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Coronavírus
NOTÍCIA

Amazonas pretende usar maternidade para atender pacientes com Covid e sindicato de médicos critica plano

Estado já acumula mais de 200 mil casos da doença causada pelo coronavírus e bateu recorde de maior número de internações em 24h na véspera do Réveillon

21:24 | 02/01/2021
De acordo com o governador, o estado do Amazonas pretende utilizar um andar da maternidade para internar e tratar pacientes com Covid-19 a partir da próxima semana.  (Foto: Reprodução/ Google Street View)
De acordo com o governador, o estado do Amazonas pretende utilizar um andar da maternidade para internar e tratar pacientes com Covid-19 a partir da próxima semana. (Foto: Reprodução/ Google Street View)

Após plano que colocaria o Instituto da Mulher e a Maternidade Dona Lindu para atender pacientes com Covid-19 ser divulgado pelo governador do estado do Amazonas, Wilson Lima (PSC), o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) criticou a ideia do governo. Ele esteve em frente da maternidade neste sábado, 2, e disse que a utilização da unidade de saúde pode gerar uma onda de infecções para as mulheres grávidas atendidas no local.

A maternidade ainda não está sendo usada para receber pacientes com a doença. O governador Wilson Lima anunciou que a unidade está sendo preparada para abrir 46 leitos clínicos e 13 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) voltados para atendimento de pacientes com Covid-19. De acordo com o portal G1, o governador ressaltou que o plano é que os novos leitos comecem a funcionar na próxima semana.

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"Recebi a notícia de que um andar do Instituto da Mulher vai ser fechado para receber apenas pacientes com Covid. E é paciente clínico, homem, mulher sem estar grávida, sem nada. Isso vai ser um foco de infecções dentro da maternidade. A gestação já é algo de risco para a doença. Por mais que se isole um andar, será um risco para os profissionais e pacientes que estão na unidade", criticou o presidente do Simeam em entrevista ao G1.

Conforme argumenta o médico, os erros cometidos pelas autoridades durante a primeira onda da Covid-19 no Brasil não podem ser repetidos. "O princípio básico para tratar doença infecciosa é isolar os pacientes que estão contaminados. O Governo teve tempo de se planejar, mas não aprendeu a lição. Os prontos-socorros já estão sobrecarregados com outras doenças. As pessoas vão ficar com medo de vir. Vão ficar em casa e não vão morrer de Covid, mas de outras coisas, em suas casas", disse.

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Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas (SES-AM) informou que o governo tem empreendido todos os esforços para a ampliação do número de leitos na rede estadual de saúde. "Desde o início da pandemia do novo coronavírus, todas as unidades de saúde da rede estadual estabeleceram fluxos diferentes, com portas de entrada segregadas e equipes de profissionais distintas, para o atendimento de pacientes com Covid-19 e pacientes de outras patologias. Esses fluxos seguem em funcionamento, inclusive nas maternidades, hospitais e fundações", explicou o órgão.

Covid-19 no Amazonas

A cidade de Manaus registrou o número recorde de 124 pessoas internadas com Covid-19 em um período de 24 horas, em 31 de dezembro de 2020, na véspera do Réveillon. O número é maior que o registrado em maio, no pico da pandemia do novo coronavírus no Brasil, e mais alto que o recorde anterior, registrado em 29 de dezembro, com 112 internados.

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Na última segunda-feira, 28 de dezembro, o decreto que restringia comércios e serviços não essenciais até 10 de janeiro foi revogado. O governo do estado iniciou a instalação de contêineres com câmaras frias para condicionar os corpos de vítimas de Covid-19 nos hospitais de referência e de tendas para a triagem dos pacientes e atendimento de familiares.

Em outra iniciativa, a Prefeitura de Manaus anunciou a preparação de um novo terreno no maior cemitério municipal, com a abertura de espaço para mais de mil covas, além da construção de gavetas funerárias para atender a demanda por enterros, que em dezembro de 2020 foi 21% maior do que o mês de dezembro de 2019.