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Coronavírus
NOTÍCIA

Reabertura das escolas é defendida pela Unicef, Unesco e Opas/OMS, que definem medidas para a retomada

As organizações avaliam impactos do fechamento prolongado sobre a educação e a saúde das crianças; além do agravamento de desigualdade e outras repercussões.

Ismia Kariny
14:14 | 29/09/2020
A estimativa do Unicef é de que 44 milhões de estudantes ficaram longe das salas de aula, durante o período de isolamento social. (Foto: Barbara Moira/O POVO)
A estimativa do Unicef é de que 44 milhões de estudantes ficaram longe das salas de aula, durante o período de isolamento social. (Foto: Barbara Moira/O POVO)

Reabertura segura das escolas deve ser prioridade, segundo o Fundo das Nações Unidas (Unicef). O órgão alerta que o fechamento prolongado das escolas pode ter impactos na vida de crianças e adolescentes, como a perda educacional e da equidade, e ainda repercussões na saúde geral e bem-estar desses jovens. Assim, pede que sejam priorizados investimentos para reabrir as instituições de ensino com segurança, levando em consideração a situação da pandemia em cada localidade.

“O fechamento de instalações educacionais deve ser considerado apenas quando não houver outras alternativas”, pontua o Unicef. O órgão frisa que “com base nos melhores dados disponíveis, a Covid-19 parece ter um efeito direto limitado sobre a saúde das crianças, sendo responsável por cerca de 8,5% dos casos relatados em todo o mundo, e muito poucas mortes”.

Há impactos negativos na saúde, na educação e no desenvolvimento infantil, complementa o Unicef. Ainda os efeitos na renda familiar e na economia em geral. Por isso, o órgão pede que os governos nacionais e locais considerem a priorização da continuidade da educação, investindo em medidas abrangentes e multifacetadas para prevenir o início e a propagação do Sars-CoV-2 em ambientes educacionais, ao mesmo tempo em que limitam a transmissão na comunidade.

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A estimativa do Unicef é de que 44 milhões de estudantes ficaram longe das salas de aula. Conforme a avaliação do órgão, manter as escolas fechadas pode agravar desigualdades de aprendizagem no País, impactando sobretudo meninas e meninos em situação de vulnerabilidade. 

A representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer, lembra que uma parcela das crianças brasileiras se alimentam prioritariamente na escola, que é ainda um espaço que favorece a proteção contra a violência. Com os adultos retornando ao trabalho, há ainda o risco das crianças ficarem sozinhas ou ao cuidado de familiares ou vizinhos, dessa forma, mais expostas à negligência e ao trabalho infantil.

A reabertura das escolas é defendida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), juntamente com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Organização Pan-Americana da Saúde vinculada à Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS). As organizações definiram medidas que levam em consideração a situação da pandemia em cada localidade.

Foram estabelecidos quatro níveis, com recomendações específicas para cada caso, desde quando e como reabrir as instituições de ensino aos procedimentos de segurança que devem ser adotados.

Entre as recomendações de prevenção e controle da Covid-19 nas escolas, estão:

- distanciamento físico entre as pessoas, dentro e fora das salas de aula;

- distanciamento físico entre grupos na organização das atividades escolares;

- uso de máscaras em ambientes escolares, de acordo com o recomendado por faixa etária;

- garantia de ventilação dos ambientes escolares;

- promoção de práticas frequentes de higiene e limpeza nas escolas;

- comunicação frequente com famílias, estudantes, professores e demais profissionais da escola;

- reorganização o transporte escolar e os horários de chegada/saída;

- monitoramento e encaminhamento dos casos de Covid-19 detectados entre estudantes, professores e demais profissionais da escola.

Serviço

As medidas divulgadas pela Unicef, no último dia 14 de setembro, substituem documento publicado pela Organização Mundial da Saúde em 10 de maio, definindo ações de saúde pública relacionadas às escolas no contexto do Covid-19.

Veja o documento na íntegra aqui

As principais mudanças se baseiam no risco para as atividades escolares, levando em consideração o nível e a intensidade da transmissão em estados e municípios, além da idade para o distanciamento físico e o uso de máscaras no ambiente escolar; e medidas de prevenção ao início e a propagação do Sars-CoV-2 no ambiente educacional.