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Coronavírus
NOTÍCIA

"População foi liberada para ir ao abatedouro", diz especialista sobre redução do distanciamento social

O grupo considera que, sem a desaceleração sustentada, não há base para flexibilização das regras de distanciamento

Ismia Kariny
14:01 | 04/06/2020

 

Grupo de cientistas de universidades de São Paulo alerta para o risco da explosão de casos da Covid-19 no Brasil. Conforme a análise dos especialistas, em dez dias o número de casos e mortes pode aumentar em 150% nas cidades que promovam, ainda nesta semana, o afrouxamento das medidas contra o surto do novo coronavírus. As informações são do portal de notícias O Globo.

As projeções são baseadas em números oficiais e nas taxas de crescimento dos casos em cidades que recuaram no distanciamento rígido, como Blumenau, em Santa Catarina, que aumentou o número de infectados em 160% após a reabertura de shopping e lojas de rua. Os dados também consideram situação semelhante em Milão, cidade localizada na Itália, que após afrouxar as medidas também causou uma grande incidência de casos na Itália, em março.

O grupo estima que, das pessoas infectadas pelo coronavírus, 30% não terão sintomas, enquanto 55% terão sintomas de leves a moderados. Outros 10% devem apresentar sintomas graves, e 5% serão casos críticos. Destes casos mais graves, metade morrerá. Os especialistas também projetam que 15% dos novos infectados vão precisar ser internados daqui a uma semana, visto que os sintomas costumam surgir de cinco a sete dias após a infecção.

“Isso esgotará os leitos disponíveis e levará ao caos”, afirma Domingos Alves, integrante do portal Covid-19 Brasil, que é também líder do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP). O grupo integrado por Alves também analisa que a curva de crescimento do Brasil é a que mais acelera no mundo, sendo também a única que, a partir do 50° dia após o surgimento de casos, continua a acelerar.

Com exceção do Ceará, quase todos os estados brasileiros continuam a acelerar o crescimento da Covid-19. Segundo a análise do portal Covid-19 Brasil, o País tem a maior taxa de crescimento de casos confirmados desde o 54º dia da pandemia. “Até agora, temos acertado nossas projeções e, por isso, estamos tão preocupados. É nosso dever alertar a população de que ela foi liberada para ir ao abatedouro”, disse Alves ao O Globo.

O grupo considera que, sem a desaceleração sustentada, não há base para flexibilização das regras de distanciamento. Conforme os pesquisadores destacam em nota técnica, as medidas adotadas no Brasil não têm relação com o que preconiza a Organização Mundial de Saúde (OMS). “O chamado relaxamento do distanciamento social adotado no Brasil não tem qualquer base científica e não foi feito por nenhum país do mundo” pontua Alves.

A exceção, segundo ele, seria a Itália, que ao ignorar o surto do novo coronavírus no início do ano, viu a epidemia sair do controle. “A palavra é dura, mas será um genocídio. Nenhum governo estadual teve coragem de falar em fila única de saúde, e esses pacientes, em sua maioria pobres, não terão assistência. Vão morrer em casa. É fácil botar a culpa na população, mas a responsabilidade de estabelecer regras e de dar segurança é dos governantes”, finaliza Alves