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Coronavírus
NOTÍCIA

Covid-19: Fiocruz vai iniciar estudos pré-clínicos para vacina

Nesta fase, os testes de segurança são feitos em animais; mesmo com sucesso nas próximas etapas, a vacina nacional não chegará ao registro antes de 2022

13:13 | 11/06/2020
No mundo, outras vacinas estão em testes clínicos em humanos (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
No mundo, outras vacinas estão em testes clínicos em humanos (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) está conduzindo um projeto brasileiro para o desenvolvimento de uma vacina sintética para o novo coronavírus (Sars-CoV-2). De acordo com informações do portal Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os estudos agora avançam para a fase pré-clínica, na qual aspectos de segurança são avaliados em animais.

Mesmo em processo acelerado de desenvolvimento tecnológico e com resultados positivos em todas as etapas futuras, porém, a vacina nacional de Bio-Manguinhos/Fiocruz não chegará ao registro antes de 2022.

A forma sintética da vacina foi escolhida por ser mais rápida, em comparação às metodologias tradicionais, pelo custo reduzido de produção e pela estabilidade para armazenagem.

Além disso, a vacina sintética não precisa de instalações de biossegurança nível 3 para as primeiras etapas de desenvolvimento, sendo necessárias somente a partir dos estudos pré-clínicos. Instalações desse nível são destinadas para trabalho com microrganismos que apresentam elevado risco individual e baixo risco para a comunidade.

Composição da vacina

A vacina sintética tem como base biomoléculas ou peptídeos antigênicos de células B e T. Isto é, contém pequenas partes de proteínas do vírus Sars-CoV-2 capazes de induzir a produção de anticorpos específicos no processo de defesa do organismo.

O Bio-Manguinhos/Fiocruz identificou essas biomoléculas em modelo computacional (in silico) e estas foram produzidas por síntese química e validadas “in vitro”, ou seja, em laboratório. Dessa forma, os peptídeos foram acoplados em nanopartículas, que funcionam como uma forma de “entrega” ao sistema imune, ativando sua defesa.

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Próximos passos

Nesta próxima etapa, serão feitas formulações vacinais com essas biomoléculas acopladas em nanopartículas, para avaliação “in vivo”, em seres vivos. Assim, serão obtidos os primeiros resultados relacionados à imunidade conferida ao novo coronavírus. A partir dos resultados dos estudos pré-clínicos, parte-se para a fase dos estudos clínicos de fases I, II e III, que incluem testes com seres humanos.

O Bio-Manguinhos/Fiocruz também trabalha com um projeto de desenvolvimento tecnológico de uma vacina, ainda em fase preliminar, com base em uma plataforma de subunidade, ou seja, que utiliza somente fragmentos de antígenos capazes de estimular a melhor resposta imune.

Esta abordagem testa diferentes construções da proteína S, que é a principal proteína para a ligação do coronavírus nas células do paciente, e é responsável pela geração de anticorpos protetores/neutralizantes.

Esforços nacionais

O projeto da Fiocruz soma-se a outras iniciativas institucionais nacionais, que incluem a avaliação e discussão de diferentes modelos de desenvolvimento e visam contribuir para a produção brasileira.

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O Ministério da Saúde indicou a Fiocruz, por meio de Bio-Manguinhos, como a instituição com capacidade de avaliar as tecnologias e estabelecer parcerias com os principais desenvolvedores mundiais, visando o desenvolvimento clínico e a produção em suas instalações, com futura distribuição pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O Brasil chegou a 39.680 mortes e 772.416 casos confirmados pelo novo coronavírus, segundo dados divulgados pelo MS na quarta-feira, 10. Foram 1.274 óbitos e 32.913 casos a mais que a última atualização de ontem. São ainda 325.395 pessoas recuperadas da Covid-19. O País teve 2º dia seguido com registro de mais de 1,2 mil mortes e 30 mil casos em 24 horas.