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Coronavírus
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Pesquisadores cearenses desenvolvem protótipos de tecnologias de baixo custo para ajudar no combate ao coronavírus

Os projetos devem ser ainda registrados e aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para poderem ser reproduzidos e usados na prática

Júlia Duarte
14:10 | 25/06/2020
Ventilador mecânico de baixo custo (Foto: Reprodução/Secitece)
Ventilador mecânico de baixo custo (Foto: Reprodução/Secitece)

Em meio à pandemia de coronavírus, a urgência de aparelhos e tecnologias para auxiliar no tratamento nas unidades de saúde só aumentou. Entra em cena, então, a ciência cearense. Pesquisadores desenvolveram um vídeo-laringoscópio de baixo custo com barreira de proteção e um ventilador pulmonar, ambos já em fase de testes.

As pesquisas estão vinculadas à Universidade Estadual do Ceará (Uece), com apoio do CriarCE, projeto da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), e do Instituto Desenvolvimento, Estratégia e Conhecimento (Idesco). O objetivo dos protótipos é baratear tecnologias no mercado, que custam um valor um elevado. Com o menor custo, será possível haver maior distribuição em mais unidades.

Sob responsabilidade do coordenador do Laboratório de Biofísica da Respiração (LBR/Uece), professor Sales Ávila, o ventilador mecânico é também de rápida produção. Esse tipo de máquina é necessário em casos de pacientes mais graves de Covid-19 que precisam de auxílio para respirar. Sales explica que os componentes do protótipo são robustos e têm estoque em todo o mundo, na indústria automobilística.

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O ventilador pode ser usado tanto na rede elétrica quanto em bateria, caso haja falta de energia, e obedece ainda aos requisitos brasileiros ABNT PR1003 e do Reino Unido (Medicines and Healthcare products Regulatory Agency) para Ventiladores pulmonares para uso em transporte/emergência.

Vídeo-laringoscópio de baixo custo com barreira de proteção
Vídeo-laringoscópio de baixo custo com barreira de proteção (Foto: Reprodução/Secitece)

O vídeo-laringoscópio de baixo custo com barreira de proteção também nasceu do momento que o Ceará vive. Mais de 100 mil pessoas testaram positivo para a doença, até a última atualização do IntegraSus, plataforma da Secretária da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), nesta quinta-feira, 25. Dessas, muitas das que precisaram ser internadas, também necessitaram passar pelo processo de intubação. O procedimento pode colocar em risco de contaminação profissionais de saúde, caso, em um reflexo, o paciente expelir gotículas no ar.

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Pensando nisso, a médica anestesiologista Nely Marjollie Guanabara Teixeira Reis, que já se dedicava em criar vídeo-laringoscópio de baixo custo, acrescentou uma proteção. O projeto facilita a intubação de forma mais rápida e precisa, além de permitir que o médico mantenha uma maior distância da via aérea do paciente.

O vídeo-laringoscópio foi criado por uma impressora 3D e tem uma lamina em resina odontológica, que pode passar por processos de esterilização, podendo, assim, ser reutilizado. Todos esses componentes tornam o protótipo mais barato e pode ser levado com mais facilidade para unidade de saúde mais básicas, não só grandes referencias. Pelo menos é o que espera a também professora da Uece.

"Diante de uma pandemia, que pegou o mundo inteiro de surpresa, a gente com nossos poucos recursos, porque não somos uma empresa, não somos uma coisa grande para ter dinheiro para patrocinar uma descoberta, vamos juntando e tentando criar uma tecnologia que ajude esses pacientes Nely Marjolli", afirma Nely Marjollie. Os projetos devem ser ainda registrados e aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para poderem ser reproduzidos e usados na prática.

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