PUBLICIDADE
Coronavírus
NOTÍCIA

Médicos cearenses fazem manifestação neste sábado pelas quase 100 mil mortes por coronavírus no Brasil

Objetivo da ação é cobrar responsabilização do presidente da República, Jair Bolsonaro. Médicos se reúnem neste sábado, 8, no Poço da Draga e lançam vídeo nas redes sociais

00:18 | 08/08/2020
O coletivo já havia realizado uma manifestação na Praia de Iracema, no dia 13 de junho

 (Foto: O coletivo já havia realizado uma manifestação na Praia de Iracema, no dia 13/06. Foto: Divulgação)
O coletivo já havia realizado uma manifestação na Praia de Iracema, no dia 13 de junho (Foto: O coletivo já havia realizado uma manifestação na Praia de Iracema, no dia 13/06. Foto: Divulgação)

Médicos cearenses, reunidos no Coletivo Rebento - Médicos em Defesa da Ética, da Ciência e do SUS, realizam a partir das 9 horas da manhã deste sábado, 8, manifestação de luto pelas quase 100 mil mortes por Covid-19 no Brasil. Ato acontece em Fortaleza, no Poço da Draga. Os profissionais de saúde farão uma roda de conversa no pavilhão em frente à Ponte Metálica, utilizando máscara e respeitando o distanciamento social, conforme nota enviada ao O POVO.

Segundo texto, os médicos e médicas denunciam que grande parte dos 100 mil óbitos poderia ter sido evitado, "se tivesse havido o devido cuidado desde o início, uma coordenação nacional de ações, um compromisso em salvar vidas de brasileiros, principalmente dos mais pobres, maioria entre as vítimas fatais da doença". Os profissionais que participarão da ação manifestam repúdio às ações e à condução pelo Governo Federal da grave crise de saúde pública, com quase 100 mil óbitos no Brasil.

LEIA TAMBÉM | Médicos protestam em Fortaleza contra visita de Bolsonaro

"Os profissionais de saúde destacam que o Brasil virou motivo de vergonha, ameaça e preocupação mundial, sem ministro da Saúde desde maio, sem a coordenação de ações que seria fundamental para reduzir os efeitos da pandemia no país, incluindo o devido apoio econômico e social para que todos os trabalhadores de atividades não essenciais pudessem ficar em casa", afirma a nota. Segundo o coletivo de médicos e médicas, a sociedade precisa refletir sobre por que chegamos a essa marca de 100 mil mortes - "grande parte das quais poderia ter sido evitada". Outras reflexões também devem ser feitas: enorme desigualdade social levando a mais mortes, com grande percentual de negros, pobres e moradores de periferia e sobre o país não ter ministro da saúde desde 15 de maio, em plena pandemia.

O coletivo já havia realizado uma manifestação na Praia de Iracema, no dia 13/6, em homenagem às vítimas da Covid-19 e aos profissionais de saúde. 

A obstetra Liduina Rocha, que compõe o coletivo, ressaltou para o O POVO que essas quase 100 mil mortes não são resultados de uma "fatalidade", mas sim em função de "nossas escolhas políticas e das políticas públicas de saúde adotadas durante a pandemia". "Quando a gente está sem ministro da Saúde há quase 100 dias, optando por tratamento sem nenhuma evidência científica robusta. Todas as evidências produzidas mostram ineficiência, efeitos adversos. Negacionismo em relação à uma falsa dicotomia entre vida e economia", aponta Liduina. Para ela, esses são um dos fatores que trouxeram o Brasil à triste marca.

Ainda conforme a obstreta, o número de 100 mil também mostra que a pandemia não chega de forma igual para todos, devido às desigualdades sociais. "A morte se estabeleceu nos bairros de IDH mais baixo", afirma a médica. Segundo ela, o Brasil é um dos países que apresentam maior taxa de mortes maternas pela Covid-19. Gestantes e puérperas negras, por exemplo, morrem duas vezes mais que gestantes e puérperas brancas. "As mortes pela Covid tem raça, classe e gênero estabelecidos", encerra Liduina.

> Veja vídeo:

Serviço

Manifestação: 08/08
Local: Poço da Draga, Fortaleza
Instagram do Coletivo Rebento [LINK: https://www.instagram.com/coletivorebento/

LEIA TAMBÉM | Médicos do Ceará formam coletivo para "defender vidas, o SUS e a ética médica