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Coronavírus
NOTÍCIA

Vacina russa contra Covid-19 mostra reposta imune sem efeitos adversos aponta estudo preliminar

Houve apenas reações sistêmicas e locais, as mais comuns foram dor no local da injeção, hipertermia (temperatura corporal de 37–38 ° C), dor de cabeça, astenia(fadiga) e dores musculares e articulares

Júlia Duarte
09:27 | 04/09/2020
A  Rússia anunciou que a entrega do primeiro lote da vacina para Covid-19 "Sputnik V", aprovada pelo país este mês, está prevista para setembro (Foto: Divulgação)
A Rússia anunciou que a entrega do primeiro lote da vacina para Covid-19 "Sputnik V", aprovada pelo país este mês, está prevista para setembro (Foto: Divulgação)

A vacina russa contra Covid-19, chamada "Sputnik V", induziu respostas imunes e não mostrou efeitos adversos, indicou os estudos preliminares publicados na revista científica sobre Medicina, The Lancet, nesta sexta-feira, 4. Os cientistas, entretanto, reconheceram a necessidade de investigação adicional para comprovar sua eficacia.

A vacina foi registrada em agosto, mas gerou desconfiança na área cientifica pela falta de estudos. "Estamos em contato estreito com os russos e as discussões continuam. A pré-qualificação de qualquer vacina passa por procedimentos rigorosos", afirmou, na época, Tarik Jasarevic, porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A vacina russa foi testada em 76 pessoas e todas receberam uma forma da vacina, sem grupo controle. O resultado, referente às fases 1 e 2, mostrou o desenvolvimento de anticorpos contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2) dentro de 21 dias. Em contrapartida, não houve efeitos adversos até 42 dias da aplicação da vacina.

Segundo o estudo, houve apenas reações sistêmicas e locais. As mais comuns foram dor no local da injeção, hipertermia (temperatura corporal de 37–38 ° C), dor de cabeça, astenia (fadiga) e dores musculares e articulares, que são consideradas típicas para vacinas baseadas em vetores virais recombinantes. Nenhum levou à retirada de um participante do estudo ou retirada do medicamento do estudo.

Em geral, os eventos adversos identificados durante a fase 1 e a fase 2 foram característicos de outras vacinas (particularmente aquelas baseadas em vetores virais recombinantes). "Nenhum evento adverso sério foi relatado e todos os participantes estavam clinicamente bem ao longo do estudo", explica a pesquisa.

O artigo sugere que a vacina produz também uma resposta das células T dentro de 28 dias. As células T é um tipo de célula de defesa do corpo, que age, entre outras funções, para destruir células infectadas por um vírus.

As fases 1 e 2 dos testes de uma vacina estudam eficácia e segurança, com uma quantidade menor de pessoas. Normalmente, os testes de fase 1 têm dezenas de voluntários, os de fase 2, centenas, e os de fase 3, milhares. Nessa fase, o objetivo dos testes é verificar a eficácia em larga escala.

Os cientistas explicam que uma das limitações do estudo é justamente essa, o baixo número de participantes. Além disso, eles ressaltam a curta duração do acompanhamento (42 dias), bem como nenhum placebo ou vacina de controle ter sido usada. Nesses casos, o paciente recebe uma substância inativa, o placebo, para que os cientistas possam comparar os efeitos em quem recebeu a vacina com os de quem não recebeu.

A pesquisa analisa que a inclusão apenas de voluntários do sexo masculino em algumas partes da fase 1 e a aplicação da vacina em voluntários bastante jovens (20-30 anos), apesar do planejamento de recrutar pessoas saudáveis com idade entre 18 e 60 anos, são também limitações do trabalho."Mais pesquisas são necessárias para avaliar a vacina em diferentes populações, incluindo grupos de idade avançada, indivíduos com condições médicas subjacentes e pessoas em grupos de risco", afirma a pesquisa.

Duas formas da vacina foram testadas: uma congelada, destinada a cadeias de produção globais, e outra liofilizada (desidratada), destinada a locais difíceis de alcançar. As duas com o vetor de adenovírus recombinante tipo 26 (rAd26) e um vetor de adenovírus recombinante tipo 5 (rAd5), ambos carregando o gene para coronavírus 2 de síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2 ) glicoproteína de pico (rAd26-S e rAd5-S).