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Coronavírus
NOTÍCIA

Em 24 horas, Brasil registra 2.286 óbitos por Covid-19, novo recorde

Nenhum país no mundo está registrando mais mortes por Covid no mundo, diariamente, que o Brasil. De ontem, 9, para hoje, 79.876 novos casos foram confirmados. Assim, com o levantamento mais recente, o País soma 270.656 óbitos e 11.202.305 pessoas já infectadas pelo coronavírus

19:53 | 10/03/2021
A média móvel de óbitos por Covid-19 cresce exponencialmente e atinge recordes desde o dia 27 de fevereiro (Foto: MICHAEL DANTAS / AFP)
A média móvel de óbitos por Covid-19 cresce exponencialmente e atinge recordes desde o dia 27 de fevereiro (Foto: MICHAEL DANTAS / AFP)

Atualizado às 21h38min

O Brasil registrou nesta quarta-feira, 10 de março (10/03), um novo recorde de óbitos diários por Covid-19: em 24 horas, 2.286 pessoas morreram em decorrência da doença no País, segundo dados atualizados às 18h10min pelo Ministério da Saúde. Esta é a primeira vez, desde o início da pandemia, que o Brasil ultrapassa dois mil óbitos causados pela Covid-19 em apenas um dia. Ainda, os números de hoje fazem parte de uma sequência de recordes de óbitos diários.

De ontem, 9, para hoje, 79.876 novos casos foram confirmados. Assim, com o levantamento mais recente, o Brasil soma 270.656 óbitos e 11.202.305 pessoas já infectadas pelo coronavírus. No mundo, nenhum país está tendo tantas mortes diariamente quanto o Brasil, conforme índices divulgados por autoridades sanitárias de cada nação. Os Estados Unidos seguem esse ranking de mortos/dia. 

Os Estados brasileiros mais afetados nesta contagem de óbitos são, em ordem decrescente, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Esta quarta-feira também representou más notícias para o Ceará, que chegou a 12.014 mortes em decorrência da Covid-19, além de 454.325 diagnósticos positivos.

A nível nacional, a média móvel de casos confirmados registrou hoje 69.096, enquanto o mesmo dado, mas em relação a óbitos, ficou em 1.626, batendo recorde pelo 12º dia consecutivo. A média móvel de óbitos por Covid-19 cresce exponencialmente e atinge recordes desde o dia 27 de fevereiro. Em todo o País, há 9.913.739 pessoas recuperadas da doença e 1.017.910 em acompanhamento. A taxa de letalidade é de 2,4%.

Paralelamente, um levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa indica índices ainda maiores: 2.349 mortes no último dia e média móvel de óbitos em 1.645. Os dados foram consolidados até às 20 horas de hoje. O consórcio — integrado por veículos como TV Globo, G1, GloboNews, O Globo, Extra, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e UOL — objetiva fazer seus próprios balanços da pandemia no Brasil, independente do Ministério da Saúde.

Professora alerta para subnotificação de casos

Isabel Leite, professora de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), diz que o “crítico” momento atual da pandemia é carregado por questões que não existiam na primeira onda, em 2020: as novas variantes e a existência de vacinas. As incertezas que rodeiam estes dois pontos abastecem os temores da população. Além disso, ela faz o alerta para a subnotificação de casos da Covid-19, que pode atualmente ser resultado da concentração de esforços na compra e distribuição de vacinas para os municípios.

Para Isabel, a vacinação contra Covid-19 seria uma solução para a crise sanitária, caso ocorresse de forma “rápida” e “em massa”, o que não é o cenário brasileiro, onde as doses do imunizante chegam em “conta-gotas”.

Conforme balanço mais recente, divulgado ontem pelo Ministério da Saúde, 8.736.891 receberam pelo menos uma dose do imunizante — 4,13% da população total. A segunda dose foi aplicada em 2.975.266 indivíduos, representando 1,41% da população.

Hoje, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assinou Projeto de Lei que autoriza Estados, municípios e o setor privado a comprarem vacinas com registro ou autorização temporária de uso.

A pesquisadora reforça decisões pequenas e individuais no enfrentamento da doença. O uso de máscara, assim como o distanciamento e isolamento social, permanece fundamental na pandemia. “Essas medidas simples é que tentam, de alguma maneira, conter o avanço da pandemia, associadas, sem dúvida nenhuma, neste momento, à vacina. Existe um conceito também de cidadania e de coletividade [que] é carente para grande parte da nossa população. Há que se pensar melhor em retomar esses cuidados, principalmente a população mais jovem e economicamente ativa, que continua sem uso de máscara, expondo seus familiares”, alarma Isabel.

Em sua visão, a pesquisadora acredita que o novo recorde de óbitos diários não marca um fim ou um pico da segunda onda. “Não sei se as duas mil mortes de hoje fecham esse ciclo. Tenho nenhuma confiança nisso, acho que ainda avança mais um pouco. Convivemos com variantes, convivemos com pessoas aflitas por vacina, pessoas que inclusive vacinadas já se consideram seguras [para sair de casa]”, reflete.

Conass

Em seu perfil no Twitter, o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) — entidade que divulgou nesta quarta-feira os números atuais do Brasil antes do Ministério da Saúde —, Carlos Eduardo Lula, refletiu sobre o recorde de mortes no País: “Ultrapassamos a marca dos 2 mil óbitos. O dia mais letal desde o início da pandemia em nosso país. E, infelizmente, o horizonte ainda aponta para uma piora do quadro. Até quando?”