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Coronavírus
NOTÍCIA

Mutação pode ter tornado o novo coronavírus mais vulnerável às vacinas, aponta estudo

O trabalho publicado na sexta-feira, 24, diz que a chave deste processo está na mutação nomeada D614G

10:30 | 28/07/2020
Modelo tridimensional criado pela tecnologia de visualização biomédica Visual Science mostra em detalhes a estrutura do vírus Sars-CoV-2. (Foto: Reprodução/Visual Science)
Modelo tridimensional criado pela tecnologia de visualização biomédica Visual Science mostra em detalhes a estrutura do vírus Sars-CoV-2. (Foto: Reprodução/Visual Science)

A mesma mutação genética que tornou o novo coronavírus mais infeccioso também pode fazer que ele se torne mais vulnerável às vacinas. É o que aponta um trabalho de pesquisadores norte-americanos, liderado pelo cientista Drew Weissman, da Universidade de Pensilvânia. Segundo o portal G1, o estudo publicado na sexta-feira, 24, diz que a chave deste processo está na mutação nomeada D614G.

Esta mutação específica aumentou o número de espinhos, (ou "spikes", no inglês) do Sars-Cov-2. As estruturas são formadas pela proteína S. Estes espinhos permitem ao vírus se conectar às células das mucosas e infectá-las, para começar a sua duplicação.

Pelo menos cinco vacinas contra o Sars-Cov-2 em estágio final de teste estão sendo desenvolvidas justamente para combater este espinho. As vacinas são preparadas para induzir a formação de anticorpos neutralizantes que atacam a proteína S.

Por isso, com mais espinhos vai haver mais espaço para os antígenos da vacina atuarem na defesa e para poder, assim, neutralizar a ação do vírus, afirmam os pesquisadores em um artigo que ainda não foi revisado por pares (pré-print) e que foi publicado na plataforma MedRXiv.

Confira aqui o estudo completo.

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Como funcionaria

Para entender como uma possível vacina responderia a esta mutação, os cientistas usaram ratos, macacos e humanos. Primeiro aplicaram em alguns dos indivíduos um soro com anticorpos. Depois, colocaram no corpo deles um vírus modificado para conter apenas a proteína S do Sars-Cov-2, o que não expôs nem as cobaias nem os voluntários a riscos da Covid.

Eles perceberam que, nos indivíduos que receberam o soro, a mutação D614G teve mais dificuldade de acoplar o vírus na célula que seria invadida. Isso indica, segundo o estudo, que a linhagem do novo coronavírus que se tornou dominante deve ser mais suscetível a bloqueio dos anticorpos induzido pelas vacinas atualmente em desenvolvimento.

Vacina de Oxford

A vacina contra a Covid-19 que está sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford é uma das mais avançadas do mundo. A tecnologia usada é chamada de vetor-adenovírus, que usa um adenovírus como vetor para levar o coronavírus modificado para dentro de uma célula humana.

Esse adenovírus é geneticamente modificado para impedir sua replicação e, assim, que ele infecte uma célula humana. Adenovírus costumam causar resfriados.

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No lugar dos genes removidos é inserida uma sequência de DNA com o código da proteína S do Sars-Cov-2. Essa sequência faz o corpo humano entender, equivocadamente, que está infectado, o que gera a resposta imunológica.

Os cientistas de Oxford já tinham vetores adenovírus em estoque. Eles trabalham há anos com essa tecnologia para produzir vacinas. O que tiveram de fazer foi adaptá-la para o Sars-Cov-2 e adicionar a sua proteína spike para gerar a resposta imunológica desejada.