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Coronavírus
NOTÍCIA

França exige teste de Covid-19 a turistas de 16 países; brasileiros estão na lista

Entre os países com restrições estão os Estados Unidos e o Brasil, os dois mais afetados no mundo, e o Peru, o segundo com o maior número de casos na América Latina.

08:59 | 25/07/2020
O primeiro-ministro francês informou que pessoas de uma lista de países - os quais alguns as fronteiras ainda estão fechadas - devem apresentar um "teste que comprove que não possuem o vírus para poder embarcar nos respectivos voos". (Foto: Reprodução/Unsplash)
O primeiro-ministro francês informou que pessoas de uma lista de países - os quais alguns as fronteiras ainda estão fechadas - devem apresentar um "teste que comprove que não possuem o vírus para poder embarcar nos respectivos voos". (Foto: Reprodução/Unsplash)

A França decidiu nesta sexta-feira, 24, exigir que turistas de 16 países nos quais o novo coronavírus circula ativamente façam testes para a Covid-19, e desaconselhou que seus cidadãos visitem a Catalunha, em um momento em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) se disse "preocupada" com o reaparecimento de casos de Covid-19 em vários países europeus.

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, informou que pessoas de uma lista de países - os quais alguns as fronteiras ainda estão fechadas - devem apresentar um "teste que comprove que não possuem o vírus para poder embarcar nos respectivos voos".

Entre os países com restrições estão os Estados Unidos e o Brasil, os dois mais afetados no mundo, e o Peru, o segundo com o maior número de casos na América Latina. A Índia, que registrou 740 novas mortes nesta sexta, aumentando o balanço oficial para 30.601, também foi incluída na lista.

Castex também recomendou que os franceses evitem viagens à região espanhola da Catalunha, onde novos surtos do vírus foram registrados há alguns dias, "enquanto a situação de saúde não melhore".

Os novos surtos na Europa, região que registra até o momento 207.000 mortes e mais de 3 milhões de casos, levantou novas preocupações da OMS, que pediu cautela ao elevar restrições.

"O ressurgimento recente de casos em alguns países que levantaram medidas de distância social é realmente uma preocupação (...) As restrições devem ser cuidadosamente removidas. Onde houver surtos, deve haver uma reação rápida e bem dirigida, isolamentos, rastreamento de casos e quarentenas", disse uma porta-voz da OMS-Europa à AFP.

A Noruega voltou a impor restrições, dessa vez relacionadas a viagens à Espanha, destino popular entre seus cidadãos. A partir das 19 horas (de Brasília), uma quarentena de dez dias foi imposta aos que entrarem no país vindos de território espanhol, onde a pandemia causou até o momento 28.426 mortes.

A Alemanha, por sua vez, decidiu nesta sexta começar a fazer testes gratuitos nos turistas que chegarem ao seu território. Em termos proporcionais, a Bélgica, que registra 64.847 casos e mais de 9.800 mortes, é um dos países com o maior número de óbitos por Covid-19, com 85 vítimas fatais por 100.000 habitantes.

Os belgas ficaram abalados nesta sexta, com a morte de uma menina de três em decorrência da Covid-19. Foi a vítima mais jovem do país, que segundo autoridades sofria de patologias anteriores.

Com o aumento de infecções, a primeira-ministra Sophie Wilmès anunciou mais medidas de proteção e máscara obrigatória em "locais lotados" abertos e fechados.

Essa decisão começa a ser aplicada em outros países, como a Áustria, que anunciou que a máscara passa a ser obrigatória a partir desta sexta-feira em supermercados e em locais oficiais.

O mesmo foi imposto no Reino Unido para estabelecimentos comerciais, bancos, supermercados e outros espaços fechados.

Situação mundial

Desde que surgiu no final do ano passado na China, o novo coronavírus infectou cerca de 15,5 milhões de pessoas e matou mais de 634.000 em todo mundo, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais.

Na América Latina e no Caribe, a pandemia causou mais de 176.900 mortes e mais de 4,1 milhões de casos. Além disso, os empregos sofrerão um duro golpe, de acordo com o vice-presidente do Banco Mundial para a região, Carlos Felipe Jaramillo, em entrevista à AFP.

"Prevemos uma perda de ao menos 25 milhões de empregos para este ano, e esse número pode ser pior dependendo de como a situação evoluir nos próximos cinco ou seis meses", estimou o economista.

Jaramillo também destacou que não há histórico de um desastre semelhante na América Latina: "Nenhuma outra crise gerou uma queda na produção e dados preocupantes de desemprego como essa", ressaltou.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que a pandemia aumentou o número de desempregados para 41 milhões, um recorde para a América Latina, diante dos 25 milhões registrados em janeiro.

No Brasil, o país latino-americano mais afetado pela pandemia, o coronavírus avança sem trégua, com 2.343.366 casos e 85.238 mortes.

A situação causou o adiamento do carnaval de São Paulo, que estava previsto para fevereiro de 2021, segundo anúncio feito na sexta-feira pelo prefeito, Bruno Covas.

Apesar da controversa gestão da pandemia, a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que está com a Covid-19, se recuperou, segundo três pesquisas divulgadas nesta semana.

A situação também é grave no México, que registrou um novo pico no número de infecções nas últimas 24 horas, com 8.438 novos casos, segundo o último balanço. O país (que conta com 370.712 casos confirmados e 41.908 mortes) ocupa o quarto lugar no mundo em número de mortes, atrás somente dos Estados Unidos, Brasil e Reino Unido.

Na Argentina, que totaliza 148.014 casos e 2.702 óbitos, 6.127 novos casos foram registrados em 24 horas.

Também alarmante é a situação na Colômbia, que registrou 315 mortes por Covid-19 na quinta-feira, o maior número diário desde que o primeiro contágio foi detectado em março.

A prefeita da capital Bogotá, Claudia López, ampliou o confinamento de 2,5 para cinco milhões de pessoas na tentativa de deter a velocidade de propagação do vírus. 

O presidente Donald Trump, que durante meses minimizou o impacto da crise, descreveu nesta semana como "preocupante" o aumento de casos no sul do país, de longe o mais atingido pela pandemia em termos absolutos, com mais de 144.000 mortes.

Trump cancelou a "grande" convenção republicana planejada para acontecer na Flórida no final de agosto, na qual anunciaria sua indicação como candidato do partido à eleição presidencial de 3 de novembro.

A 100 dias das eleições presidenciais, o republicano que parece atrás nas pesquisas em relação ao adversário, o democrata Joe Biden, insiste sobre a volta das atividades, como forma de reacender a economia.

Sua pressão pela reabertura das escolas teve um efeito no órgão federal de saúde pública dos EUA, que se mostrou favorável a um retorno dos estudantes às aulas.

Os EUA passaram dos quatro milhões de casos registrados na última quinta, com mais de 148.800 mortes, e atingiu o recorde de casos em vários estados nos últimos nove dias.