PUBLICIDADE
Coronavírus
NOTÍCIA

Correios: 70% dos carteiros tiveram Covid-19 em Fortaleza, diz sindicato

Estatal ainda não confirmou dado apresentado por sindicato. Federação anunciou greve na noite dessa segunda-feira, 17

Rubens Rodrigues
15:54 | 18/08/2020
De braços cruzados (Foto: Reprodução)
De braços cruzados (Foto: Reprodução)

Aproximadamente 70% dos carteiros que trabalham na Grande Fortaleza testaram positivo para Covid-19. A informação é do coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Ceará (Sintect-CE), Veridiano Matos. Estatal ainda não se posicionou sobre o número de trabalhadores infectados. Na noite dessa segunda-feira, 17, cerca de 100 mil funcionários dos Correios entraram em greve em todo o País.

De acordo com o sindicalista, os Correios demoraram a fornecer equipamento de segurança, incluindo máscaras e álcool em gel, para os trabalhadores. Ele afirma que, no Estado, um funcionário morreu em decorrência da Covid-19. "Muitos companheiros nossos foram contaminados e os Correios não têm protocolo para lidar com isso. Nós tivemos alto índice de contaminação dos trabalhadores", afirma Veridiano Matos.

Ele diz ainda que, no Brasil, "mais de 100 companheiros perderam a vida por descaso da empresa" no período da pandemia. "Se a empresa tivesse dado proteção, isso não teria acontecido. Aqui no Ceará o índice de contaminação também foi alto. Em Iguatu, dos 18 carteiros que foram testados para o novo coronavírus, 10 confirmaram resultado positivo", continua.

"Em Fortaleza, cerca de 70% dos carteiros que estavam na ativa foram contaminados. E eles são vetor. Quando saem nas ruas, vão contaminando outras pessoas sem saber que estavam contaminados", destaca Veridiano.

LEIA TAMBÉM | Ceará passa dos 199 mil casos de Covid-19; são mais de 170 recuperados

Greve

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentect) informou que a paralisação é por tempo indeterminado. O protesto é contra a retirada de direitos, a privatização da empresa e a ausência de medidas para proteger os empregados da pandemia do novo coronavírus.

Em nota, a Federação afirma ter sido surpreendida com a revogação, a partir de 1º de agosto, do atual acordo coletivo, cuja vigência vai até 2021.

Segundo o Fentect, 70 cláusulas com direitos foram retiradas, como 30% do adicional de risco, vale-alimentação, licença-maternidade de 180 dias, auxílio-creche, indenização por morte e auxílio para filhos com necessidades especiais, além de pagamentos como adicional noturno e horas extras.

"Nós somos a estatal que paga pior seus funcionários e, desde a década de 80 (1980), os trabalhadores vêm trocando salários por benefícios. Os governos que passam não recuperam inflação e só acrescentam benefício", pontua ainda Veridiano Matos.

Posição dos Correios

Em nota enviada por meio da assessoria de imprensa, os Correios afirmam que não pretendem suprimir direitos dos empregados e propõe ajustes dos benefícios concedidos ao que está previsto na CLT e em outras legislações. Sobre os protestos sindicais, destaca que possuem um Plano de Continuidade de Negócios "para seguir atendendo à população em qualquer situação adversa".

A estatal diz que tem conseguido responder à demanda no período de pandemia "conciliando a segurança dos seus empregados com a manutenção das suas atividades comerciais", diferentemente do que foi levantado pelos sindicalistas.

"Desde o início das negociações com as entidades sindicais, os Correios tiveram um objetivo primordial: cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia", diz a empresa.

"A diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período - dez vezes o lucro obtido em 2019", continua a nota. Para a estatal, trata-se de uma proposta impossível de ser atendida.

A empresa ainda não respondeu a reportagem sobre o efetivo que aderiu à greve no Estado e nem sobre os trabalhadores afetados pela Covid-19. A nota destaca que esses dados estão em apuração e que novas informações poderão ser prestadas ainda nesta terça-feira, 18.

Com agências