PUBLICIDADE
Coronavírus
NOTÍCIA

Mundo celebra Natal diferente em tempos de confinamento

A Covid-19 provocou mais de 1,7 milhão de mortes em todo o planeta e os focos de contágios que continuam surgindo servem de recordação que, apesar da chegada das primeiras vacinas, a vida não voltará rapidamente à normalidade

08:32 | 25/12/2020
Pela pandemia, algumas tradições foram alteradas (Foto: Aswathy N on Unsplash)
Pela pandemia, algumas tradições foram alteradas (Foto: Aswathy N on Unsplash)

O Natal peculiar e triste foi celebrado em muitos países, com milhões de pessoas obrigadas a cancelar seus planos ou a limitar os festejos devido às restrições impostas para lutar contra a propagação da pandemia do novo coronavírus.

A Covid-19 provocou mais de 1,7 milhão de mortes em todo o planeta e os focos de contágios que continuam surgindo servem de recordação que, apesar da chegada das primeiras vacinas, a vida não voltará rapidamente à normalidade.

O papa Francisco celebrou sua tradicional com apenas 200 convidados, rigorosamente separados e usando máscaras, na imensa Basílica de São Pedro. O horário foi antecipado em duas horas, para as 19H30 locais, para cumprir o toque de recolher em vigor na Itália, que começa às 22H00.

"O tempo que temos não é para sentirmos pena de nós mesmos, mas para consolarmos as lágrimas dos que sofrem", declarou o papa argentino, segundo a homilia, dirigida a mais de 1,3 bilhão de fiéis em todo o mundo.

"Falamos muito, mas muitas vezes somos analfabetos quanto à bondade", acrescentou o papa. "Insaciáveis de possuir, nos lançamos em tantos presépios de vaidade, esquecendo o presépio de Belém", explicou.

Do lado de fora, a monumental Praça de São Pedro, iluminada com sua grande árvore de Natal, estava completamente deserta.

 Na Basílica da Natividade em Belém, poucos fiéis e clérigos celebraram a missa do Galo à meia-noite.

Na capela adjacente à basílica, geralmente lotada no Natal, as autoridades religiosas permitiram a entrada de apenas alguns convidados.

"Não podem dar as mãos, mas podem desejar paz uns aos outros", afirmou o patriarca latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa.

"Apesar do medo e da frustração, superaremos esta prova porque Jesus nasceu em Belém", completou.

Durante o dia, poucas pessoas acompanharam a tradicional procissão de Natal nas ruas de Belém, que normalmente atrai milhares de peregrinos.

"Este ano é diferente porque não viemos para rezar na igreja da Natividade, nem conseguimos reunir a família. Todos estão com medo", confessa Jani Shaheen, ao lado do marido e dos dois filhos, diante da basílica construída onde teria nascido Jesus Cristo.

Estados Unidos

Nos Estados Unidos, onde a Covid-19 segue em propagação acelerada, com quase 3.300 mortos e 223.000 casos confirmados em 24 horas, o Natal também foi marcado pela pandemia.

Em seu clube em Mar-a-Lago, Flórida, o presidente Donald Trump, cada vez mais isolado em sua tentativa de reverter a vitória eleitoral de Joe Biden, publicou seus desejo de fim de ano no Twitter entre várias mensagens insistindo, sem provas, na tese de "fraude" na votação.

Em uma mensagem gravada ao lado da primeira-dama Melania Trump, o presidente americano celebrou o "milagre de Natal" do início da campanha de vacinação que já permitiu a aplicação da primeira dose em mais de um milhão de americanos, segundo as autoridades.

E Papai Noel recebeu 'permissão formal' do Departamento de Agricultura da Flórida para entrar no estado com suas renas e entregar presentes.

Mas o bom velhinho terá que usar máscara durante o percurso, destacou o Departamento. Na semana passada, o imunologista Anthony Fauci afirmou que viajou ao Polo Norte para vacinar Papai Noel.

Austrália

 A Austrália, que chegou a ser mencionada como exemplo de boa gestão da crise sanitária, enfrenta atualmente uma nova conda de casos no norte de Sydney, onde os habitantes só podem convidar a suas casas 10 adultos e apenas cinco se moram no epicentro do foco de contágios.

Jimmy Arslan, que possui dois cafés localizados nos bairros mais afetados, registrou queda de 75% no volume de negócios. E não poderá encontrar a família, que mora em Canberra e não pode viajar para o Natal.

"Deveríamos dar as boas-vindas em 2021 e chutar 2020 no traseiro", brinca o homem de 46 anos.

Até o momento, Sydney ainda prevê receber 2021 com o famoso espetáculo de fogos de artifício. A primeira-ministra de Nova Gales do Sul, Gladys Berejiklian, prometeu um show de sete minutos.

Síria 

No nordeste da Síria, controlado pelos curdos, os residentes ignoraram a pandemia e participaram de uma cerimônia de iluminação de um pinheiro em um bairro cristão, sob o olhar atento das forças de segurança.

Europa

A maior parte da Europa enfrenta um de seus invernos mais tristes, com a aceleração da epidemia em vários países.

No Reino Unido, milhares de caminhoneiros europeus se passaram a noite bloqueados ao redor do porto de Dover, sul da Inglaterra, sem saber quando poderão atravessar a fronteira, obrigados a apresentar testes de resultado negativo para Covid-19 para entrar no continente.

"Todos nos dizem para esperar, mas não queremos esperar", lamentou o motorista polonês Ezdrasz Szwajan no aeroporto desativado de Manston, onde o governo britânico organizará testes de detecção da doença.

Brasil

As festas de Ano Novo também sofrerão as consequências. A cidade do Rio de Janeiro vai fechar o acesso à praia de Copacabana durante a noite do último dia do ano para evitar aglomerações diante do novo aumento de infecções da Covid-19.

A tradicional festa com shows e fogos de artifício que atrai multidões à praia de Copacabana todos os anos já havia sido descartada devido ao vírus, que já deixou quase 25 mil mortos no estado do Rio.


hr/arb/jac/at/bc/zm/fp/ic