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Coronavírus
NOTÍCIA

Monitoramento e rastreio de contatos diretos de pacientes com Covid-19 no Ceará serão intensificados a partir de outubro

Rastreio de pessoas que tiveram contato com situações de grande risco de contágio será intensificado pelo sistema de atenção primária de saúde em todo o Estado

Alan Magno
23:06 | 22/09/2020
Rastreio e monitoramento de contatos diretos dos pacientes com Covid-19 será intensificado pelo sistema de atenção primária de saúde em todo o Estado a partir de outubro (Foto: Fabio Lima)
Rastreio e monitoramento de contatos diretos dos pacientes com Covid-19 será intensificado pelo sistema de atenção primária de saúde em todo o Estado a partir de outubro (Foto: Fabio Lima)

A busca ativa por pessoas com grande risco de contágio pelo novo coronavírus no Ceará será intensificada a partir de outubro. Ação de monitoramento e rastreio de pessoas que tiveram contato com casos confirmados da Covid-19 ou fazem parte do grupo de risco para a doença deverá ser fortalecida por meio de um programa de incentivo do Ministério da Saúde (MS). Serão repassados R$ 16,6 milhões para os municípios cearenses fortalecerem as ações num período de três meses, até o fim deste ano.

COMO VAI FUNCIONAR?

Ao todo, a força tarefa cearense, que deverá aliar forças com as ações de Vigilância Sanitária determinadas pelo próprio MS em razão da pandemia, será composta por 2.776 profissionais das áreas da saúde e social, exclusivos para o rastreio e monitoramento desses casos com propósito de quebrar os ciclos de transmissão do vírus.

O serviço de rastreio ser feito por meio de visitas domiciliares agendadas e também por ligações. Por meio desse sistema, os pacientes identificados serão conduzidos para unidades básicas de saúde de cada município a fim de realizarem um cadastros e receberem um primeiro atendimento, no qual serão submetidos ao teste de diagnóstico e a depender do resultado serão orientados a se isolarem totalmente por um período de até 10 dias.

O tempo é necessário para que os sintomas se manifestem ou não e o paciente atinja um nível de infecção baixo o suficiente para garantir que não haverá risco de transmissão da Covid-19. Além desse serviço de rastreio, ocorrerá ainda um sistema de busca ativa ou da identificação de perfil passível de monitoramento durante atendimento nas unidades básicas de saúde de cada município.

Com isso, pacientes que chegarem às unidades e forem identificados com Covid-19 deverão realizar o mesmo cadastro dos selecionados na busca ativa, para que as equipes de rastreamento entrem em contato com seus familiares, amigos, colegas de trabalho e vizinhos a fim de alertar sobre a necessidade de redobrar os cuidados por um período de 10 dias.

Todas as pessoas que tiverem contato direto com o caso confirmado serão monitoradas, orientadas a permanecerem casa e submetidas ao teste como forma de interromper o surgimento de um novo foco de transmissão do novo coronavírus naquela comunidade. Buscas na região na qual o paciente mora também deverão ocorrer com o mesmo propósito. A ideia do ministério também busca garantir que os pacientes que apresentem sintomas recebam tratamento imediato.

O profissional de saúde deve registrar as ações de rastreamento e monitoramento de contatos de casos de Covid-19 no sistema de informação do Ministério da Saúde, e-SUS e notificar as autoridades competentes sobre a identificação de um provável casos suspeito de Covid-19.

RECOMENDAÇÕES SERÃO REFORÇO AO PROTOCOLO ESTADUAL

Procurada pelo O POVO, o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems) destacou que as determinações do ministério serão um reforço às iniciativas que já estavam sendo implementadas pelos governos municipais. A presidente da entidade, Sayonara Cidade, destacou que desde o início do período pandémico as secretarias municipais se reuniam semanalmente como forma de alinhar as ações enfrentamento ao novo coronavírus.

“Havia uma reunião semanal metodologia de trabalho, alinhando com todos os gestores do SUS e secretários de saúde, trabalhando essa questão do monitoramento e bloqueio porque era imprescindível trabalhar com a atenção primária e isso já vínhamos trabalhando no Ceará”, comentou.

A gestora pontuou ainda que técnicos da Escola de Saúde Pública do Ceará elaboraram um protocolo aprovado por todos os gestores de saúde em âmbito municipal para guiar as ações de acolhimento dos pacientes com Covid-19, desde a identificação até o internamento, nos casos graves. “Ainda que cada município tinha sua forma de organização de suas ações, todos seguiram as médias do plano, onde esse rastreio já era identificada como fundamental”, completou.

Com os recursos, a presidente do Cosems destacou que espera que os municípios que ainda não tinham consolidado uma frente de monitoramento e rastreio dos casos suspeitos e, principalmente, de pacientes com comorbidades fortaleçam suas ações nesse sentido. Ela frisou a importância de alinhamento de ações, em especial na atuação dos “Centros de Covid”, equipamentos de saúde exclusivos para enfrentamento à pandemia.

INVESTIMENTOS

Objetivo do projeto é destinar recursos e profissionais para os municípios dos estados brasileiros de modo que as unidades de atenção primária de saúde possam fortalecer o atendimento, identificação, rastreio e, por fim, monitoramento de pessoas que se encontrem em grande risco de contágio. A medida procura desacelerar ainda mais a propagação da Covid-19, especialmente dentre micro núcleos sociais, como famílias, bairros e comunidades.

Para viabilizar a implementação do sistema de rastreio, o MS elaborou um programa de repasse de recursos por meio da portaria portaria nº 2.358, de 2 de setembro, onde autoriza o repasse de verbas e de contratação de profissionais de saúde de acordo com a população de cada cidade. A medida entrou em vigor no dia 4 de setembro e prevê o pagamento dos recursos em uma única parcela para todos os municípios beneficiados ao fim de outubro.

Fortaleza deverá receber o total de R$ R$ 4 milhões e deve destinar no mínimo 668 profissionais, dentre 20 áreas da saúde e social para amparar nas ações. Participarão, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas, psicólogos dentre outros, todos com carga horária de 20h semanais e remuneração de R$ 6 mil. Na Capital, todos os 116 postos de saúde deverão dar suporte ao processo de rastreamento e identificação dos casos com risco de contágio elevado.

As unidades já realizam um sistema de monitoramento parecido desde agosto quando passaram a realizar o teste molecular RT-PCR, para identificar a Covid-19, como forma de diagnosticar e realizar uma triagem nos pacientes que buscavam atendimento, orientando o isolamento aos casos positivos e seus contatos diretos e passava a acompanhar a evolução desses quadros. Com o reforço do MS, em Fortaleza deverão ser 469 equipes multiprofissionais atuando com exclusividade para essa dinâmica de monitoramento.