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Coronavírus
NOTÍCIA

UE aprova plano econômico contra Covid-19 e Trump aprova uso de máscara

O vírus, cuja disseminação começa a se acelerar na África, infectou mais de 14,6 milhões de pessoas em todo mundo e matou mais de 600.000 desde que apareceu na China no ano passado

08:07 | 21/07/2020
Enquanto a Europa aprova pacote de retomada, nos Estados Unidos, o presidente Trump mudou de posição sobre o uso de máscaras (Foto: AFP)
Enquanto a Europa aprova pacote de retomada, nos Estados Unidos, o presidente Trump mudou de posição sobre o uso de máscaras (Foto: AFP)

Os líderes europeus chegaram a um acordo, nesta terça-feira, 21, sobre um gigantesco plano de relançamento econômico para aliviar as consequências do novo coronavírus, cuja propagação nos Estados Unidos parece ter mudado a opinião do presidente Donald Trump, agora favorável ao uso de uma máscara para combater a pandemia.

O vírus, cuja disseminação começa a se acelerar na África, infectou mais de 14,6 milhões de pessoas em todo mundo e matou mais de 600.000 desde que apareceu na China no ano passado.

Sgundo país com o maior número de casos e mortes por Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos, o Brasil superou o número de 80.000 mortes na segunda-feira.

Na Europa, depois de uma longa reunião de cúpula que terminou na manhã desta terça, os 27 líderes da União Europeia chegaram a um acordo histórico para superar a devastação causada pelo coronavírus com um fundo sem precedentes de 750 bilhões de euros (840 bilhões de dólares), com base em uma mutualização da dívida.

"É uma mudança histórica para a Europa", celebrou o presidente francês, Emmanuel Macron, enquanto a chanceler alemã, Angela Merkel, disse estar aliviada com o fato de a UE ter estado à altura da "maior crise" de sua história.

Para o ministro da Economia da França, Bruno Le Maire, este acordo é "nascimento de uma nova Europa".

Essa nova Europa será "mais solidária, mais verde e, além disso, mais franco-alemã", afirmou Le Maire, lembrando, em entrevista à rádio Franceinfo, que, "pela primeira vez na história, a Europa aceita se endividar de maneira conjunta".

"Este acordo se deve, sobretudo, à vontade de França e Alemanha, à vontade do presidente da República Francesa e da chanceler alemã", insistiu o ministro, que chamou o acordo de Bruxelas de "negociação maratônica e exaustiva".

Levando-se em consideração as tensões internacionais, "é necessário que a Europa tome decisões fortes como esta, mas mais rapidamente", declarou Le Maire.

O plano permitirá que os países mais afetados pelo coronavírus, como Espanha e Itália, enfrentem a profunda recessão prevista para 2020 devido à pandemia, que deixou mais de 205.000 mortos na Europa.

Agora, no entanto, o foco também está nas áreas mais pobres do planeta, como a África, onde o vírus se espalha.

Na África do Sul, o número de mortos ultrapassou 5.000 no fim de semana.

"Estou muito preocupado agora que estamos começando a ver uma aceleração da doença na África", disse o diretor do programa de Emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan.

 

Ainda sem um tratamento eficaz contra a Covid-19, há poucas opções para combater sua disseminação. Uma delas é usar máscara, algo que Donald Trump e seus aliados políticos rejeitaram durante meses.

O presidente dos EUA mudou de ideia ontem, porém, e publicou uma foto sua no Twitter usando uma máscara com a mensagem: "Estamos unidos em nosso esforço para superar o vírus invisível da China, e muitas pessoas dizem que é patriótico usar uma máscara quando não pode haver distanciamento Social".

"Não há ninguém mais patriótico do que eu, seu presidente favorito!", acrescentou.

As autoridades dos Estados Unidos estão lutando para conter a propagação do coronavírus, que já deixou quatro milhões de infectados e mais de 140.000 mortos no país.

Criticado por sua gestão da pandemia, Trump tenta responder à insatisfação da população, à medida que as eleições presidenciais de novembro se aproximam, em um contexto de aumento dos custos humanos e de uma dura crise econômica.

Dezenas de milhões de americanos perderam o emprego, e a ajuda extraordinária aos desempregados para impedir que caiam na pobreza termina no final de julho.

"Ainda tenho problemas para pagar as contas e ainda estou procurando emprego. E hoje é difícil encontrar um emprego, porque tudo está fechado", desabafa Diana Yitbarek, de 44 anos, desempregada desde abril.

 

Na América Latina e no Caribe, onde existem mais de 160.000 mortes e 3,8 milhões de casos de contágio, a Argentina registrou um número recorde de 113 óbitos em 24 horas, na segunda-feira.

"Temos que aprender a conviver com o vírus, ou o dano econômico vai ser pior", disse à AFP Daniel Bailo, um vendedor de Buenos Aires, onde na segunda-feira uma reabertura tímida de atividades começou após mais de quatro meses de confinamento.

Nas cidades bolivianas de La Paz e Cochabamba, a pandemia de coronavírus "está em uma escalada muito rápida", disseram especialistas na segunda-feira.

Dois estudos publicados ontem deram esperança de que se encontre em breve uma vacina contra o vírus.

Um ensaio clínico de mais de 1.000 adultos no Reino Unido descobriu que uma vacina desencadeia "fortes respostas de anticorpos e células T" contra o coronavírus.

Outro estudo na China, com mais de 500 pessoas, mostrou que a maioria delas desenvolveu importantes respostas imunes com anticorpos.

Uma vacina eficaz será essencial para retornar à normalidade, assim como para a realização de grandes celebrações religiosas, como a peregrinação a Meca.

A celebração muçulmana anual na Arábia Saudita foi drasticamente reduzida neste ano e começará em 29 de julho, mas apenas para cerca de mil pessoas, anunciaram as autoridades. No ano passado, cerca de 2,5 milhões de fiéis passaram por lá.