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Coronavírus
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"Oxigênio acabou e hospitais de Manaus viraram câmara de asfixia", diz pesquisador da Fiocruz-Amazônia

Situação relatada por profissionais de saúde da linha de frente da Covid-19 é de colapso total do sistema. Pacientes estão recebendo oxigenação de forma manual, já que os respiradores estão sem oxigênio

13:44 | 14/01/2021
Avião militar C-130, da FAB, com cilindros de oxigênio para tratamento de pacientes de covid-19 em Manaus. (Foto: Divulgação/Centro de Comunicação Social da Aeronáutica)
Avião militar C-130, da FAB, com cilindros de oxigênio para tratamento de pacientes de covid-19 em Manaus. (Foto: Divulgação/Centro de Comunicação Social da Aeronáutica)

A situação em Manaus voltou a se agravar nas últimas horas, segundo relato de profissionais da saúde que atendem pacientes de Covid-19. O pesquisador Jesem Oerellana, da Fiocruz-Amazônia, afirmou à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que tem recebido vídeos, áudios e telefonemas de pessoas que atuam na linha de frente de unidades de saúde com informações dramáticas.

"Estão relatando efusivamente que o oxigênio acabou em instituições como o Hospital Universitário Getúlio Vargas e serviços de pronto atendimento, como o SPA José de Jesus Lins de Albuquerque. Acabou o oxigênio e os hospitais viraram câmaras de asfixia", diz Oerellana.

"Os pacientes que conseguirem sobreviver, além de tudo, deve ficar com sequelas cerebrais permanentes", alerta o pesquisador.

Ainda de acordo com Mônica Bergamo, profissionais da área de saúde que afirmam que a situação é dramática e muitas pessoas ainda vão morrer já nas próximas horas por falta de assistência.

Uma das profissionais relatou, chorando, que os pacientes estão sendo "ambuzados", ou seja, recebendo oxigenação de forma manual, já que os respiradores estão sem oxigênio. De acordo com ela, cada profissional consegue ambuzar um paciente por no máximo 20 minutos, quando tem que ceder lugar a outro técnico, o que torna a rotina de procedimentos arriscada, insuportável e caótica.

A técnica de enfermagem aposentada Solange Batista, que está com a irmã internada no Hospital Universitário Getúlio Vargas, em Manaus, também denunciou ao portal G1 que falta oxigênio na unidade. A irmã dela seria transferida para a a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) nesta quinta-feira, 14, mas não conseguiu pela falta do insumo.

O G1 esteve no hospital hoje e presenciou cenas de tensão e desespero no local. Médicos que transportavam cilindros nos próprios carros para trazer ao hospital e familiares tentando comprar o insumo foram algumas das cenas registradas.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, 14, o Hospital Universitário Getúlio Vargas informou que tem conhecimento sobre a falta de oxigênio. A unidade diz que o problema afeta não apenas o hospital, mas toda a cidade de Manaus e diz apoiar as ações do Ministério da Saúde, que coordena os esforços de combate à Covid-19 no Estado.

Ainda no comunicado, a unidade afirmou que tem contrato vigente de fornecimento de oxigênio, mas não recebeu o suficiente para atender a sua demanda e tenta solucionar o problema no menor prazo possível.