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Coronavírus
NOTÍCIA

Hospital São José realiza teste internacional com antiviral

Em parceria com a OMS, o Hospital São José testará um paciente com o antiviral remdesivir, usado nos Estados Unidos em testes contra a Covid-19

11:56 | 04/09/2020
Hospital São José começa a receber outras demandas depois de atender quase exclusivamente Covid-19 (Foto: Aurelio Alves/O POVO) (Foto: Aurelio Alves/O POVO)
Hospital São José começa a receber outras demandas depois de atender quase exclusivamente Covid-19 (Foto: Aurelio Alves/O POVO) (Foto: Aurelio Alves/O POVO)

 

O Governo do Ceará, por meio do Hospital São José (HSJ) e da Secretaria da Saúde (Sesa), está contribuindo para o avanço do ensaio clínico Solidarity, elaborado pela pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Na busca por comprovar a eficácia de tratamentos no combate à Covid-19, a unidade está fazendo o uso do antiviral remdesivir, que já apresentou resultados positivos em análises nos Estados Unidos. Um paciente do HSJ, primeiro hospital do Ceará a fazer o teste, receberá a dosagem da medicação ao longo de dez dias.

“O Hospital São José é um dos centros que está colaborando com a OMS para a realização desse protocolo no Brasil, num estudo que já vem incluindo pacientes desde abril”, afirma o infectologista Érico Arruda, um dos responsáveis pela pesquisa no HSJ, em nota. O médico destaca a relevância do ensaio clínico que, no País, é coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde.

Na última década, o remdesivir já havia sido testado na tentativa de encontrar uma medicação eficaz para os vírus Marburg e Ebola. “O remdesivir é o medicamento que até o momento mostrou os melhores resultados nos estudos de ensaio clínico liberado nos Estados Unidos para uso específico de pessoas com Covid-19”, aponta Érico.

Entre as vantagens já identificadas em testes com o antiviral, um destaque é a diminuição do tempo de ventilação mecânica, em casos graves. Por conta dos avanços, em maio deste ano, a Agência de Administração de Alimentos e Drogas (FDA) aprovou o uso do fármaco para o tratamento da doença causada pelo SARS-CoV-2.

“Vários estudos levaram a resultados muito promissores, então o remdesivir parece ter uma atividade realmente antiviral. Ele age na replicação do vírus e, assim, a gente consegue diminuir a viremia (vírus no sangue) e, por consequência, a resposta inflamatória do paciente também”, detalha Melissa Medeiros, coordenadora do núcleo de pesquisa do HSJ, em nota. A infectologista afirma que, a partir dos estudos realizados, comprovou-se que o medicamento diminui o tempo de internação do paciente e evita a evolução para um caso mais grave.

A escolha do paciente foi randomizada, ou seja, feita de modo aleatório a partir das planilhas de medicação. Ao longo de dez dias, ele será acompanhado na unidade. Enviado pela Fiocruz somente para os hospitais que estão participando do ensaio clínico, o remdesivir não está disponível para venda nas farmácias. Desse modo, só terão acesso ao medicamento os 18 hospitais distribuídos em 12 estados brasileiros que integram o Solidarity.

Destaque nas pesquisas

 

No Hospital São José, as pesquisas têm ganhado protagonismo na avaliação dos efeitos do coronavírus e no aprimoramento das possibilidades de tratamento. Entre os estudos que tiveram avanço, um destaque é o teste com uma associação medicamentosa: um coquetel antirretroviral utilizado contra infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Outra análise pioneira avaliou a recorrência viral ou nova infecção, com importantes indicativos que constatam a reincidência da doença.

Na construção desses estudos, o HSJ estabelece parceria com diferentes órgãos na busca por avanços, além da OMS e da Fiocruz. São eles a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Universidade de Fortaleza (Unifor) e a Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (USP). Além de diversos setores da indústria farmacêutica.

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