição para todos os estados por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). 

No documento, os governadores afirmam que o monitoramento feito pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) mostra que 11 medicamentos do kit estão em falta ou com estoque para 20 dias em 10 estados. No caso dos bloqueadores neuromusculares, 18 estados registram falta ou estoque baixo, que também deve durar 20 dias. 

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